Chega ao Brasil “Peregrinos”, novo livro de Elizabeth Gilbert

Livro de contos da autora de "Comer, Rezar, Amar" rompe com o estilo confessional do best-seller

Elizabeth Gilbert (foto) rompeu com estilo de "Comer, Rezar, Amar"
Elizabeth Gilbert (foto) rompeu com estilo de "Comer, Rezar, Amar" Foto: reprodução

O tom confessional de Comer, Rezar, Amar e as possibilidades de associação entre o que está escrito e a vida de Elizabeth Gilbert presentes no livro seguinte (Comprometida) desaparecem completamente na coletânea de contos da autora, Peregrinos, que a Editora Objetiva acaba de lançar no Brasil.

Talvez não se pudesse esperar outra coisa de uma obra de ficção, não biográfica – diferentemente dos dois lançamentos anteriores, em 2007 e em 2010 -, mas a ausência referida aqui vai um pouco além. Elizabeth opta (?) por não revelar muito sequer sobre os personagens de cada um dos 12 contos. O desaparecimento das características que parecem ter fisgado os leitores nos primeiros livros, no entanto, acaba por ser a força maior deste último – que, na verdade, foi o primeiro lançado pela autora, em 2007, 10 anos antes do best-seller Comer, Rezar, Amar conquistar os leitores brasileiros.

Os personagens surgem nítidos e bem delineados de imediato. Por isso, são capazes de seduzir e envolver rapidamente o leitor que entra despretensioso livro adentro. E assim como aparecem, somem, justo quando se quer saber mais deles. Peregrinos, o conto que dá nome ao livro, nos apresenta Martha Knox, por exemplo. São 16 páginas de história; na sexta, você se convenceu da autenticidade e da veracidade da garota de 19 anos e não vai parar de ler até saber o que Buck fará com ela – ou o que ela fará com Buck, o personagem-narrador. Um comentário trazido no material de apresentação do livro cai bem para Martha: “(o livro é) uma coletânea superior de contos sobre mulheres que são tão fortes quanto aparentam, mas não tão fortes quanto imaginam”.
O detalhe é que são diálogos curtos, e Elizabeth não dá pistas, em nenhum momento, do que se passa dentro dos personagens – não há qualquer forma de tom confessional nos contos, já se disse aqui. Ou seja, Elizabeth constrói uma narrativa com imagens precisas. Os 12 contos parecem recortes instantâneos de histórias que seguiram seu curso indiferentes à autora.

Os personagens não sofrem, ou até sofrem, se supõe, mas não estão focados nisto, não nos revelam isto. Eles vivem – o julgamento da qualidade dessa vida acaba acontecendo dentro do leitor. Pronto: você é o responsável pelo viés confessional que estaria “faltando” ali. As narrativas ambientam-se em diferentes cenários do Estados Unidos. Elizabeth trata a todos os personagens da mesma maneira, dos mais familiares aos mais  bizarros – o conto A Melhor das Esposas, que encerra o livro, por exemplo, traz um desses. As bizarrices são colocadas de uma maneira tão elegante e sem julgamentos, que Elizabeth parece não ter nenhuma relação com o destino que os personagens escolheram para si.

Se você virou fã de Elizabeth por causa de Comer, Rezar e Amar, talvez estranhe Peregrinos. Mas o livro pode ser uma forma de testar se sua admiração é pelo talento da escritora ou pela história vivida por ela como mulher e descrita no best-seller levado para os cinemas com Julia Roberts.

Peregrinos, de Elizabeth Gilbert, é um lançamento da Objetiva, com 209 páginas e tem preço médio de R$ 34,90.

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