Casamentos reais adoçam remédio amargo da austeridade na Europa

Ano de 2011 é fato em bodas que encantam os súditos

Kate Middleton e William, após o anúncio das bodas: cerimônia deve ocorrer na Abadia de Westminster, na segunda semana de agosto
Kate Middleton e William, após o anúncio das bodas: cerimônia deve ocorrer na Abadia de Westminster, na segunda semana de agosto Foto: AFP

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Os casamentos de contos de fada dos príncipes William, da Inglaterra, e Albert, de Mônaco, devem adoçar o remédio amargo da austeridade, anunciado para 2011 na Europa, fazendo sonhar milhões de pessoas e dando à realeza uma pitada de glamour e de modernidade.

William, de 28 anos, vai se casar com Kate Middleton, uma jovem de classe média da mesma idade que é namorada dele há oito anos, enquanto o casamento do príncipe Albert, de Mônaco, de 52 anos, com a nadadora sul-africana Charlene Wittstock, de 32, será celebrado em 2 e 3 julho no pequeno principado.

? Há um entusiasmo público incrível ? declarou à AFP o especialista francês em temas de realeza Stephane Bern, que comentará os dois casamentos para a TV do seu país. ? As televisões de todo o mundo estão conectando-se ao sinal para assegurar a transmissão ao vivo. Há uma avidez do público sobre estes temas, há uma vontade de fugir do marasmo econômico reinante ? afirmou.

Isto é particularmente certo na Grã-Bretanha, onde o governo anunciou em outubro um severo plano de ajuste orçamentário para reduzir um déficit recorde.

O primeiro-ministro David Cameron não duvidou em declarar festivo o dia do casamento, o que alegrou os britânicos, mas não disárou seu entusiasmo pelo casamento.

Em consulta realizada no fim de novembro pelo instituto de pesquisa ComRes, dois terços dos cidadãos de Sua Majestade se disseram “indiferentes” ao enlace, embora 76% tenham se declarado orgulhosos de que seu país seja uma monarquia.

? Acho que à medida que nos aproximarmos, o interesse das pessoas aumentará ? disse a historiadora britânica Jean Seaton.

Embora vá ser um grande casamento, o enlace de William e Kate deveria ter o mesmo glamour que o de seus pais, o príncipe Charles e a então Lady Diana Spencer, celebrada 30 anos antes, disse Seaton.

? Lady Di marcou a moda ? afirmou.

As comparações entre Kate, a quem William deu de presente o anel de noivado da mãe, e a princesa falecida são inevitáveis.

? A verdadeira boa notícia é que ao contrário de Diana, Kate sabe onde está se metendo, ao contrário de sua antecessora ? segundo Jean Seaton.

Desde aquele casamento, as coisas foram de mal a pior para a monarquia britânica ao ponto de a rainha Elizabeth chegar a qualificar 1992 de “annus horribilis” devido, entre outros, às separações de seus filhos, Charles e Andrew, bem como o divórcio da princesa Anne.

E o pior ainda estava por vir, com a trágica morte de Diana em um acidente de carro em Paris, em 1997.

? Isto fez muito mal, mas já se fez muito para consertá-lo ? disse Charles Kidd, redator-chefe de Debrett’s Peerage, a ‘bíblia’ da aristocracia britânica desde 1769.

? O segundo casamento de Charles é muito feliz e os jovens (William e Kate) são evidentemente felizes. A rainha continua sendo uma soberana quase perfeita ? acrescentou.

Para Stephane Bern, a monarquia britânica é “o modelo ideal”.

? É evolução sem revolução: evolui de geração em geração, mas tem valores permanentes que perduram ? explicou.

? Estamos em uma época em que o povo precisa de referências e a monarquia oferece justamente um ponto de referência histórico com relação a um fluxo interrompido de acontecimentos que parecem nos fugir ? acrescentou.

Em Mônaco, o casamento do chamado “solteiro de ouro” da realeza europeia, que sucedeu seu pai, Rainier, em 2005, suscita mais fervor entre uma população que começava a descartar a ideia de que o longamento aguardado casamento do príncipe chegasse a ser celebrado algum dia.

Para o ex-secretário de Estado do príncipe Rainier, René Novella, o casamento de Albert com sua namorada, Charlene, será “ainda mais importante” do que a de seu pai com a atriz americana Grace Kelly, em 1956, sobretudo porque Albert é “muito conhecido no mundo inteiro”.

Segundo o próprio príncipe, o casamento aliará “o respeito às tradições e à modernidade”, declarou em entrevista recente ao jornal francês Le Figaro, na qual disse sobretudo que sirva para acabar com os estereótipos sobre o principado.

Os súbitos deverão aproveitar a oportunidade que lhes trará 2011 porque após estes dois casamentos, que ocorrem um ano depois do da princesa Victoria da Suécia com seu ex-personal trainer, Daniel Westing, os próximos matrimônios serão todos de membros mais distantes dos tronos europeus.

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