Como os pais podem lidar com a chegada de um novo filho

Ciúme e ansiedade por parte do irmão mais velho é natural

Depois de resistir à gravidez da mãe, Pablo, oito anos, é o guardião do caçula, Francisco
Depois de resistir à gravidez da mãe, Pablo, oito anos, é o guardião do caçula, Francisco Foto: Adriana Franciosi

Um corre atrás do outro. Eles rolam pelo chão, assistem à TV juntos e, às vezes, parecem ter a mesma idade. Os irmãos Pablo Fischer Costa, oito anos, e Francisco Fischer Coroberk se encontraram pela primeira vez há um ano, no dia do nascimento do caçula. No início, o mais velho olhava para o pequeno com receio. Hoje, são amigos quase inseparáveis, e a afinidade entre eles é cada vez maior.

– Havia um pouco de ciúmes e, durante a gravidez, Pablo queria sempre dormir comigo – lembra a mãe, a gestora de programas Graziela Martins Fischer.

Quando um irmão surge, é natural as crianças se sentirem ansiosas, pois a chegada de outro bebê é um momento desconhecido para toda a família. Além disso, o irmão mais velho precisa aprender a dividir a atenção dos pais, o tempo, o espaço da casa, seus objetos e brinquedos.

– É natural voltar a fazer xixi na cama, ficar mais agressivo, não querer se afastar dos pais, falar como bebê, querer usar novamente a mamadeira ou a chupeta. Os pais devem ser tolerantes porque tudo é transitório – explica a psicóloga Caroline Rubin Rossato Pereira, pesquisadora do Estudo Longitudinal sobre o Impacto do Nascimento do Segundo Filho na Dinâmica Familiar e no Desenvolvimento Emocional do Primogênito.

Na gravidez da mãe, Pablo chorava à noite, dizia que não queria perdê-la e teve alguns problemas na escola. Mas quando o irmão nasceu, assumiu o papel de protetor, principalmente porque viveu de perto a angústia de ver o pequeno nascer prematuro.

– Ele ficou com medo de o irmão não voltar para casa. Rezava e propôs ajudar o bebê – conta Graziela.

O segredo para a mudança de comportamento foi simples. O amor entre os dois foi florescendo, pois os adultos mostraram que o primogênito não estava sendo substituído. Para Annette Sheldon, especialista em educação escolar e autora do livro Agora Sou o Irmão Mais Velho (Editora Artmed, 36 páginas), o importante é mostrar que cada criança foi feita com amor e que os pais nunca deixarão de gostar de um filho. Assim, além de irmãos, as crianças se transformam em companheiras e amigas. Como Pablo e o pequeno Francisco.

Faça o exercício

Quando o primogênito ficar inseguro ou resistente à ideia de que terá um irmão, aproveite a dica de Annette Sheldon, especialista em educação escolar e autora do livro Agora Sou o Irmão Mais Velho, de fazer uma brincadeira com a criança.

Para ela, a melhor explicação é dizer que as crianças nascem porque os pais amam um ao outro e que ela nunca será substituída por outra. Se a criança duvidar, faça uma brincadeira com três velas para responder às dúvidas.

Acenda a primeira delas e diga que a chama simboliza o amor do pai e da mãe. Depois, acenda a segunda e diga “Este foguinho é o amor que você trouxe quando nasceu. Você percebe como é forte?”.

Usando a outra vela, mostre que, ao acendê-la, todas as velas permanecem com a mesma chama. Logo, o irmão mais velho vai entender que o amor entre todas as pessoas da casa é igual.

Nada melhor do que ter irmãos

Quando o bebê nasce, ele depara com um mundo que já está ocupado por outras pessoas. Se ele é filho de uma mãe solteira, que mora sozinha em um apartamento, se sentirá inserido em uma pequena comunidade formada por ele e sua solitária genitora. Se vem de uma família maior, compreenderá, aos poucos, o papel da mãe, do pai, dos tios e dos irmãos.

Nos tempos modernos, a extensa família sofreu um rápido declínio, com a diminuição dos grupos familiares e o distanciamento dos parentes. Para o novo bebê, essas mudanças sociais podem ter impacto radical.

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