Comer, rezar, aprender e curtir

Realizadas em pequenos grupos, com interesses específicos, as viagens temáticas combinam diferentes paixões

Realizadas em pequenos grupos, com interesses específicos, as viagens temáticas combinam diferentes paixões
Realizadas em pequenos grupos, com interesses específicos, as viagens temáticas combinam diferentes paixões Foto: Arquivo pessoal

Phileas Fogg aposta com os membros de seu clube que dará a volta ao mundo em 80 dias além de vencer o desafio, ele acumula aventuras nos quatro cantos do planeta. Já o professor Lindenbrock busca no centro da Terra o que nenhum outro ser humano conhece, e vive aventuras inimagináveis onde o homem jamais pisou. Foi assim que o escritor francês Julio Verne moldou o conceito de viagem no século 19. Ou o viajante conhecia tudo, como em A Volta ao Mundo em 80 Dias, ou desbravava o desconhecido, como em Viagem ao Centro da Terra.

A facilidade de deslocar-se, proporcionada pelo aumento no poder aquisitivo das famílias, tratou de acrescentar uma modalidade àquelas imaginadas por Verne: busca-se, em lugares conhecidos, o que poucos viajantes são capazes de ver. Assim são as viagens temáticas, feitas em pequenos grupos com um objetivo específico. Viaja-se para comer, para rezar, para meditar, para observar arte, para caminhar e para qualquer outro objetivo particular, compartilhando com poucos convivas os prazeres da exclusividade.

Viagens temáticas têm uma mecânica semelhante, seja para onde forem: algum aficionado no tema tem a ideia, que é aprovada pelo grupo de amigos. Junto com um especialista, monta o roteiro dos sonhos. Depois da primeira edição, nem precisa divulgar. Outros interessados no mesmo assunto entram em contato e pronto. Já tem fila de espera.

Um dos primeiros a pensar as viagens temáticas foi Beto Conte, da STB Porto Alegre. Desde 1994, a agência organiza o Gran Tour de France, uma viagem em que os participantes têm em comum o gosto pela língua francesa. Acompanhados do professor de língua e cultura Alexandre Roche, os viajantes buscam as peculiaridades regionais do país e não abrem mão de falar o idioma.

– Antes de viajar as pessoas estudam uma bibliografia indicada pelo professor e visitam lugares significativos para o conhecimento da cultura e a prática da língua. A integração entre os participantes é tanta que eles se encontram a cada três meses em jantares em que o tema, claro, é o francês – revela Conte.

Para quem se comunica melhor na linguagem dos sabores, a viagem ideal é aquela em que um especialista no assunto guia o visitante por locais reconhecidos pela boa gastronomia, escolhe o restaurante e o cardápio e ainda recomenda o melhor vinho para harmonizar. Tudo isso é possível nas viagens guiadas pelo chef francês Philippe Remondeau, dono de um restaurante em Porto Alegre. Há cinco anos, ele resolveu mostrar os encantos da mesa de sua terra natal aos apaixonados pelas panelas. As viagens começaram na região da Provença, de onde Philippe é natural, e agora se concentram em Bordeaux.

– Não fazemos uma viagem em que só se come. O grupo visita os locais turísticos, mas sempre tem uma degustação, um almoço especial, uma visita aos mercados locais para compras de ingredientes, enfim, há sempre algo especial ligado à gastronomia – comenta Phillipe.

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