Caso de Miss reacende debate sobre a necessidade de cirurgias

Bruna Felisberto manifestou arrependimento com plástica feita no nariz

O nariz de Bruna antes e depois
O nariz de Bruna antes e depois

A insatisfação com a própria beleza, revelada pela mulher que por um ano representou o Estado como a mais bela gaúcha, reacendeu um alerta que muitos cirurgiões plásticos devem fazer antes de combinar um procedimento com o paciente. Cirurgia plástica muda a estética, e não a vida de uma pessoa, alertam psicólogos ouvidos por Zero Hora.

Após entregar a faixa de Miss Rio Grande do Sul no sábado, Bruna Felisberto, 22 anos, manifestou arrependimento com plástica feita no nariz. Sem a coroa nacional – ela ficou em sexto lugar –, a jovem afirma não conseguir respirar direito porque o nariz ficou pequeno.

– Comentam sobre meu nariz, e só os mais próximos têm coragem de falar direto – disse, chorando, em entrevista, garantindo ainda que chegou a perder contratos por conta da plástica.

Responsável pela maioria dos procedimentos na miss, o cirurgião plástico Nelson Heller se disse surpreso com as declarações. Quatro dias antes do concurso, ela teria ido à clínica para tirar uma foto com o médico e solicitar uma aplicação de botox. Queria levantar as sobrancelhas.

– Muitas vezes, as candidatas não estão tão satisfeitas com um detalhe. Quando vão a um concurso de maior exposição, como o Miss Brasil, aproveitam o sonho de mudar algo para adquirir confiança e enfrentar a competição com as mais belas do país – explica o médico, que também atende outras coroadas, como a recém-eleita Miss RS 2010, Bruna Jaroceski, e a Miss Brasil 2008, Natália Anderle.

Estar descontente com a própria aparência não é suficiente para encarar uma mesa de cirurgia, afirma a psicóloga clínica Giovana de Andrade Chassot. Antes de acertar os detalhes da transformação, o paciente precisa reconhecer o problema e se há outras maneiras de resolvê-lo. Em muitos casos, a resposta está dentro de cada um.

– Alguns têm a ideia mágica de que tudo se revolve na cirurgia. É um descontentamento interno, e não externo. É preciso estar bem orientado, e o cirurgião deve perceber quando não há preparo – explica a psicóloga.

No caso de Bruna, a decisão para ir à mesa de cirurgia veio cinco dia após vencer o concurso do ano passado, em uma conversa com um especialista em misses, que teria afirmado que, com as mudanças, a modelo trabalharia mais.

– Ele disse que eu teria de me mostrar como uma nova Bruna, já que estava indo à seletiva nacional – disse.

De acordo com o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica Regional RS, Ricardo Albuquerque Arnt, casos semelhantes ao da miss devem ser repensados. Quem está indeciso deve rever suas motivações na hora de acertar uma cirurgia plástica.

– Não devemos fazer cirurgia plástica para os outros, mas para nós mesmos. Se o paciente está insatisfeito com seu aspecto não significa necessariamente que esteja pior esteticamente ou que o trabalho foi mal feito e que o paciente tenha direito a compensação – afirma Arnt.

Além do nariz, Heller fez gratuitamente em Bruna a colocação de prótese nos seios, lipoesculturas e enxerto de gordura nas nádegas e nos maxilares, além de uma abrasão com lixa de diamante no rosto. Também fez um retoque no nariz quatro meses após a primeira cirurgia.

– Não posso transformar mulheres sempre em misses – observa Heller.

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