Casal de idosos se reencontra pela internet e recomeça romance interrompido há 56 anos

Neila e Mito reviveram uma história de amor depois de 56 anos sem se ver
Neila e Mito reviveram uma história de amor depois de 56 anos sem se ver Foto: Gabriel Munhoz, Especial

Na era digital, histórias de amor iniciadas na internet já não são mais novidade.

Em Dom Pedrito, no entanto, personagens inusitados de uma história marcada por desencontros esboçam um final feliz de dar inveja a qualquer adolescente vidrado em computador. Pela rede, Neila Farinha, 68 anos, e Eremito Andrade Campos, 72 anos, reviveram uma história de amor depois de 56 anos sem se ver.

Tudo começou em agosto de 1953. Na cidade da Campanha, Campos, ou Mito como é chamado, então com 16 anos, encantou-se por Neila, de 13 anos. As trocas de olhares e de poucas palavras ocorriam na praça central, ponto de encontro dos jovens. Numa ida ao cinema, Mito tomou coragem e tentou roubar um beijo. Foi rechaçado.

Rejeitado, o jovem ingressou na Brigada Militar, foi morar em Santa Maria e casou-se, aos 19 anos.

Neila ficou na cidade, formou-se professora e chegou a ser secretária municipal de Educação. Casou-se, teve três filhos, mas, na década de 1980, divorciou-se. A notícia se espalhou.

– Quando encontrava alguém de Dom Pedrito, sempre perguntava por Neila. Quando brigava com a minha mulher, também não deixava de pensar nela, pois sabia que ela havia se separado – comenta Mito, pai de três filhas de duas uniões.

Em abril do ano passado, Mito ficou viúvo da segunda mulher, o que o obrigou a procurar formas de se distrair para espantar a tristeza. Foi então que o tenente da Brigada Militar, atualmente na reserva, procurou a internet. Com a ajuda da filha, montou um perfil no Orkut. A 300 quilômetros de Santa Maria, Neila enfrentava um momento de depressão e usava a rede para se comunicar com amigos. Ao entrar no Orkut de uma amiga, viu a foto do tenente.

– Pensei: será que é ele mesmo? Mandei um recado perguntando, mas sem a menor intenção de qualquer coisa, até porque ele estava na foto com uma mulher. Ele respondeu e depois fui saber que ele estava viúvo – relembra Neila.

Após o primeiro contato pelo Orkut, Mito tomou coragem e pediu o endereço no programa de mensagens instantâneas MSN de sua velha nova paquera. O flerte, que há 56 anos acontecia na praça, agora tinha a distância de centenas de quilômetros amenizada pelo teclado do computador. Em fevereiro deste ano, as conversas deixaram a web. Depois de muita insistência de Mito, Neila aceitou ir até Santa Maria.

O reencontro foi emocionante.

– A primeira coisa que ele fez foi cobrar o beijo que eu havia negado há mais de 50 anos, com juros e correção monetária – diz Neila, aos risos.

Hoje, eles se dividem entre a casa dela, em Dom Pedrito, e a dele, em Santa Maria. Os filhos aprovam o relacionamento, o que deu um impulso para o principal plano de 2010: casar.

– Nossa história prova que não há idade para ser feliz. E quando algo está marcado para tua vida, não adianta fugir, o destino se encarrega – completa o tenente.

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