Chocolate reduz o risco de derrame

Estudo relaciona porção semanal do doce a chance 22% menor de AVC
Estudo relaciona porção semanal do doce a chance 22% menor de AVC Foto: Roni Rigon

O consumo moderado de chocolate pode reduzir o risco de sofrer um acidente vascular cerebral (AVC). Isso é o que sugere uma análise de pesquisas sobre chocolate e derrame, envolvendo mais de 45 mil voluntários, conduzida por cientistas da Universidade de Toronto, no Canadá.

Um dos estudos avaliados, que acompanhou 44.489 pessoas, concluiu que aqueles que consumiam uma porção de chocolate por semana tinham um risco 22% menor de ter um derrame do que os que não comiam o doce. Outro artigo, envolvendo 1.169 voluntários, mostrou que o consumo de 50 gramas semanais estava associado a uma queda de 46% no risco de morte após um derrame.

Para especialistas, a associação entre chocolate e redução no risco de derrame faz sentido devido à presença dos polifenóis, poderosos antioxidantes, no cacau. Esses compostos já são relacionados à queda no risco cardiovascular porque sabe-se que inibem a oxidação do LDL, o colesterol ruim, evitando que ele se deposite na parede das artérias formando placas de gordura. Outro efeito dos polifenóis é a diminuição da agregação das plaquetas, envolvida na formação de trombos que provocam entupimentos. Mas o efeito só vale para o chocolate amargo, rico em cacau. Os tipos branco e ao leite não têm o mesmo poder.

– O mesmo mecanismo que protege contra doenças cardiovasculares deve estar por trás do efeito contra o AVC – diz Jocelem Salgado, professora de nutrição da Universidade de São Paulo (USP).

Outro estudo recente, feito pela Universidade de Colônia, na Alemanha, constatou que o consumo moderado de chocolate amargo reduz os níveis de pressão arterial. Os autores acompanharam durante 18 semanas 44 adultos com idades entre 56 e 73 anos com hipertensão leve. Eles foram divididos em dois grupos: um recebeu diariamente 6,3 gramas de chocolate amargo e o outro a mesma quantidade do tipo branco. Ao fim do período, os pesquisadores notaram leves reduções nos níveis de pressão no grupo que consumiu o chocolate amargo.

– Esse efeito sobre a pressão arterial também pode estar relacionado à prevenção de derrames – diz Jocelem.

Protásio Lemos da Luz, diretor da unidade clínica de aterosclerose do Instituto do Coração, em São Paulo, é cauteloso:

– Isso é possível pela presença dos flavonoides, mas ainda não temos estudos controlados que provem essa relação.

Para o cardiologista e nutrólogo Daniel Magnoni, do Hospital do Coração, em São Paulo, no entanto, as quantidades avaliadas seriam pequenas para garantir benefícios:

– Os flavonoides são benéficos e devem ser incluídos na alimentação diária e incorporados a um estilo de vida, e não consumidos em doses como se fossem medicamentos – pondera.

Além do chocolate, o vinho tinto, as frutas vermelhas e os chás verde e preto são boas fontes de nutrientes. No caso do chocolate e do vinho, o consumo deve ser moderado. Por ser calórico, o excesso do doce pode levar ao ganho de peso – um fator de risco cardiovascular.

– O chocolate já foi considerado inimigo número um das artérias, mas hoje sabe-se que, consumido com bom senso, pode ser benéfico – diz Jocelem Salgado.

Leia mais
Vídeos recomendados
Comente

Hot no Donna