Britânicos pregam “realismo” na relação entre carreira e maternidade

Gravidez traz incertezas quanto ao futuro profissional
Gravidez traz incertezas quanto ao futuro profissional Foto: Divulgação

É necessário ensinar uma dose cavalar de realismo às adolescentes – a de que pode não ser possível tornar-se uma mãe e uma profissional perfeitas. Esse é o discurso da presidente da Associação de Escolas de Meninas da Grã-Bretanha.

Jill Berry, diretora da escola Dame Alice Harpur em Bedford, ao sul da Inglaterra, discursará às principais escolas particulares para meninas sobre a pressão sem precedentes enfrentada por suas pupilas para serem “mulheres perfeitas”. Segundo ela, mesmo que garotas inteligentes devam ter aspirações altas, não há nada de errado em trabalhar meio período ou até mesmo não trabalhar quando tiverem filhos.

Às vésperas de sua conferência anual, Jill Berry afirmou que as escolas precisam preparar desde cedo as garotas para os desafios e as escolhas que elas terão de enfrentar mais adiante em suas vidas.

De acordo com estatísticas, quatro em cada cinco das 110 mil pupilas educadas nas escolas terão filhos. Segundo a presidente, muitas das meninas vão querer ter tudo:

– É perfeitamente aceitável e faremos tudo o que for possível para prepará-las. Mas precisamos fazê-las serem realistas. Em fases diferentes da vida, elas devem querer coisas diferentes. Não há nada de errado em dizerem “preciso trabalhar em meio período” ou “preciso de ajuda para conseguir ter uma carreira e também filhos”. As mulheres podem se sentir muito culpadas, seja qual o caminho que escolherem. É como se elas tivessem de alguma maneira comprometido seus princípios. O que podemos fazer enquanto educadores é prepará-las para ter aspirações, mas para não aspirarem a perfeição. Podemos ajudá-las a reconhecer que a vida diz respeito a ter equilíbrio.

Jill Berry, que não tem filhos, disse que a menos que as garotas sejam ensinadas assim, os professores correm o risco de traí-las.

– Há uma pressão sem precedentes sobre as garotas, e cada vez mais mulheres estão voltando cedo para o trabalho após terem filhos. Tudo pode ir muito bem, até que a criança fique doente.

Segundo Berry, uma educação de qualidade garante às meninas a habilidade de gerar opções para si mesmas tanto no ambiente de trabalho quanto em casa.

– As prioridades mudam, mas isso não significa que você esteja “se vendendo”: você está encarando a realidade e tentando ser realista em relação ao que pode conseguir, e você deveria parar de se torturar por isso – afirmou Jill, acrescentando que as adolescentes devem escolher seus parceiros com muito cuidado. – Se você escolher alguém que lhe deprecie, você não poderá ter o apoio de que talvez precise.

As declarações da professora surgem em meio a um debate acirrado em relação a direitos trabalhistas mais flexíveis. A Grã-Bretanha permite uma lciença-maternidade de até 52 semanas (um ano), em comparação a 12 semanas (três meses) permitidas nos Estados Unidos, por exemplo. No mês passado, o gerente de fundos Nichola Pease afirmou que isso vinha se traduzindo em muitas empresas pararem de contratar mulheres.

Ministra britânica para assuntos femininos, Harriet Harman declarou mês passado que “a mudança de que necessitamos é a que reconhece que, para as mulheres, ter tempo para um bebê pequeno e trabalhar em horários flexíveis ou meio período na volta da licença-maternidade será a tendência para o futuro”.

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