Claudia Tajes: A cidade do horror

Leo Dias e suas caveiras: o macabro é belo | Foto: divulgação
Leo Dias e suas caveiras: o macabro é belo | Foto: divulgação

Porto Alegre é a cidade do horror. Mas não, dessa vez a coluna não fala sobre a violência nas ruas, mesmo que ela continue feia.

O horror, hoje, vem junto com suspense, fantasia, ficção científica e humor – ainda que negro –, só que no cinema. É que, pelo décimo segundo ano, Porto Alegre realiza o Fantaspoa, o maior festival de cinema fantástico da América Latina. Um projeto que vingou pela insistência dos dois idealizadores, João Pedro Fleck e Nicolas Tonsho, os responsáveis pela direção-geral, produção executiva e, claro, por selecionar entre cabeças decepadas, mortos que voltam e alienígenas sedentos por carne humana, os filmes que serão exibidos por aqui.

Neste ano de vacas magras, o XII Fantaspoa estava se viabilizando com o apoio solitário da Prana Filmes, que vive trazendo mostras interessantes para a cidade. Quando o pessoal já nem esperava mais, a Petrobras e o Banrisul entraram como patrocinadores. Foi assim que o festival começou, muito apropriadamente, na última sexta-feira 13. E maior do que nunca, com 60 longas, 45 curtas e 40 sessões comentadas por convidados que incluem os diretores brasileiros e estrangeiros de vários dos filmes.

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Até dia 29 ainda dá para assistir a muitas estreias no Santander Cultural, no CineBancários e na Cinemateca Capitólio. Duas sugestões entre as tantas da semana que vem aí: no dia 28, Nina Para Sempre, sobre um triângulo amoroso formado por um casal e a jovem ex-namorada morta dele. E outro que parece irresistível para quem gosta de uma boa nojeira: Gordura, a saga de três rapazes que ficam amigos de um dos lendários vermes usados para fazer carne de hambúrguer. Este tem sessão comentada pelo diretor argentino Pablo Parés no dia 26. Programação completa em www.fantaspoa.com

O XII Fantaspoa também lançou o longa Mar Inquieto, do diretor e roteirista gaúcho Fernando Mantelli – em breve nos cinemas, para quem perdeu. As Sessões Petrobras trazem uma retrospectiva bem abrangente do cinema nacional. E as muitas festas, que já são famosas no calendário do festival, mostram que é possível ser macabro, mas sem perder a balada jamais.

Quem for ao CineBancários ainda pode visitar a exposição XIII, do artista Leo Dias de Los Muertos. Um escultor talentoso que tem por tema “a morte, o inferno, os demônios que nos consomem”, nas palavras dele mesmo. Melhor levar a água benta para garantir.

Também a Festipoa Literária, evento de literatura que traz não só atrações, mas discussões interessantes para a cidade, foi forte neste ano, com as presenças da poeta Alice Ruiz e da cartunista Laerte Coutinho, entre muitas outras. Prova de que a coisa está feia e vem se debruçando, como diz o sábio professor Luís Augusto Fischer. Mas nem por isso a gente vai se entregar.

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