Conheça mais de Clarice Falcão, Tati Bernardi, Natalia Klein e Dani Calabresa

Leia relatos das próprias comediantes e de suas mães, que acompanham suas trajetórias há anos

Clarice Falcão
Clarice Falcão Foto: Marcos Ramos

CLARICE POR CLARICE FALCÃO

O começo

“Meus pais sempre viveram de contar histórias. Eu cresci junto com as peças do meu pai e os livros da minha mãe, e não sei se eu me apaixonei primeiro pelo teatro ou pela literatura – acho que foi pelas histórias. Com cinco anos eu queria ser atriz, além de poeta, detetive e astronauta. Com 11 anos eu fiz minha primeira peça infantil.

Com 16, desisti de ser atriz e entrei para a faculdade de cinema. Resolvi ser cineasta. Eu nunca terminei a faculdade de cinema, mas foi lá que comecei a escrever e produzir curtas. E foi para um desses curtas que eu compus a minha primeira música. Então, resolvi ser cantora e compositora. E depois, roteirista. E depois, atriz de novo. E depois, tudo junto. Até que resolvi adiar o momento de resolver qualquer coisa por tempo indefinido. Está funcionando, por enquanto.”

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O agora

“Está sendo maravilhoso e muito difícil. Mais maravilhoso do que muito difícil. Meu CD já está pronto há muito tempo. E quando eu gravei o CD, as músicas já estavam prontas há muito tempo. Estou com esse projeto há muito tempo e vai ser lindo ver nascer. Acho que vou tirar um peso enorme das costas.

Já passei algumas vezes por esse processo de ver coisas que saíram da minha cabeça tomando forma, e é sempre incrível – e nunca tinha sido tão autoral. Por outro lado, estou a 10 dias da estréia do show (o show da Clarice estreou no Rio de Janeiro, com sucesso, no dia 30 de abril, e será apresentado em Porto Alegre no Teatro do Bourbon Country no dia 16 de junho) e acordo diversas vezes durante a noite só pra me imaginar desafinando (e as variações “errando a letra” e “caindo do palco”). Já me peguei algumas vezes rezando por uma crise renal.”

E daqui pra frente?

Das três perguntas, essa é a mais complicada de responder. Quando eu era mais nova e começava a descrever pra minha mãe como é que ia ser o meu futuro, ela sempre respondia: “Que legal. Mas não esquece que tem a vida”.

E acho que ela estava certa (essa mania insuportável que mães têm). A gente sempre esquece de colocar a vida nos nossos planos, mas as coisas quase sempre acontecem de um jeito diferente do que a gente tinha imaginado (como se não soubessem do que a gente planejou). Comigo, pelo menos, tem sido assim. Felizmente, até agora, as ideias que a vida teve foram bem melhores do que as que eu tinha.

Eu nunca tinha imaginado compor. E, antes disso, eu nunca tinha imaginado escrever. E eu acho que eu daria uma péssima detetive. É por isso que eu evito planejar demais as coisas. No momento, eu estou doida para lançar esse CD. E doida para fazer o melhor show que eu puder. E, depois, tem a vida.”

Clarice por sua mãe, Adriana Falcão

Clarice foi uma criança criativa, maluca, exibida, linda, inteligente, com um senso de humor refinadíssimo. Aprendeu a ler e escrever com quatro anos. A primeira coisa que escreveu foi “pipoca com sal”, sabe-se lá por qual motivo. Desde muito pequenininha, dava shows para a família, que ficava boquiaberta. Tenho um vídeo dela cantando Pense em Mim aos três anos. É uma loucura. Ela cantava como se fosse a própria Billie Holiday.

Quando alguém ia cantar com ela, Clarice não deixava: “Agora sou eu!”, reclamava, talvez porque pensasse que a música, em geral, era sua propriedade privada. Os olhos verdes, sempre atentos, a partir do momento que os abriu, quando eu a segurei na maternidade, são uma marca que continua até hoje.

Uma curiosidade: quando eu estava grávida da Clarice, fui numa moça esotérica, que dizia enxergar a aura das pessoas. Ela olhou para a minha barriga e disse: “Prepare-se. Essa criança tem uma luz verde que vai brilhar muito nesse mundo.” Clarice é minha luz verde. Meu bebê. Ao lado dela, tudo para mim é claridade.”

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TATI POR TATI BERNARDI

O começo

“Eu trabalhava em agência de propaganda, já ficava escrevendo crônicas e roteiros nos intervalos. E como agência nunca tem intervalo… Ainda sem deixar as agências (com um misto de medo de ficar sem grana e um resto de amor por trabalhar com publicidade), fui tocando algumas coisas mais ligadas a escrever. Tinha coluna em revistas, fazia cursos de roteiro.

