Carne perde espaço na mesa dos gaúchos

Excesso de açúcar e gorduras ainda preocupa

Quem está com sobrepeso também pode desenvolver problemas de saúde e não apenas os obesos mórbidos
Quem está com sobrepeso também pode desenvolver problemas de saúde e não apenas os obesos mórbidos Foto: Divulgação

Pesquisa realizada em 55,9 mil domicílios do país e divulgada ontem pelo IBGE mostra como os brasileiros estão se alimentando em casa. No Rio Grande do Sul, as verduras vêm ganhando espaço, mas o excesso de açúcares e gorduras ainda preocupa

Conhecidos por sua paixão incondicional pelo churrasco, os gaúchos estão comprando menos carne e mais verduras, mas sua alimentação continua longe de ser saudável: açúcar e gordura têm cada vez mais espaço na mesa de quem mora no Rio Grande do Sul.

É o que indicam dois levantamentos elaborados com base na Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2008-2009, divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Fruto de uma parceria com o Banco Mundial e o Ministério da Saúde, os estudos tiveram dois objetivos básicos. Primeiro, revelar quais são os alimentos que os brasileiros compram para consumir em casa. E, em segundo lugar, identificar o perfil nutricional da população, com base nesses dados.

Para cumprir a meta, os pesquisadores bateram à porta de mais de 55,9 mil domicílios, em todos os Estados, nas zonas rural e urbana. As visitas transcorreram entre maio de 2008 e maio de 2009. Em cada uma das abordagens, os moradores tiveram de responder questionários detalhados sobre que tipo de comida e bebida costumavam adquirir em suas visitas a supermercados e mercearias. O resultado é um retrato completo dos hábitos de consumo de homens, mulheres e crianças, de diferentes classes e regiões.

No Rio Grande do Sul, a investigação confirmou uma tendência que já vem preocupando açougueiros. As churrasqueiras gaúchas estão menos carregadas de espetos, e a estrela dos tradicionais churrascos de domingo perdeu terreno. Em comparação com números de 2002-2003, as famílias compraram quase dois quilos a menos de carne em 2008-2009.

A mesma tendência não se repetiu na Região Sul como um todo. Juntos, os três Estados mais meridionais do Brasil seguem soberanos no ranking da compra da carne. Há cinco anos, a média anual era de 34,7 quilos per capita. Saltou para 35,7.

Alto preço pode explicar a queda

A explicação para a mudança de hábitos no Rio Grande do Sul, na opinião do chefe do Serviço de Endocrinologia da Faculdade de Medicina da Pontifícia Universidade Católica do Estado (PUCRS), Giuseppe Repetto, não está exatamente ligada a questões de saúde:

— A diminuição deve ser um reflexo do aumento do preço do produto aqui no Estado, principalmente dos cortes que os gaúchos gostam de assar. Não acredito que estamos menos carnívoros.

O mais curioso é que a aquisição de hortaliças no Estado cresceu praticamente na mesma proporção no período. Isso não significa, porém, que os gaúchos estão comendo melhor. O estudo do IBGE mostrou que a distribuição de calorias, calculada com base nas aquisições, segue bastante desequilibrada. Conforme a nutricionista Patrícia Chagas, doutora em Gerontologia Biomédica, a população está consumindo muito açúcar e gordura e poucas frutas, verduras, leite e derivados.

— Mesmo que a opção por hortaliças esteja aumentando, ainda é muito pouco — resume Patrícia.

Mais detalhes sobre esse fenômeno, segundo o analista socioeconômico do IBGE, José Mauro de Freitas Júnior, serão conhecidos na metade de 2011. O especialista conta que, durante a pesquisa, um quarto da amostra entrevistada recebeu blocos para anotar, durante dois dias, exatamente o que comiam e de que forma.

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