Como saber quando dar um telefone para o seu filho

Maturidade e rotina devem nortear a decisão, diz psicoterapeuta

Foto: Stock Images

Cada vez mais precocemente, crianças estão entrando no mundo adulto da comunicação e adquirindo seus próprios aparatos tecnológicos. Um dos que mais se destacam é o telefone celular.

Kelly Hertel, 32 anos, mãe de Gabriel, sete anos, acredita que as crianças acabam se aproximando naturalmente destes objetos, que são parte do dia a dia de todos. Ela conta que Gabriel tem celular desde os cinco anos.

– É um modelo antigo. Mas ele sabe baixar aplicativos e mexer também em aparelhos mais modernos – comenta.

Kelly explica que, além de estar presente no dia a dia do filho, o aparelho a ajuda a contatar Gabriel e o irmãozinho Rafael, de três anos, quando eles não estão por perto.

– Eu costumava ser contra, achava um absurdo criança ter celular, mas hoje, que sou mãe, enxergo a importância. Trata-se de uma forma mais rápida de falar com eles – afirma.

Facilidade na comunicação também foi o principal argumento adotado por Michele Oliveira, 31 anos, ao dar um celular para a filha Isabella, de oito anos, há dois anos. Ela diz que o aparelho é um benefício para ambas, pois facilita o contato:

– É útil quando ela está na casa de uma amiguinha e quero saber se está tudo bem, ou se me atraso para buscá-la na escola, por exemplo. E às vezes é ela quem liga para me lembrar dos compromissos.

Já Benoni Schuvartz, 46 anos, tem uma opinião diferente, embora tenha comprado o celular da filha Giulia, de oito anos, por um motivo semelhante. O presente veio após a separação dos pais da menina, no ano passado.

– Queria que ela me encontrasse sempre que quisesse – justifica o pai.

O momento certo

Para a psicoterapeuta infantil Mareni Fogaça, não há uma faixa etária padrão para o primeiro telefone móvel. Ela explica que a decisão deve ser tomada tendo como base a maturidade e a rotina de cada criança. Concorda, porém, que a idade escolar pode ser um bom momento:

– Há crianças, por exemplo, que saem de casa às 8h e retornam somente à noite. Nestes casos, os pais querem ter um controle, e o aparelho acaba ajudando.

Gabriel, Isabella e Giulia são alunos do 2º ano no Colégio Monteiro Lobato, em Porto Alegre. Lá, as regras para o uso do celular são rígidas, e, em função das inevitáveis distrações, os pequenos não podem utilizá-lo durante o período de aula, quando o aparelho fica desligado. Depois que o sino toca, porém, os três estão liberados.

O principal ponto a ser discutido na família e na escola, observa a psicoterapeuta, é a função que este aparelho vai desempenhar na vida da criança. Ela ressalta que o telefone surgiu originalmente como uma forma de facilitar o contato entre as pessoas, mas a gama de novas funções que vêm sendo atribuídas a ele, por vezes, faz com que os jovens percam o foco. Assim, ao invés de usá-los unicamente como uma forma de se comunicar com outra pessoa, elas acabam se distraindo com as inúmeras opções de entretenimento e até competindo com outros colegas.

– O segredo é estimular na dose certa, fazendo o uso correto e, principalmente, respeitando horários e locais – sugere Mareni.

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