Como levar com tranquilidade a primeira gestação

Conheça os exercícios indicados, os exames essenciais e até o enxoval necessário

Marcia Speguen de Quadros Piccoli, 29 anos, planejou a gravidez com antecedência
Marcia Speguen de Quadros Piccoli, 29 anos, planejou a gravidez com antecedência Foto: Roni Rigon

Nos Estados Unidos, as avós têm sido substituídas por um profissional cuja missão é preparar a chegada do primeiro filho. Chama-se baby planner ou planejador pessoal para a gravidez. É um consultor que cuida de todos os pormenores da gestação, auxiliando na escolha do hospital e do tipo de parto, por exemplo. Ele também se ocupa da imagem e beleza da mãe, assessora a compra do enxoval para o bebê e indica os melhores livros sobre gestantes.

A ideia é evitar perda de tempo ou despesas desnecessárias. O conceito tem dado certo. São mais de 20 empresas inscritas na associação norte-americana de consultores para gravidez, que cobram cerca de US$ 100 (R$ 250, em média) a hora.

Como o serviço ainda não está difundido no Brasil, apresentamos aqui um resumo do que indicam médicos, nutricionistas e educadores físicos para as futuras mães passarem pela gestação com segurança e tranquilidade – ou, ao menos, com o mínimo de apuros possível.

As orientações, é claro, não substituem a consulta aos profissionais de sua confiança.

Tudo começa com a escolha do médico

A primeira visita ao obstetra deveria ser marcada durante o planejamento da gravidez. Em caso de surpresa, marque a consulta inicial logo que tiver a confirmação, para dar início aos exames. Em geral, a escolha do médico depende de dois fatores: referências e empatia.

É preciso estabelecer um vínculo de confiança com o profissional e medir a disponibilidade dele para acompanhar a gestação. Caso perceba alguma disparidade grande de pensamento, o ideal é procurar outro médico o mais rápido possível. Adiar a mudança para o fim da gestação é arriscar-se diante de profissionais que desconhecem o andamento da sua gravidez.

O acompanhamento pré-natal é indispensável para manter uma gestação saudável. Quando o bebê é programado, o médico pode assegurar alguns quesitos básicos, em geral, três meses antes: fazer um histórico de doenças que possam interferir na gestação, propor imunizações, controlar o peso e repor vitaminas e minerais.

O uso de drogas, cigarro e bebidas deve ser suspenso o quanto antes. O mesmo vale para os medicamentos: todos devem passar pelo crivo do obstetra. Peça, já nas primeiras consultas, uma lista daqueles que poderão ser usados em caso de emergência.

A periodicidade das consultas é intensificada à medida que a gravidez avança: até o sétimo mês, basta uma por mês. No oitavo, devem ser encontros quinzenais. No último mês, o ideal é fazer uma consulta por semana até o nascimento. Para evitar o esquecimento, faça um caderninho de dúvidas, que deverão ser sanadas a cada consulta. Os exames também são divididos de acordo com a idade gestacional.

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Antecedência na compra do enxoval

Para não correr riscos com possíveis prazos de entrega de peças feitas sob medida, o enxoval do bebê deve ser comprado com antecedência. Muitas mulheres preferem confirmar o sexo do filho para definir as cores.

Tão logo a decisão de cor seja tomada, no entanto, é bom começar a procurar as peças. Caso escolha fazer um enxoval personalizado, o tempo de espera pela encomenda é de até 30 dias.

As compras de roupas e acessórios podem ser feitas ao longo do segundo trimestre. Nesse período, a grávida está mais disposta, não enjoa nem fica tão cansada de ficar em pé. Procurar roupas de bebê em tamanhos até seis meses evitará que a mãe tenha que sair às compras com um recém-nascido.

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Não coma por dois

É importante a gestante lembrar que não deve comer por dois. A necessidade de calorias de uma grávida é de 15% a 20% maior. As grávidas devem ficar longe de grandes quantidades de café, de álcool e de cigarros. Eles interferem no desenvolvimento do feto, causando perda de peso e malformação do sistema nervoso. Outro produto que só pode ser consumido sob orientação médica são os adoçantes artificiais. A nutricionista Raquel Adjafre, especialista em alimentação de gestantes e bebês, aconselha começar os cuidados antes da concepção:

– É melhor iniciar a ingestão de ácido fólico, muito importante na formação do tubo neural, um mês antes da concepção e até oito semanas depois.

Segundo ela, a suplementação com vitaminas A, B e C, além de ferro é recomendada para toda grávida a partir do terceiro trimestre. Outra regra é beber mais água.

:: Ganho de peso em cada fase da gestação

Parto e Hospital

Entre os profissionais de saúde, o consenso é de que o parto normal é o mais recomendado para a mãe e o bebê. No entanto, a informação é a melhor diretriz para a escolha. Avalie os prós e os contras das opções. O melhor a fazer é manter um diálogo franco com o obstetra, que poderá avaliar as condições de gestação e apontar o melhor método. Não é preciso ser refém do médico, mas também é preciso reconhecer que ele é o profissional habilitado para saber o que melhor se aplica ao seu caso.

