Casamento real: Conto de fadas atualizado

Romance, tradição e lucros fazem da união de Kate Middleton ao príncipe William o casamento mais celebrado do século 21

Cumplicidade em aparições públicas é determinante para a empatia do casal
Cumplicidade em aparições públicas é determinante para a empatia do casal Foto: Alastair Grant, AP

Sonhos viram realidade? Contos de fada existem? Quando se trata da família real britânica, tudo é possível. Até mesmo o mais celebrado ideal romântico das mulheres em qualquer tempo: o casamento de um príncipe com uma plebeia. No dia 29 de abril, na Abadia de Westminster, no centro de Londres, a inglesa Catherine Elizabeth Middleton, 29 anos, vai fazer história. Será a primeira princesa sem sangue real em 350 anos, cuja família não possui títulos de nobreza ou ligações com a realeza. Ao casar-se com o príncipe William, neto de Elizabeth II, pode tornar-se rainha da Inglaterra.

Em termos políticos e econômicos, isso não quer dizer grande coisa. Há tempos a monarquia perdeu os poderes e a Grã-Bretanha é governada por um primeiro-ministro e um parlamento que não consultam o Palácio de Buckingham para quase nada. Para os 60 milhões de ingleses, a família real é um símbolo, a representação de um passado em que a nação ajudou a escrever a história do mundo ocidental.

Por que, então, o casamento real chama tanto a atenção? Há muitas respostas. O presidente da Câmara Britânica de Comércio e Indústria no Rio Grande do Sul, Mauro Stormovski, comenta que a coroa inglesa não é a única, mas é, sem dúvida, a que tem mais destaque. Com o casamento, o mundo pode ver que a monarquia ainda é uma instituição repleta de rituais e beleza. É o lugar em que sonhos ainda tornam-se realidade, em toda a sua plenitude.

? Esse casamento dirá ao mundo que a monarquia ainda é institucionalmente bela e significativa.

Os noivos, por sua vez, representam a nova geração dos britânicos, que são modernos, inteligentes e antenados, mas preservam tradições valiosas, como o gosto pelas obras de caridade. Eles dispensaram a lista de presentes e escolheram instituições pouco conhecidas para receber doações dos convidados que desejem presenteá-los. Doações também podem ser feitas pelo site oficial do casamento, em seis moedas diferentes.

? Por questões como essa, o casamento mostrará que o Reino Unido é um país criativo e dinâmico, aberto às oportunidades e conectado com o mundo, que sabe combinar história e tradição com modernidade e inovação ? comenta a consulesa honorária Denise Pellin, que representa o Consulado Britânico no Rio Grande do Sul.

Ao contrário de todas as outras monarquias que ainda resistem, a inglesa desperta tanta curiosidade por revelar mais do que o protocolo dos palácios. A psicanalista Diana Corso observa que os escândalos, a exposição das intimidades, dos conflitos e das felicidades dos monarcas ingleses tornou essa família alvo de tanta curiosidade. Segundo ela, ao oferecer mais do que os ritos palacianos e as ocasiões formais, a realeza permite que as pessoas se identifiquem, se enxerguem.

? A monarquia inglesa não apresenta somente a foto do altar, mas também da intimidade. Basta ver o exemplo de Charles e Diana, que viveram em público os conflitos e a ruína do casamento. Eles não mostram somente a coroa, mas também a cara. Por isso tanto interesse ? explica Diana.

Esperanças de amor

Escândalos, intimidades e lucros à parte, o casamento real projeta no imaginário coletivo uma expectativa que vai além do que se pode ler nas revistas de fofoca. Diana Corso comenta que a promessa do amor eterno entre os jovens, validada pelo mundo todo, é um contraponto ao fantasma do fracasso do amor e dos relacionamentos, com o qual as famílias contemporâneas convivem atualmente. Assim como Charles e Diana no passado, eles personificam a possibilidade de sucesso nos vínculos criados pelo casamento.

