Casamento real de William e Kate: os ritos da cerimônia

Ele optou por não usar aliança; Ela, por não obedecer ao príncipe

Beijo do casal real foi um momento de frisson para a multidão
Beijo do casal real foi um momento de frisson para a multidão Foto: Reprodução, youtube

ALIANÇA

Ao contrário da maioria dos casamentos tradicionais, inclusive dentro da igreja anglicana, o príncipe William optou por não usar aliança após o casamento com Kate Middleton. A decisão é uma preferência pessoal e segue a tradição adotada por seu avô, o Duque de Edimburgo. Já o seu pai, o príncipe Charles, usa o anel matrimonial.

A aliança de Kate, única do casamento, portanto, foi levada até o altar pelo príncipe Harry, irmão de William e padrinho de casamento. Ele o entregou diretamente ao noivo, para que este o colocasse no dedo de Kate.


Foto: Andrew Milligan, AFP

A aliança de casamento foi fabricada por joalheiros do País de Gales a partir de um pedaço de ouro galês que pertencia a William, um presente de sua avó, a rainha Elizabeth II. Ela presenteou o neto pouco depois que ele e Kate anunciaram seu noivado, em novembro do ano passado.

A joalheria Wartski, que fez o anel de casamento para o príncipe Charles quando ele se casou pela segunda vez, em 2005, com Camila Parker-Bowles, foi encarregada da aliança que William deu a Kate.

VOTOS

Kate Middleton, seguindo o exemplo da princesa Diana, não prometeu obedecer ao príncipe William em seus votos de casamento. Ao invés disso, num estilo moderno, Kate prometeu “amar, confortar, honrar e proteger” o futuro marido. A mãe de William também optou por não dizer que obedeceria ao Príncipe de Gales durante a cerimônia de casamento em 1981.


Foto: AFP

WESTMINSTER

O local escolhido para o casamento, a Abadia de Westminster, é uma igreja gótica anglicana intimamente ligada há alguns séculos à monarquia britânica, tanto nos momentos alegres como nos tristes. O templo londrino já recebeu casamentos, coroações e funerais reais ? como o da princesa Diana, em 6 de setembro de 1997.

A igreja também foi o cenário escolhido para o casamento de sua avó, a então princesa Elizabeth com Philip Mountbatten, em 20 de novembro de 1947. Seis anos mais tarde, após a morte do pai, ela foi coroada Elizabeth II no mesmo lugar. Dois dos quatro filhos da rainha também casaram na igreja: a princesa Anne com Mark Phillips em 1973 e o príncipe Andrew com Sarah Ferguson em 1986. Os dois casamentos terminaram em divórcio, assim como o de Charles, que como herdeiro do trono optou pela mais ampla e luxuosa catedral de São Paulo para o casamento com Diana em julho de 1981.


Foto: Dominic Lipinski, AFP

A imponente igreja gótica atual, cujo nome formal é Igreja do Colegiado de São Pedro de Westminster, começou a ser construída durante o reinado de Henry III em 1245. O sepultamento do monarca, em 1272, transformou o local no principal local para os enterros reais durante 500 anos. No total, 17 monarcas estão sepultados nesta necrópole real convertida em mausoléu nacional com mais de 3 mil túmulos de algumas das figuras britânicas mais famosas em todos os âmbitos, de Isaac Newton a Lawrence Olivier, passando por Charles Dickens e Charles Darwin.

A igreja, um dos edifícios góticos mais importantes do Reino Unido, é “royal peculiar”, ou seja, está diretamente sob a jurisdição do monarca, que na Inglaterra também é o Governador Supremo da Igreja Anglicana, e não de uma diocese. No entanto, se autofinancia com a venda de entradas e com os donativos.

Mesmo sendo uma das principais atrações turísticas da capital, a igreja, situada ao lado do Parlamento de Westminster, ainda é um local de culto e nela são celebrados vários serviços religiosos diários.

VESTES MILITARES

Apesar do entusiasmo com o vestido de casamento de Kate Middleton, o príncipe William foi a surpresa na moda dos casamentos reais. A expectativa era a de que o noivo ? piloto de helicóptero para missões de resgate ?  usaria seu uniforme azul-marinho da Força Aérea na cerimônia. No entanto, ele optou por vestir o uniforme de coronel da Guarda Irlandesa do Exército britânico, composto por farda vermelha e calça preta.


Foto: Ben Stansall, AFP

Segundo especialistas, com a escolha, William envia um sinal firme de apoio às Forças Armadas britânicas e reforça sua imagem de militar dedicado. Além disso, ao vestir o uniforme militar de gala, seguiu o exemplo de seu pai, o príncipe Charles, que se casou em 1981 com a princesa Diana, com o traje naval completo.

Outros membros da família real assistiram ao casamento com uniformes militares: o príncipe Harry, irmão de William, vestiu o uniforme azul-marinho de capitão do regimento Blues and Royals da Guarda Real, e seu pai, o príncipe Charles, herdeiro do trono, usou o uniforme de gala da Marinha Real.

