Cientistas tentam compreender como o HIV se esconde nas células

Pesquisadores participam de conferência internacional sobre o tema em Viena

Controle das redes sociais é importante para a segurança de crianças e adolescentes
Controle das redes sociais é importante para a segurança de crianças e adolescentes Foto: Luciano Moraes

Cientistas reunidos na Conferência Internacional sobre Aids, realizada em Viena, tentam compreender de que forma o vírus da imunodeficiência humana (HIV, causador da Aids) se esconde nas células do corpo humano, com a esperança de um dia reduzir sua intensidade.

– O assunto chave são essas células que lhe servem de reservatório; este é o maior obstáculo que temos que superar – disse Kevin Frost, da ONG americana amfAR.

– É um tema novo, cada vez mais presente, e que interessa muito mais que nas outras conferências internacionais – observou, em entrevista à AFP, a francesa Christine Rouzioux, virologista no hospital Necker.

Vários ‘worksshops’ são dedicados a este tema no âmbito da conferência, que se encerrará esta sexta-feira.

Um seminário reuniu 200 cientistas, médicos, representantes dos doentes e das agências de financiamento para discutir as pesquisas mais recentes sobre estas células reservatórios disseminadas em todo o corpo, sobretudo nos tecidos linfóides, na medula óssea e no tecido digestivo.

Ali, o vírus em inatividade espera o momento certo, isto é, o momento em que o paciente suspenderá o tratamento para se revelar, transformando a infecção por HIV em uma doença crônica e incurável.

– Há toda uma estratégia em torno do reservatório: como está constituído, o que é que representa, suas relações com o sistema imunológico, os medicamentos novos que poderiam ser ativos contra a biologia da célula infectada – explicou o professor Jean-François Delfraissy, diretor da Agência Francesa de Pesquisas sobre Aids (ANRS).

O título do seminário, “Rumo a uma cura, as estratégias para controlar os reservatórios”, não significa que se pense que a infecção poderá ser curada algum dia. Para a prêmio Nobel Françoise Barré-Sinoussi, especialista na área, esta é uma “missão impossível”.

– Custo crer que poderemos eliminar o vírus – disse, em Viena, para um grupo de jornalistas. Pelo menos se pode esperar reduzir o número de células em estado latente “para que as pessoas infectadas possam controlar sua infecção, como fazem naturalmente as pessoas chamadas ‘a elite dos controladores'”, que representam menos de 1% dos soropositivos.

Estes últimos, infectados há mais de 10 anos, não sofrem a replicação do vírus, nem desenvolvem a doença. Graças a um sistema imunológico que funciona muito bem, não precisam de tratamento.

– Temos que ser capazes de induzir este controle – disse Barré-Sinoussi.

– As coisas avançam bem – disse a professora Rouzioux. – Todo mundo está de acordo que tratando precocemente as pessoas infectadas se consegue diminuir mais facilmente os reservatórios – já que o tratamento precoce preserva as células imunológicas que ajudam a combater a infecção.

A cientista citou um experimento realizado há vários anos: foi interrompido o tratamento de pessoas que faziam uso de antirretrovirais algumas semanas depois da infecção.

Há sete anos, cinco das 32 pessoas que participaram da experiência estiveram em condições de não retomar o tratamento.

– A remissão é uma meta, ao invés de falarmos o tempo todo de erradicação – disse a virologista.

– O que o vírus no ensina é que há muitas coisas que não sabemos – disse por sua vez Maureen Goodenow, professor de patologia da Universidade da Flórida, mas como disse o professor Delfraissy, o campo de pesquisas “está aberto”.

Os participantes do simpósio decidiram reencontrar-se todos os anos para coordenar suas forças.

Leia mais
Comente

Hot no Donna