Carlos Miele apresenta em Nova York coleção inspirada em arte conceitual

Estilista brasileiro se baseou no artista americano Sol LeWitt

Miele apresentou em Nova York cerca de 30 criações femininas sofisticadas
Miele apresentou em Nova York cerca de 30 criações femininas sofisticadas Foto: Miguel Rajmil, EFE

O estilista brasileiro Carlos Miele apresentou na segunda-feira, na semana de moda de Nova York, suas novas apostas para o próximo outono-inverno. Entre elas, uma coleção para a qual se inspirou no artista americano Sol LeWitt.

– Trabalhei há dez anos com Sol LeWitt para um mural da Bienal (de São Paulo) e, ao entender seu processo de criação, tudo aquilo ficou na minha cabeça, no inconsciente – explicou o estilista, que apresentou cerca de 30 criações femininas sofisticadas e elegantes.

Segundo Miele, um dos nomes latino-americanos mais frequentes na semana de moda nova-iorquina, a inspiração para sua nova coleção partiu “do preto-e-branco” usado por LeWitt, o grande expoente da arte conceitual, que morreu em 2007 vítima de câncer, aos 78 anos.

– Ao preto-e-branco eu fui trazendo as cores, que ele trabalha bem, as estampas geométricas – assegurou o estilista.

Desta vez, Miele apostou em desenhos com tons mais uniformes, apesar de também ter incluído algumas de suas características combinações de cores quentes.

O cinza, o branco e o preto estiveram, assim, mais presentes que o normal nas criações de Miele, nas quais os protagonistas voltaram a ser os vestidos, longos e curtos, apesar de também terem tido espaço as saias longas, calças e blusas, além de alguns casacos e coletes.

– Cor é uma coisa natural, porque o país do qual eu venho é um país muito colorido, então acho que é uma coisa natural no meu trabalho – afirmou. – Eu comecei a fazer uma coleção muito preto-e-branco e cinza, e eu senti que, se o medo da recessão vai embora, a gente deixa as cores virem e entrarem na coleção – ressaltou Miele, em referência aos tons avermelhados, bronzes, dourados, berinjelas, azuis-escuros, e até mesmo verde-limão, que alternou em várias peças.

O brasileiro apostou novamente nas linhas arquitetônicas de que tanto gosta, e na geometria em criações confeccionadas com materiais elegantes como a seda, o cetim, as gazes e a caxemira, além da lã que introduziu nas calças. Como novidade, algo pouco visto na passarela nova-iorquina, a utilização de peles como o vison para jaquetas curtas.

Mais uma vez, Miele decidiu acompanhar sua apresentação em Nova York com música brasileira, graças à presença do artista Max de Castro. A escolha do compositor não foi à toa, já que costuma usar as melodias de Miles Davis, outra das inspirações de Miele, que disse que as tendências expostas bebem do álbum In a Silent Way, do músico americano.

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