MÚSICA

Para a cerimônia, o casal escolheu composições de alguns dos grandes nomes da música britânica: Charles Hubert Hastings Parry, William Walton, Benjamin Britten, Edward Elgar, Ralph Vaughan Williams, Peter Maxwell Davies e y John Rutter. Na entrada, a noiva foi recepcionada pela marcha nupcial de Hubert Parry, nos três minutos e meio de caminhada na nave central da construção gótica de Westminster.

Apreciadora de música clássica, Kate recebeu ajuda do sogro, o príncipe de Gales, na seleção musical do casamento. Kate escolheu uma popular canção do folclore Greensleeves, à qual já fez referência William Shakespeare em sua comédia As alegres comadres de Windsor. A princesa Diana também foi lembrada na trilha sonora do casamento com a marcha imperial de William Walton, apresentada ao final da cerimônia, como foi durante seu casamento com o príncipe Charles em 1981.

Um toque de modernidade foi dado pela fanfarra especial Valiant and Brave, lema do esquadrão de busca e resgate da Royal Air Force, ao qual pertence o príncipe de Gales, composta pelo comandante Duncan Stubbs, principal diretor de música dessa força. A fanfarra, de meio minuto de duração, foi tocada por sete trombetas e um tambor da banda central da Royal Air Force no momento em que os noivos iniciaram seu caminho em direção à saída pela grande porta ocidental da abadia.

Outra canção escolhida pela noiva é do compositor contemporâneo, Paul Mealor, que estudou na ilha escocesa de Anglesey, onde fica a base o esquadrão da RAF ao que pertence o príncipe e onde o casal viverá os primeiros anos.

TOM PESSOAL

Outra mudança das regras estabelecidas: para dar um tom mais pessoal, o jovem casal, que supervisionou a cerimônia nos mínimos detalhes, redigiu de próprio punho uma mensagem às pessoas. Uma tarefa que cabe geralmente ao arcebispo de Canterburry, o mais alto dignitário da Igreja Anglicana.

? A afeição que muitas pessoas manifestaram durante nosso noivado foi muito emocionante e nos tocou enormemente. Aproveitamos esta oportunidade para agradecer a todos por sua gentileza ? explicam os dois em uma mensagem assinada “William e Catherine” e enfeitada com uma foto “descontraída” onde eles posam sorrindo, vestidos com uma camisa clara como o pescoço descoberto.


Foto: Anthony Devlin, AFP

Uma oração, também escrita pelo casal, foi lida durante a cerimônia pelo reverendo Richard Charters, bispo de Londres:

“Deus nosso Pai, nós te agradecemos por nossas famílias, pelo o amor que nós compartilhamos e pela alegria do nosso casamento. Que a cada dia, mantenha nossos olhos no que é real e importante na vida e nos ajude a sermos generosos com nosso tempo e amor e energia. Fortalecidos pela nossa união, nos ajude a servir e confortar o sofrimento. Oramos no Espírito de Jesus Cristo. Amém”

TÍTULOS

O príncipe William foi nomeado duque de Cambridge pela rainha Elizabeth II e Kate Middleton se tornou duquesa de Cambridge. Segundo a tradição, os homens da família real recebem seu título, geralmente mais de um, quando se casam. Os títulos são uma escolha do soberano. O ducado é o maior nível da nobreza britânica.

A soberana decidiu conferir também ao neto os títulos de conde de Strathearn e de barão Carrickfergus, o que fará de Kate a condessa de Strathearn e a baronesa Carrickfergus. Catherine Middleton é também oficialmente a princesa de William de Gales, mas não a princesa Catherine, já que não nasceu como tal, mas é muito provável que a imprensa se refira a ela nestes termos.

O último duque de Cambridge foi um famoso militar, o príncipe George, neto de George III, que também se casou com uma plebeia na era vitoriana.

Já a última duquesa de Cambridge foi a famosa princesa de origem alemã Augusta Wilhelmina Louisa of Hesse-Cassel, esposa do príncipe Adolphus Frederick, primeiro duque de Cambridge, e mãe do príncipe George.

NÚMEROS

? 1 só aliança: a que William colocou no dedo de Kate

? 2 bolos de casamento: o tradicional ‘fruitcake’ e o bolo de chocolate, preferido de William.

? 3 anos: a idade das mais jovens damas de honra de Kate, uma delas a neta de Camilla Paker Bowles, segunda esposa de Charles, o pai de William.

? 6 “ex” de William e Kate foram convidados ao casamento, segundo a imprensa.

? 10 sinos tocaram na Abadia de Westminster meia hora antes da cerimônia e três horas depois.

? 100 carruagens integram as cavalariças reais, cinco delas, utilizadas no dia do casamento.

? 1,9 mil privilegiados receberam o convite para assistir o casamento na Abadia de Westminster; 650 deles comparecerão à recepção oferecida pela rainha. Apenas 300 comparecerão ao jantar.

? 5 mil policias trabalham no esquema de segurança.

? 5,5 mil festas de rua estão programada em todo o país.

? 11 mil barreiras de segurança para conter a multidão ao longo do cortejo.

? 2,5 milhões de linguiças para coquetel vendidas pela rede Marks and Spencer com a aproximação do casamento.

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