Como combater a obesidade em cães e gatos de estimação

Veja as dicas de especialista para ajudar seu mascote que engordou no inverno

Foto: Arivaldo Chaves

É comum as pessoas mudarem o comportamento alimentar durante o inverno, ingerindo alimentos mais calóricos e, muitas vezes, ganhando peso no período. Essa mudança normalmente é extrapolada para o universo pet, com maior oferta de alimentos, fazendo com que, rapidamente, os bichos de estimação engordem, com risco de tornarem-se obesos e entrarem para um time que inclui entre 25% e 40% dos cães e gatos em todo o mundo.

? Considera-se que o animal é obeso quando está 15% acima de seu peso ideal ? afirma a médica veterinária Keila Regina de Godoy, da PremieR Pet.

É ela quem esclarece, na entrevista abaixo, alguns dos principais aspectos da obesidade nos pets.

Quais as principais dicas para driblar o apetite aumentado dos bichos?
Keila Regina de Godoy ? Primeiro, vale lembrar que fome é diferente de apetite: a fome é fisiológica e é um alerta do organismo para a necessidade de ingestão de energia suficiente para a manutenção da vida. Apetite pode ser estimulado por alimentos altamente saborosos, independente da fome e necessidade. Para controlar esse apetite, é indicado não ceder a olhares, latidos ou miados insistentes à beira da mesa. Cada concessão reforça o comportamento indesejável e prejudicial, que nada mais é do que uma “chantagem” do bicho. Fracionar refeições em três ou quatro porções diárias, dividindo a quantidade e não aumentando, também ajuda, assim como estabelecer uma rotina de alimentação, com horários fixos. Oferecer brinquedos e passeios para o animal não encontrar na comida sua única fonte de distração e prazer e oferecer “petiscos” não calóricos e que suprem a necessidade e ansiedade do animal, tais como os ossinhos de couro, costumam ser boas medidas.

É verdade que um bom recurso é dar frutas nos intervalos das refeições?
Keila Regina de Godoy ? A livre ingestão de frutas pelos pets não é um consenso entre os nutricionistas. Deve-se ter cuidado, pois frutas também têm calorias e, em quantidades inadequadas, podem desequilibrar a alimentação, promover amolecimento das fezes e aumento de peso. Alimentos considerados saudáveis e naturais não necessariamente são menos calóricos. Outro ponto importante é que frutas cítricas não são apropriadas para os pets.

Como agir quando o bicho fica pedindo comida fora de hora? Muitas pessoas ficam com pena e acabam oferecendo algo, como um petisco.
Keila Regina de Godoy  Esta é a típica pergunta que todo proprietário já se fez algum dia. “Eu alimento bem meu pet e até sirvo mais do que está escrito na embalagem da ração. Então, por que ele continua com essa cara de morto de fome?”. No caso dos cães, ao que parece, a resposta está em sua própria origem. Como sabemos, o cachorro descende do lobo, e os lobos caçam para obter seu alimento, assim como os cães selvagens. Mas nem sempre as caçadas do lobo são bem-sucedidas e, em geral, ele pode passar quatro ou cinco dias sem comer até que capture uma presa para saciar sua fome. Este mesmo instinto de sobrevivência está presente nos cães domésticos. É como se uma voz em seu interior falasse: “Trate de comer o máximo possível porque amanhã não sabemos se haverá comida”. É muito importante lembrar que toda essa chantagem do animal obedece a um instinto. Ele tem permitido a sobrevivência da espécie por milhares de anos, mas não significa que o animal esteja mal alimentado. Outro ponto a ressaltar é que o cão é neofílico, ou seja, gosta de novidades. Assim, as experiências sensoriais com alimentos diversos são gratificantes para ele, que aprecia principalmente alimentos adocicados e gordurosos. Estes ele consome mesmo sem fome.

Trocar o alimento pela versão light e aumentar a quantidade é correto?
Keila Regina de Godoy ? Se o animal é guloso e está com tendência ao ganho de peso (considerando menos espaço para se exercitar, castração, excesso de petiscos) pode-se sim trocar a alimentação para a versão light. Isto porque se apenas houver a redução da quantidade de um alimento convencional o animal bem possivelmente passará fome, já que a sensação de saciedade está também ligada à plenitude gástrica, ou seja, o estômago precisa estar “cheio” para o animal se sentir satisfeito. Como os alimentos light já são balanceados para, em uma mesma quantidade de alimento, oferecer menos calorias que os convencionais e são ricos em fibras (que também ajudam a controlar o apetite), o animal não passa fome e fica bem nutrido. Então, não é porque o alimento é light que se pode aumentar a quantidade. É importante seguir a recomendação da embalagem e do veterinário.

Como realizar a correta alimentação do bicho de estimação, de modo a prevenir a obesidade?
Keila Regina de Godoy – Com disciplina e alguns cuidados simples:
:: Não deixe o alimento por mais de 15 minutos a cada refeição. Se o animal não comer, retire a vasilha.
:: Mantenha o animal fora da área de preparação dos alimentos e não permita que ele presencie a refeição dos humanos.
:: Nas embalagens dos alimentos comerciais existe a quantidade diária recomendada de alimento de acordo com o porte e idade. Siga as recomendações e preste atenção se será preciso algum ajuste (aumento ou redução da quantidade) em função do nível de atividade física e condição corporal (magro, peso ideal ou com excesso de peso).
:: Caso as informações sobre calorias não estejam contidas na embalagem do alimento comercial fornecido ao animal solicitar ao fabricante, através dos serviços de atendimento ao consumidor.
:: É importante conhecer as calorias dos petiscos ofertados a fim de deduzi-las da oferta diária, evitando os excessos. Uma bolacha doce recheada de 70 calorias, por exemplo, representa apenas 4% do total de calorias diárias necessárias para o ser humano. No entanto, esta mesma bolacha representa 23% das necessidades calóricas totais diárias para um cãozinho de 5kg.
:: Ofereça carinho e atenção como forma de recompensa por um comportamento desejável, ao invés de comida.
:: Jamais ofereça os restos da alimentação humana ao animal.
:: Eduque as crianças para que não compartilhem alimentos com o animal. Do mesmo modo, eduque o animal para que ele não roube comida das mãos das crianças.
:: Coloque trincos nos armários baixos ou coloque os alimentos em lugares inacessíveis para o animal, principalmente as embalagens com alimentos comerciais.
:: No caso de pets diagnosticados como obesos, instituir rapidamente uma terapia integrada de redução calórica com ingestão de alimentos apropriados (versões light), com uma rotina de atividade física e ausência de petiscos.

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