Como escolher um mascote para seu filho pequeno

Família deve avaliar o espaço e a disponibilidade que tem para receber o animal

Bichos estimulam a socialização e ajudam no desenvolvimento da afetividade
Bichos estimulam a socialização e ajudam no desenvolvimento da afetividade Foto: Jefferson Bottega

Eles são pequenos e fofos. Abrem os olhos para descobrir o mundo e fazem de tudo para se acomodar no colo de alguém. Filhotes são assim: frágeis e carentes de atenção.

Para quem tem um bebê em casa, a chegada de um mascote pode revolucionar a rotina. Companheiros fiéis, os cães podem, desde cedo, transformar-se em alvo de brincadeiras e diversão na vida das crianças. Entretanto, é preciso cuidado e muita reflexão para saber se a família está apta para receber o hóspede de quatro patas.

– O ideal é que, antes de adquirir um animal de estimação, os pais se informem sobre quais são as características da raça, buscando auxílio na literatura especializada, conversando com criadores, médicos veterinários, treinadores e pedindo a opinião de outros proprietários – sugere o médico veterinário João Antonio Pigatto, professor da Faculdade de Veterinária da UFRGS.

Na hora da escolha, é preciso avaliar quanto a família pode investir, o que evitará um possível abandono do animal, porque o animal, inevitavelmente, trará gastos como alimentação, higiene e vacinas. Além disso, por mais que as crianças desejem a companhia canina, os adultos serão os responsáveis pelos cuidados.

– São escolhas emocionais que, se mal sucedidas, terão consequências negativas. O bicho deve ser a companhia certa na hora certa, pois será parte da família – avalia a médica veterinária Ceres Berger Faraco, clínica de comportamento animal e doutora em psicologia.

Dentro de casa, os animais não são apenas um atrativo. Estimulam também a socialização e ajudam no desenvolvimento da afetividade. No caso de crianças hiperativas, podem apurar características como responsabilidade e organização.

Para a relação entre cão e família dar certo, Pigatto afirma que é necessário se certificar do temperamento do animal. O ideal são raças com características mais dóceis e que não são agressivas.

– O indicado são cães que gostam de interagir e que tenham disposição para atividades físicas, como, por exemplo, o boxer e o labrador. Eles têm um bom limiar de paciência e são extremamente fiéis aos donos – diz o veterinário.

Para quem opta por aqueles de porte miniatura, é preciso ficar atento ao corpo frágil dos animais, que podem se machucar durante a tentativa de interação das crianças. No caso dos mascotes grandes, a vigilância é para que eles não derrubem os pequenos e estraguem a festa que é ter um bicho de estimação.

Agradecimento ao Canil Wild Legend´s Labrador´s (www.meudog.net) por emprestar os filhotes para a produção fotográfica.

:: Confira os bastidores da produção da foto:

Pais devem ensinar aos filhos que os mascotes são frágeis e não podem ser considerados brinquedos

Desde o nascimento, as crianças podem ter um cão de estimação. Mas só o tempo mostrará a elas que o animal não é um brinquedo. Os pequenos devem ser ensinados a não machucar o bicho nas brincadeiras e precisam, principalmente, ter noção de que os animais têm limitações, explica o médico veterinário João Antonio Pigatto, professor da Faculdade de Veterinária da UFRGS.

– É preciso respeitar os momentos em que o cão não está disposto a brincar. Crianças a partir de cinco ou seis anos estão mais aptas para cuidar de um cão, mas devem ser lembradas e orientadas que o animal não é um mero brinquedo e que deverá ser cuidado e tratado diariamente – alerta o veterinário.

A idade e o sexo do animal também fazem diferença. Para quem compra um filhote, o ideal é fazer um treinamento desde cedo. É possível que ele chore nos primeiros dias, mas, aos poucos, será ensinado e socializado. Os animais adultos podem ter hábitos difíceis de corrigir, mas suportam com mais facilidade a ausência de algum membro da família

– Os pais também devem estar informados de que os machos tendem a ser mais agressivos e ativos. As fêmeas costumam ser mais tranquilas – afirma a médica veterinária Ceres Berger Faraco, clínica de comportamento animal e doutora em Psicologia.

Selecionamos algumas dicas que poderão facilitar a compra e o relacionamento das crianças com o bicho de estimação.

:: Antes mesmo que ocorra o contato do cão com a criança, os pais devem se certificar do temperamento do animal para evitar que ocorra algum acidente. É preciso também estar atento ao estado de saúde do animal, se assegurar que ele é saudável, com as vacinas em dia, desverminado e livre de qualquer doença que possa ser transmitida à criança, como pulgas, sarnas e fungos, alerta Pigatto.

Raças indicadas

O porte e a raça do cão vão depender, principalmente, do espaço onde a família mora.

Para quem vive em apartamento, o ideal são cães miniaturas e de pequeno porte, de temperamento mais calmo e que não necessitam de grandes períodos de atividades físicas diárias. São indicados poodle, schnauzer, lhasa apso, shih-tzu e maltês.

– Além de dados sobre o temperamento esperado de cada raça, é importante avaliar se a criança não tem alguma alergia – lembra a veterinária Ceres.

Morar em casa facilita a convivência com cães maiores. Como exemplos de raças de médio porte, mas que não servem para guardar o pátio, o veterinário Pigatto cita o labrador e o golden retriever. Para quem deseja ter um cão com aptidão para guarda, pode optar pelo pastor alemão, rottweiler, fila brasileiro e dogue alemão.

– Os labradores, por exemplo, são carinhosos e tolerantes, mas devem ser ensinados a não pular. No princípio, o convívio de uma criança com um filhote deve ser supervisionado porque ambos são imaturos e podem se machucar. Como uma criança, os labradores necessitam de contato frequente com os donos e de pulso firme durante a primeira infância – explica Marcus Vinícius Vargas de Almeida, do Canil Wild Legend’s Labrador’s.

Higiene é fundamental

:: Faça um controle das vacinas e das verminoses do bichinho de estimação.

:: Mantenha o animal limpo, dando banhos periódicos e verificando a existência de pulgas ou sarna.

:: Caso o animal pegue a chupeta ou os brinquedos do seu filho, limpe-os bem antes de devolvê-los à criança.

:: Evite que os animais evacuem perto das crianças.

:: Se o mascote sobe ou dorme na cama da família, lave lençóis e pijamas com maior frequência.

:: Excesso de limpeza não é garantia de saúde para a criança. Portanto, relaxe.

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