Casal realiza sonho de dirigir um restaurante e viver da gastronomia no interior do RS

Fernando e Cláudia Manta abriram o restaurante Chu, em Pelotas

Apaixonados por gastronomia, Fernando e Cláudia idealizaram o Chu de acordo com a personalidade do casal
Apaixonados por gastronomia, Fernando e Cláudia idealizaram o Chu de acordo com a personalidade do casal Foto: Marcel

Desde sempre, uma espécie de magnetismo atraiu o casal Fernando e Cláudia Manta para a cozinha. Comemorações, assuntos familiares, coisa divertida e coisa séria? Cozinha. Romantismo, intimidade, cumplicidade, amor? Cozinha. Discutir a relação, planejar viagens, sonhar com o futuro? Bem, nem precisa dizer. A atração dos dois pelas panelas era tão intensa que, há cerca de um ano e meio, não puderam mais conter essa paixão. Abriram juntos o restaurante Chu, em Pelotas, e desde então vivem as dores e, principalmente, as delícias de ver realizado o sonho de uma vida inteira.

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Pensado em mínimos detalhes pelo casal durante mais de sete anos, o local é uma mistura da personalidade dos dois. Objetos de design estão ao lado de itens que remetem à história de Cláudia e Fernando. Exemplos: um silo de arroz aproveitado na decoração, referência à família dela, produtora do grão; nas paredes e na escada, uma lona de caminhão dá um toque moderno; no paisagismo, oliveiras remetem à colonização portuguesa da região; na horta orgânica cultivada no pátio, temperos lembram que a comida deve ser natural e saborosa. Enfim, estar no Chu é testemunhar o amor transbordante do casal não somente pela gastronomia, mas por toda a função de receber novos e velhos amigos e encantá-los com os olhos e com o paladar.

Até o nome do restaurante tem tudo a ver com eles. Chu é o apelido de Fernando desde a adolescência. Um dia, durante uma das reuniões de planejamento com o arquiteto, aventou-se a possibilidade de batizar o local com a identidade dele.

? Eu não queria, mas a Cláudia e o arquiteto adoraram, ele desenhou a logomarca na hora. Daí acabou ficando. Hoje não imaginamos outro nome ? comenta Chu, o homem.

Neto e filho dos proprietários da rede de hotéis Manta, em Pelotas, Fernando foi criado nesse ambiente, em contato muito próximo com o público. A paixão pela gastronomia começou cedo, aos quatro anos, quando ele já deixava de brincar de carrinho para ajudar o avô a preparar as receitas servidas nos hotéis. Aos 17 anos, quando começou a namorar Cláudia, descobriu nela uma incrível compatibilidade de gostos. Ambos adoravam comer, beber e descobrir novos sabores, novos ambientes. Era o terreno fértil para cultivar um sonho a dois.

 
Foto: Marcel Ávila, Divulgação

Ao planejar o restaurante, o casal queria que a cozinha estivesse no palco principal. Também queria um ambiente amplo para a adega, com rótulos do mundo todo e uma amplitude de preços que permitisse todas as harmonizações. E também queria um bar, uma horta, poltronas e lareira na parte externa… Por isso demoraram tanto tempo procurando o local certo. Quando a casa na rua Andrade Neves que abrigava uma galeria de arte desocupou, havia chegado a hora de tornar o sonho realidade.

? Não tínhamos noção da proporção que isso tudo iria tomar. Esse foi o investimento da nossa vida, mas nunca pensamos que iríamos ficar tão conhecidos, com tanta gente nos prestigiando. É muito mais do que sonhamos ? afirma Cláudia.

Com a proposta de oferecer gastronomia italiana com toques de modernidade e originalidade, Fernando mantém algumas leis inquebráveis na administração da cozinha do Chu. Regra máxima: pães, massas e molhos industrializados são proibidos. A esta lei somam-se outras, como o rigor na escolha dos ingredientes e o alcance do cardápio, que oferece desde pizzas até pratos de alta gastronomia. Aliás, versatilidade é outra lei do restaurante. Ao mesmo tempo em que procura se popularizar, montando quiosques em todas as edições da Fenadoce, promove o projeto Chefs no Chu, no qual os comandantes de grandes cozinhas, como Carlos Kristensen e Adriano Kanashiro, assumem as panelas para uma noite de menu degustação.

Depois da abertura das portas do Chu, a vida de Fernando e Cláudia nunca mais foi a mesma. Dedicam-se integralmente ao negócio – ele na cozinha, ela em outras áreas da administração – e não há um dia sequer que eles não sejam vistos na cozinha ou no salão do restaurante, na companhia dos comensais já fiéis ou dos que chegam para uma primeira experiência. A vida a dois, no meio desse turbilhão, virou uma complicada equação. Para manter o corpo em forma, ela faz ginástica e joga tênis quatro vezes por semana. Quando?

? Ai guria, é uma função… nem sei como eu consigo ? diz ela.

Ele tenta jogar tênis, esporte que praticava antes do restaurante, mas confessa que nem sempre consegue tempo para raquetes e bolinha. Para dar atenção ao filho Enrico, de cinco anos, o malabarismo é maior ainda. A família já adiou o horário do jantar para preservar os momentos juntos. E Cláudia tenta dedicar todas as manhãs ao pequeno.

Mesmo enfrentando a rotina pesada e os desafios de um mercado competitivo, a dupla nem pensa em recuar. Não querem deixar o Interior para abrir o Chu em outra cidade maior, como Porto Alegre, por exemplo. Para eles, há retorno satisfatório em Pelotas, lugar em que nasceram. Também não querem tornar-se maiores do que podem. O mais importante, para eles, é viver intensamente o sonho que conseguiram realizar. E terem certeza de que fizeram a escolha certa a cada vez que se despedem do último cliente, depois de mais uma noite cheia de risos, conversas, felicidades e sabores.

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