Coleções masculinas ganham espaço no quinto dia de SPFW

Desfiles de Alexandre Herchcovitch e V.Rom buscaram inspiração em caçadores e vampiros

O destaque da coleção foram as estampas, como as de folhas
O destaque da coleção foram as estampas, como as de folhas Foto: Divulgação, Agência Fotosite

As coleções masculinas de Alexandre Herchcovitch e da V.Rom foram os destaques de sexta-feira na São Paulo Fashion Week, que termina neste sábado. Herchcovitch se inspirou em caçadores, pescadores e em acampamentos. Mas o estilista não fica no clichê e propõe peças coloridas e estampadas para as peças utilitárias urbanas, combinadas com itens tradicionais do tema: cáqui, redes de pesca, galochas. Vai ter muita mulher desejando várias peças da coleção.

A V.Rom se inspirou no filme “Fome de Viver”, de Tony Scott, com Catherine Deneuve, Susan Sarandon e David Bowie, que conta a história de uma vampira que se mantém jovem com o sangue de seus amantes. Pois foram esses amantes, espécies de gladiadores pela sobrevivência, que estiveram na passarela da V.Rom, nitidamente mais jovens no início do desfile e que gradualmente “envelheceram”. E a coleção certamente vai agradar homens de várias idades e estilos, especialmente por se valer de cores neutras (como branco, preto e azul marinho) em peças confortáveis.

A Neon veio ligeiramente reformulada, mais comercial, mas sem abandonar a tradição de um desfile levemente performático e cheio de sacadas. A referência no que os estilistas Dudu Bertolini e Rita Comparato chamaram de Bauhaus Tropical resume bem a coleção. As peças leves e fluídas, com cores fortes, do início do desfile rapidamente dão espaço a grafismos, seguidos das estampas bem ao estilo Neon. Até agora, um dos desfiles com mais cara de verão.

Na Ellus, chamou a atenção a combinação das cores cáqui e lima, que confere ares de safári urbano à coleção. Mas o desfile não decepciona o público tradicional da grife e apresenta uma série de brancos que misturam couro e paetês, com ares rock’n’roll. Nas padronagens, destaque para uma estampa discretamente tropicalista e um argyle (a padronagem de losangos, típica do inverno) em uma versão para o verão. O resultado é uma coleção que contempla as principais tendências da temporada, e que deve agradar as jovens, público da grife.

Fause Haten apostou desta vez em um desfile performático: a trilha sonora foi uma narração que citava “Clarice, que dorme” acompanhada do som de uma caixinha de música. As “Clarices” de Fause entraram na passarela com máscaras para dormir, guiadas por homens vestidos de preto. A relação entre a performance e a coleção estava nas peças amplas, que lembraram camisolões. O que mais chamou a atenção foram as delicadas peças de renda.

Andriana Degreas apresentou uma coleção extremamente elegante e sofisticada, inspirada no jeito chique de ser brasileiro. As estampas foram o grande destaque: havia reproduções de telas do artista holandês Albert Eckhout (que retratou os índios do Brasil), desenhos estilizados de plumas de araras e folhas. O momento de rebeldia de Adriana veio em maiôs e biquínis com a cava mais alta, quase anos 1980. A coleção foi feita para mulheres mais maduras, mas contempla peças com cara mais jovem.

Lino Villaventura encerrou a sexta-feira com uma coleção ora fluída, ora mais estruturada; ora de tons claros, ora de tons escuros. Por baixo, as modelos usavam leggings e blusas de um tule bem fininho com desenhos, que parecia desenhos tribais na pele. Destaque para as peças plissadas, mas ainda assim estruturada, coisa que só Lino Villaventura sabe fazer.

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