Como dialogar com os jovens da Geração Z

Evento vinculado ao Fronteiras do Pensamento discute como chamar atenção de público que nasceu sob domínio da internet

Geração Z: o "z" é derivado de "zapear"
Geração Z: o "z" é derivado de "zapear" Foto: Stock Photos, Divulgação

Nativos digitais, eles nasceram sob o signo da internet, foram chamados de geração Z — de zapear — e se acostumaram, desde que clicaram pela primeira vez no mouse, a abrir janelas virtuais para entender o mundo. Pois é abrindo janelas e usando a linguagem da rede de computadores que os palestrantes do primeiro encontro educacional do projeto Fronteiras do Pensamento pretendem fisgar a atenção de 1,3 mil estudantes com idades entre 12 e 18 anos em Porto Alegre.

Batizado de Fronteiras Educação — Diálogos com a Geração Z, o evento trata de cultura, religião e liberdade de um jeito diferente, adaptado à realidade do público infantojuvenil. Diferentemente do que costuma ocorrer em palestras tradicionais, os espectadores não apenas serão convidados a deixar de lado a passividade, como serão poupados de falas longas e enfadonhas.

Google será usado para tentar cativar a plateia

O fascículo trará inclusive os avatares — espécie de caricatura — de alguns dos principais intelectuais escalados para a edição 2010 do Fronteiras do Pensamento, entre eles o filósofo Terry Eagleton e o sociólogo Slavoj Zizek.

— Sabemos que o diálogo com a geração Z só vai funcionar se conseguirmos entrar no mundo dos estudantes — avisa o consultor educacional do evento e professor do Departamento de História da UFRGS, Francisco Marshall.

A ideia é seguir um script o menos convencional possível. A doutora em Literatura Comparada Joana Bosak terá o desafio de introduzir um assunto denso de forma leve: falará de Jesus Cristo enquanto sujeito histórico, fazendo referências à obra de Eagleton. Para tornar o tema atraente, ela dará início à conversa perguntando se alguém na plateia sabe quantos links aparecem no Google quando se digita o nome do filho de Maria.

— Vou usar telão, projetar imagens da internet, de sites e blogs, e fazer algo bem dinâmico. Os jargões acadêmicos ficarão do lado de fora. Não quero forçar a barra – afirma Joana.

Como a historiadora, o escritor Donaldo Schüler aposta no bate-papo para conquistar os alunos, matriculados em escolas públicas e privadas gaúchas.

Professor emérito da UFRGS, ele planeja resumir sua fala a três pequenas e curiosas histórias e, a partir delas, provocar com o público uma discussão do que é religião. Uma das histórias será baseada em um episódio do livro O Pequeno Príncipe, clássico infantil. A outra, em uma parábola do Novo Testamento. Chato? Para Schüler, depende de quem conta. E de como conta.

– Se não houver comunicação, a falha será minha. O segredo é não subestimar os adolescentes, não bestificá-los, como fazem muitos adultos – avalia o professor.

Senso de humor para seduzir os estudantes

Esse tipo de preocupação será o fio condutor da mediação do debate, que ficará a cargo do escritor e poeta Fabrício Carpinejar. Caberá a ele sacudir os palestrantes sempre que perceber bocejos nas poltronas do auditório e mudar os rumos da conversa quando necessário.

Figura conhecida no Twitter, Carpinejar também será responsável por “abrir janelas” de pensamento durante o debate, como se clicasse em uma página da web para expandir determinados temas, e dar voz aos estudantes sempre que quiserem falar. Todos terão chance.

— Vou usar de senso de humor e de provocações. Minha função será ouvir a plateia e puxar assunto. Espero que dê certo — diz Carpinejar, que é pai de um menino de oito anos e de uma adolescente de 16.

O encontro de hoje será o primeiro de um total de cinco que serão organizados com foco na geração Z. O próximo encontro, marcado para o dia 24 de agosto, terá como tema o ambientalismo. E deverá seguir a mesma fórmula.

Com inscrições gratuitas, o evento Fronteiras Educação — Diálogos com a Geração Z é patrocinado pela Refinaria Alberto Pasqualini (Refap) e conta com o apoio cultural da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (URGS) e da prefeitura de Porto Alegre.

Como dialogar
– Jamais subestime os adolescentes
– Evite imitar a forma de falar e as gírias da gurizada para não parecer ridículo
– Abuse de recursos audiovisuais, como projeções de imagens, vídeos e músicas
– Evite falar sozinho, sem parar, por mais de 30 minutos seguidos
– Estimule a interatividade e “abra janelas”, como na internet
– Lembre-se de que os adolescentes aprendem tudo ao mesmo tempo
– Seja um mediador: ajude-os a selecionar as informações
– Atualize-se: não seja um analfabeto digital
– Use a internet a seu favor: selecione sites e blogs para indicar aos adolescentes, aprenda a usar o Twitter e troque mensagens

A geração Z

Vem de “zapear”. Trata-se de uma geração formada por “nativos digitais”, que já nasceram em um mundo marcado pela internet, principalmente a partir da segunda metade dos anos 90. Não imaginam a vida sem computador, chats, sites de relacionamento, ipods ou telefones celulares.

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