Celia Ribeiro: a comida conta histórias

Sempre que sinto cheiro de azeite de dendê, lembro o vatapá que minha avó aprendeu a preparar com uma amiga baiana. Ela servia essa comida nordestina numa terrina de sopa de louça inglesa branca à família reunida na longa mesa retangular com uma toalha xadrezinha. A comida, com seus sabores e aromas específicos, mexe com os sentidos, desperta nossa memória para encontros entre pessoas amigas, associada aos afetos que incluem os ambientes onde se viveu. O exemplo clássico foi descrito por Marcel Proust a partir das histórias das madeleines (foto acima), os bolinhos de sua infância, que se tornaram um clásssico à hora do chá e do cafezinho.

Sobre comida narrativa, surge agora o livro Psicologia Social da Comida (Editora Vozes), de autoria da psicóloga Denise Amon, lançado no Studio Clio. O livro passa ao leitor o universo que a comida representa além do seu valor nutritivo. Ao comer não estamos apenas reproduzindo e garantindo nossa existência enquanto seres vivos, mas também como humanos. Brillat Savarin, o papa da gastronomia francesa, estabeleceu uma diferença entre os seres, partindo da alimentação: “Os animais se nutrem; só o homem sabe o que come”.

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O livro de Denise partiu da sua tese de doutorado na PUCRS, acrescido de aspectos sociológicos e pesquisas posteriores, incluindo estágio no bistrô Sanduíche Voador, marco na gastronomia de Porto Alegre, situado junto à Praça Mauricio Cardoso. Criado por Doris Grossmann como serviço de entrega a domicílio de sanduíches especiais, logo partiu para o bistrô de imprevisíveis comidas por ela criadas. O serviço espontâneo, sem uniforme, era feito por universitários. Tudo bem aceito num ambiente acolhedor, com uma comida divina, que deixou saudades. O restaurante fechou as portas em 2009. A história do Sanduíche Voador ilustra a frase do antropólogo Roberto da Matta: “Comida é um jeito de se alimentar”. É estilo em que o modo de comer e a mesa bem posta agregam maior prazer e valorizam a comida.

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O estilista Lino Villaventura, que reside em Fortaleza e São Paulo, fabrica os sapatos de seu design na indústria calçadista do Rio Grande do Sul. Há uma semana ele esteve em Porto Alegre, no BarraShoppingSul, como mentor da primeira Maratona Mude, com a participação de estilistas jovens, cada um com uma equipe de quatro profissionais para fazer um sapato em 24 horas. O objetivo da promoção era favorecer o surgimento de novos talentos na conquista de uma identidade do sapato brasileiro. Este mesmo objetivo pautou a realização do Fashion Brasil em relação a jovens estilistas de roupas.

lino

Lino, aos 63 anos, tem o mesmo entusiasmo pelo seu trabalho do tempo em que nos conhecemos, quando ele surgiu com grande sucesso no Rio de Janeiro. A preocupação com qualidade é uma tônica permanente, tanto nas roupas fashion quanto nos calçados femininos e masculinos de sua criação.

— Estou mais comportado agora no design de calçado, senão fico sem ter quem o execute — desabafou. — Hoje eu sei, para ser acreditado pelo consumidor masculino, um sapato deve ser clássico com bico fino e sem recorte. Meu segundo modelo tem o detalhe do bico em verniz. Agora estou em processo de criação de um modelo em couro acolchoado, no estilo de um tênis.
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Senhoritas com muita idade

“Fui a uma festa com minha mãe, uma senhora de mais de 60 anos, e o garçom a tratou sempre por senhorita. Achei impróprio esse tratamento de parte de um jovem profissional, que vestia impecável smoking. Seria grosseiro tê-lo corrigido?” MIRIAM

– Dependendo da forma de dizer que o tratamento de senhorita cabe às moças e senhora a mulheres maduras, seria uma colaboração ao jovem garçom. Poderia ter falado baixinho com ele, dizendo que faz parte do treinamento de um profissional não chamar uma senhora mais velha de senhorita.

Jantar deadesão

“Como convidar alguém para tomar parte em um jantar de adesão em que cada um se inscreve e paga sua despesa? Nesses casos, tenho visto ‘convite’ como título, mas não acho certo.” JOSÉ

– Nos dias atuais, há muitos convites para almoços e jantares em que os convidados pagam sua despesa. Quando aparece no convite “a bebida por conta do convidado”, conclui-se que o jantar será oferecido pelos anfitriões. Para banquete ou jantar homenageando uma ou mais pessoas, usa-se encimar o convite de adesão com a palavra Homenagem. No R.S.V.P. devem constar telefone e e-mail para confirmar presença até determinado prazo. A organização do evento faz contato com os convidados para garantir confirmação e informar como fazer o pagamento.

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