Comportamento de Renata no BBB gera debate sobre ficar com muitas pessoas

Renata bateu o recorde no Big Brother ao se envolver com três colegas de confinamento

O ex de Renata diz que a mineira é ninfomaníaca
O ex de Renata diz que a mineira é ninfomaníaca Foto: Frederico Rozário

A passagem de Renata no Big Brother Brasil é histórica. Em 12 anos de BBB, jamais um participante homem ou mulher ficou com três colegas na casa. A loirinha pegou Jonas, na primeira festa, após quatro dias do início do programa. Depois deu amassos em Ronaldo sob o edredom, voltou a ficar com Jonas e, em seguida, se atracou com Rafa, o que rendeu cenas quentes. Tudo isso em 50 dias de confinamento, num ambiente com 16 pessoas oito homens e oito mulheres.

A atitude da mineira de 21 anos, estudante de psicologia, repercutiu nas redes sociais. O apelido de Renata Surfistinha, um trocadilho com o nome de guerra da ex-garota de programa Bruna Surfistinha, alcançou os trends topics do Twitter. Logo vieram as piadinhas criativas: “ela já pode pedir música no Fantástico”, brincou um ex-BBB.

A sexualidade feminina exposta sem pudores num programa de televisão mexeu com brios sociais – mesmo 40 anos depois do movimento feminista afirmar “nosso corpo nos pertence”. Mas, por incrível que pareça, a repercussão está equilibrada. Se há julgamentos negativos, que incorporaram o sobrenome Surfistinha e apontam sua postura como motivo para a saída do programa na última terça-feira, também há entendimentos bem menos incomodados, a começar pela própria análise da eliminação.

Renata não teve o alto índice de rejeição de seus parceiros de jogo Rafa (eliminado com 92% dos votos) e Laisa (88%). Saiu com 66%. O Donna criou um mural na internet com a pergunta: “Renata merece ser criticada por ter ficado com três colegas de confinamento?” A maioria das respostas diz que não, porque “meninas ficam com três rapazes numa balada na maior naturalidade”.

Educadora sexual, professora da Udesc e autora dos livros Mitos e Tabus da Sexualidade Humana e Educação Sexual na Sala de Aula, Jimena Furlani faz uma ponderação:

– Não é adequado dizer que “este é um comportamento normal” das mulheres de hoje e, sim, um comportamento considerado possível para as mulheres (que assim o desejam). Hoje há muitos modos de “ser mulher” e de “ser homem”. A atitude dela pode ser vista como um direito de escolha e de estilo de vida.

O “nosso corpo nos pertence” dos anos 1970 foi o start para o comportamento contemporâneo da mulher. Dentro do escopo proposto pelas feministas estava a aceitação do prazer pelo sexo contra a subordinação de que se tratava apenas de uma atividade de perpetuação da espécie. Muitos sutiãs queimados depois, surgem – com volume e regularidade consistentes – as Renatas, meninas que transam, sem amor, para satisfazer seu apetite sexual. E, sejamos honestos, os homens já fazem isso há bem mais tempo. Mas a pergunta é: queremos nos igualar a eles? Ou o exercício da sexualidade com a prerrogativa do envolvimento nos leva a lençóis infinitamente mais sedosos?

Às românticas, um balde de água fria de Maria Helena Vilela, educadora sexual do Instituto Kaplan, ONG que atua na área de sexualidade:

– O problema é que venderam o sexo às mulheres como uma especiaria, feita com alguém muito especial – um princípio que vem do cristianismo para se manter os casamentos. E isso não é verdade, sexo é como comer, ou melhor, como sentir fome – uma necessidade básica que não é única dos homens. O que essa menina fez foi dar vazão ao seu desejo sexual e não a sua afetividade, afinal, ela não gosta de nenhum deles, ela teve tesão por eles e deixou rolar.

Renata seria, então, uma libertária? O ex-namorado, Filipe Soldati, assina embaixo na definição:

– Libertária, pois ela é uma pessoa que age de acordo com os princípios dela, e não pelos princípios impostos pela sociedade brasileira, que pra mim, em sua grande maioria, ainda não aceita a liberdade feminina.

Mas Renata é outra para uma maioria de 66% de espectadores do BBB que a tiraram do programa. No mural do Donna e nas redes sociais, as críticas a ela falam em desvalorização da mulher e banalização do sexo. A psicóloga e terapeuta de casais Eliane Araújo acredita que a reprovação vem de uma faixa etária acima dos 30 anos:

– O que preocupa no comportamento de Renata é a falta de cuidado com a própria exposição, o que remete a uma atitude autodestrutiva.

Para Jimena, os reprovadores estão sendo “machistas e moralistas”:

– O preconceito com Renata explicita uma desigualdade social ainda existente, ou seja, a desqualificação da mulher que ousa ser independente, confiante, que ousa ter a iniciativa na prática sexual, que prioriza seu prazer, que não se preocupa com o olhar moralizador da sociedade. Enfim, uma mulher que ousa apresentar um comportamento masculino, registrado na história humana como esperado, valorizado e estimulado aos meninos e homens.

O recado às Renatinhas do Brasil é o quão libertárias e ordinárias – simultaneamente – elas têm o direito de ser em suas escolhas em pleno século 21.

No discurso de eliminação da loirinha polêmica, Pedro Bial chamou à reflexão ao citar Leila Diniz: “Uma mulher que jamais queimaria um sutiã em bom estado, e que sem fazer discurso feminista, só por seu comportamento livre, sem amarras, representou uma revolução no caminho da emancipação da mulher brasileira. Leila estava muito além de onde estamos hoje. Hoje, falamos sem nenhum pudor sobre sexo, e nos calamos, mudos de vergonha, ao falar de amor. Não é preciso saber sexo, o sexo nos sabe. O amor, quem sabe?”

NINFOMANÍACA?

– Filipe Soldati, ex-namorado de Renata, escreveu em sua conta pessoal no Twitter que Renata era ninfo (viciada em sexo), o que explicaria o comportamento da loira.

A educadora sexual Maria Helena Vilela explica que ninfomaníaca é a pessoa que não se satisfaz sexualmente. Ela pode ter diversas relações, mas nunca está contente e sempre precisa de mais. É como uma compulsão.

– Isso acontece com homens e mulheres. Mas não me parece ser o caso desta menina – comenta.

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