Hospitais oferecem visitas guiadas para mães. Faça questão de visitar todos os departamentos que podem ser usados por você e pelo bebê, e não só a sala de parto e o quarto.

Dicas

Dispense esfregações, fórmulas caseiras ou farmacológicas para preparar a mama. Banhos de sol são a recomendação médica ideal para fortalecer os mamilos. De acordo com o obstetra Frederico Coelho, basta expor a mama ao sol ameno durante 20 minutos diários.

Exercícios garantem energia para nove meses

Exercícios físicos são essenciais durante a gestação. Eles fortalecem a musculatura, que será muito exigida durante a gravidez e o parto. A atividade também melhora alguns sintomas desagradáveis, como inchaços. Manter-se ativa durante a gravidez ajudará ainda na perda de peso no pós-parto.

O primeiro passo, no entanto, é perguntar ao obstetra sobre a possibilidade de se exercitar. Em alguns casos, como quem sofre de hipertensão ou diabetes, cuidados especiais são necessários. Geralmente, a mulher é liberada para fazer uma atividade física a partir do terceiro mês. Para as praticantes assíduas de esporte ou atletas, esse prazo pode ser mais curto.

Para um programa adequado às necessidades e aos limites de cada gestante, sugere-se procurar um especialista na área. Mesmo as sedentárias podem começar a se exercitar durante a gravidez.

– O ideal é que ela se preparasse fisicamente para ficar grávida – explica a educadora física especialista em gestação e pós-parto Daniela Rico.

Seja qual for a atividade, a gestante deve ter orientação. Ela não pode ficar ofegante, cansada, ruborizada ou suar demais. O cuidado na gestação deve ser ainda maior por causa do hormônio relaxina. Responsável por relaxar articulações e ligamentos, ele pode mascarar lesões.

– Ideal: ginástica e hidroginástica especiais para gestantes, alongamentos específicos, natação leve ou moderada

– Aconselhável: musculação sob orientação de profissional especializado, caminhadas antes das 10h e depois das 16h e uso leve de bicicleta ergométrica

Evite: esportes em grupo ou qualquer atividade de impacto

Auxílio para a cabeça da mãe

Planejada ou não, a gravidez é um profundo período de mudanças para as mães, especialmente para as de primeira viagem. Se possível, inicie um acompanhamento psicológico desde o primeiro semestre. Em geral, essa fase é marcada pela aceitação da novidade, como lembra a psicóloga, doula e educadora perinatal Clarissa Kahn. Segundo ela, o período é de grande ansiedade, pois a gravidez só se manifesta em sinais desconfortáveis, como enjoos e sono excessivo. Além disso, é interessante rever relações familiares e com o pai da criança.

– Junto com o bebê, nasce uma mãe. Se bem trabalhadas, as incertezas da fase não vão se transformar em problemas no pós-parto – explica.

Terapias em grupo podem ser uma boa alternativa, por estimularem a troca de experiências e por apontarem problemas comuns às gestantes.

Vaidade faz parte

Rosto
– Durante a gestação, é comum o surgimento de cloasmas, manchas escuras acastanhadas que, geralmente, surgem na testa, bochechas e buço a partir do segundo trimestre. Para evitá-las, proteja-se com filtro solar, fator mínimo 15. Nada de pensar em tratá-las com ácido retinoico, usado normalmente para clarear a pele: ele deve ser evitado durante toda a gestação. Também convém usar chapéus ou viseiras e evitar longos períodos de exposição. Há ainda uma disposição maior para cravos, poros dilatados e espinhas, que podem ser minimizados com uma limpeza diária da pele com soluções adstringentes.

Corpo
– Estrias são campeãs de reclamação entre grávidas e mães. A melhor forma de prevenção é o controle de peso: as ranhuras surgem em consequência da falta de elasticidade da pele. Mantenha hidratação e lubrificação contínuas, com hidratantes potentes (à base de ureia, silicones, colágeno, vitamina E, extrato de semente de uva ou amêndoas, entre outros). A retenção natural de líquidos da fase também favorece o surgimento ou aumento das celulites. Em geral, elas tendem a ficar menos aparentes após o parto.

Bronzeamento artificial
– Os feitos com câmaras de luz ultravioleta são proibidos. Ficam liberados os autobronzeadores em cremes e sprays, desde que aprovados pelo obstetra.

Depilação
– Podem continuar normalmente. Só evite o uso de cera no rosto, por favorecer manchas escuras.

Cabelos
– Quanto às tinturas, podem ser usados ou mantidos a partir do segundo trimestre os produtos dermatologicamente testados e aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Na dúvida, leve a embalagem para avaliação do obstetra: ele saberá identificar substâncias que possam, eventualmente, oferecer algum risco ao feto.
Alisamentos, permanentes, escovas progressivas devem ser adiados, principalmente porque o forte cheiro pode estimular náuseas e por exigirem tempo maior para aplicação. Procedimentos não testados por órgãos responsáveis devem ser descartados, assim como os que não foram experimentados antes da gravidez, para evitar alergias.

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