? Os pais de William falharam. Agora renova-se a esperança ao vermos este casal como predestinado, fadado a encontrar-se e desfrutar, juntos, a felicidade ? destaca Diana.

A livre escolha do casal ? fator que não existia na união arranjada de Charles e Diana ? também é um poderoso gerador de empatia. Afinal, a ideia de liberdade de escolha está sempre associada a decisões acertadas e garantia de satisfação.

? Acreditamos que a infelicidade é sempre alheia à nossa vontade e, por isso, quando temos o poder de escolher, tomamos a decisão certa. É claro que isso nem sempre é verdade, mas gostamos de pensar assim ? completa Diana Corso.

Encontrar um par perfeito é desejo íntimo de quase todo mundo. Pois foi justamente isso que William e Kate fizeram. Ele escolheu uma mulher bonita, inteligente, rica e capaz de lidar com os pormenores do Palácio de Buckingham com mais jogo de cintura do que a sogra. Ela, por sua vez, vai casar-se com um príncipe jovem, moderno, descolado e bonitão. Resultado: curiosidade, identificação e empatia.

? Temos a tendência de desejar o belo, o perfeito, o conto de fadas. William é um príncipe de verdade, que se apaixonou por uma súdita. É o sonho que virou realidade, é o conforto de saber que o romantismo idealizado ainda é possível ? afirma Claudya Toledo, fundadora da A2 Encontros, uma das maiores agências de encontros do Brasil, que atende cerca de 12 mil pessoas.

A imagem de uma princesa moderna, inteligente e bem resolvida também aproxima Kate das mulheres comuns, que buscam relacionamentos duradouros e sólidos, mas não estão dispostas a um casamento à moda antiga, em que os maridos tinham a palavra final. William também encarna o novo ao escolher uma mulher sem conexões com a realeza, aparentemente pelo simples fato de amá-la. Claudya Toledo completa dizendo que a empatia se solidifica quando os dois aparecem juntos em público, trocando sorrisos, olhares e conversas:

? Há afinidade entre o casal, o que torna tudo ainda mais mágico.

Muito mais do que um sim

Beleza, glamour, pompas e… lucros. Não é apenas pela beleza da cerimônia e pelo carisma dos noivos que os britânicos estão eufóricos com o casamento de William e Kate. Há anos a economia britânica esperava pelo evento que pode injetar, segundo o presidente da Câmara Britânica de Comércio e Indústria no Rio Grande do Sul, Mauro Stormovski, um bilhão de libras nos cofres do país.

Para se ter uma ideia do tamanho do evento, toda a Inglaterra recebe uma média de 30 milhões de turistas anualmente. Somente no dia 29 de abril, a cidade de Londres terá sete milhões de turistas, que chegarão atraídos pela possibilidade de estar lá no dia da cerimônia. Não há mais vagas nos hotéis e restam poucos moradores que ainda não alugaram acomodações em suas casas. Além da venda de suvenires, lembranças e demais compras que essa multidão vai fazer, os direitos de transmissão televisiva da cerimônia também inflam as expectativas de faturamento.

? Nunca tivemos, no Rio Grande do Sul ou no Brasil, um evento que se compare a esse ? garante Stormovski.

Em todo o mundo, órgãos ligados aos consulados e às embaixadas britânicas estão organizando reuniões para acompanhar a transmissão do casamento. Em Porto Alegre, um café-da-manhã no British Club reunirá jornalistas e outros profissionais que precisam assistir à cerimônia. Tudo para mostrar ao mundo a importância de um casamento que, se não tem influência política, ao menos vai render aos britânicos cifras expressivas.

? O casamento vai reafirmar ao mundo tudo o que o país tem de bom. Não é só a beleza da cerimônia, mas a capacidade de receber tantos turistas e fazer tudo funcionar. É claro que há muitos problemas, mas este é o momento para a Inglaterra mostrar o que tem de melhor – completa Stormovski.

Leia mais sobre o casamento do Príncipe William com Kate Middleton na edição impressa do Caderno Donna ZH.

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