Quando eu resolvi sair da agência, ainda não era a modinha que é hoje. Hoje todo redator quer virar roteirista. Logo depois de lançar meus dois primeiros livros, fui chamada para trabalhar na Globo. Fiz a oficina de humor e fui contratada. Isso tem uns seis anos. Até agora só trabalhei em seriados, novelas e programas que amei fazer. Sem contar que também escrevo para o Multishow, quando não atrapalha meu trabalho para a Globo.”

O agora

“Estou escrevendo a segunda temporada de Meu Passado me Condena, série de humor com Fábio Porchat e Miá Melo. Acabei de escrever o filme dessa mesma série. Estou escrevendo a novela Sangue Bom como colaboradora e outro longa com a Patrícia Corso, sobre mulheres malucas no Facebook. Estou escrevendo um seriado para o Multishow sobre uma mulher que pira aos 40 anos e resolve ser garotinha. Estou escrevendo um livro chamado Quem Ri por Último, Rivotril sobre minhas crises de pânico, mas é um livro engraçado. Enfim, estou feliz e está entrando dinheiro suficiente para eu ir aos meus médicos caros. Está tudo bem!”

E daqui pra frente?

“Quero escrever uma peça de teatro. Quero escrever para pessoas que adoro, como a Ingrid Guimarães, a Tatá Werneck e a galera do Porta dos Fundos. Quero escrever um romance genial que me faça ser respeitada pelo povo sexy de barba da Flip. Não aguento mais namorar publicitário metido e rico, quero um namorado intelectual problemático.

Estou montando um escritório no qual serei uma chefa feliz com sete roteiristas maravilhosos contratados. Já estou trabalhando com essa equipe. Sou ridiculamente feliz quando estou com eles discutindo minhas ideias neuróticas. Eles são maravilhosos. Sou uma pessoa realizada profissionalmente. Agora quero encontrar o amor da vida, ele deve estar em algum lugar. Se algum gaúcho se animar, eu tenho um estoque grande de Rivotril aqui justamente para poder pegar bastante avião.”

Tati por sua mãe, Ruth Bernardi

A Tati foi uma criança muito tranquila, muito inteligente e muito observadora. Apesar de sua aparente timidez, gostava muito de se fazer notar onde quer que estivesse, principalmente nas festinhas infantis. Adorava uma plateia. Sempre muito vaidosa, aos dois anos já falava feito gente grande. Por volta dos quatro, sua brincadeira favorita era brincar de teatro com o pai. Inventava histórias e personagens – os diálogos eram improvisados na hora, por ela mesma.

Era rigorosa com o pai caso a interpretação dele deixasse a desejar, afinal, a brincadeira era para ser levada a sério. Por volta dos seis anos começou a escrever muito. E não parou mais. Iniciou com seus diários. Na época, já me chamava a atenção a facilidade/habilidade que ela possuía ao transformar sentimentos em palavras. A Tati criança sempre foi graciosa, autêntica, sagaz, precoce. Hoje, a engraçadinha tornou-se engraçada, sua sagacidade ganhou cinismo, à autenticidade somou-se a irreverência e, depois desta soma maluca, só posso dizer que amo ainda mais minha mocinha.

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NATALIA POR NATALIA KLEIN

O começo

“Eu sempre quis trabalhar com o que eu trabalho hoje, eu sempre quis fazer exatamente isso. Desde pequena eu escrevia peças de teatro e não me contentava apenas em ver a minha peça sendo montada, eu queria dirigir e atuar. Eu nunca soube direito o que eu queria fazer da vida, mas hoje eu sei que é o que eu faço agora. A grande reviravolta aconteceu quando eu estava perto de me formar na faculdade. Naquela época eu já tinha o meu blog, o Adorável Psicose, que vinha tendo um bom número de acessos e já havia sido indicado pela Martha Medeiros.

Foi aí que resolvi criar uma websérie, até para dar uma movimentada no blog. Fiz 10 sinopses, chamei uns amigos que trabalhavam comigo na produtora onde eu era assistente de produção e aproveitei este projeto para me formar na faculdade e para movimentar mais o blog. Nessa mesma época, a internet não bombava tanto quanto hoje em dia, ainda não existia um Porta dos Fundos, ainda não tinha acontecido a revolução. E eu decidi que o meu programa tinha que ir para a tevê, porque não dava para desperdiçar aquilo jogando na internet. Foi quando surgiu o interesse do Multishow.”

Como está sendo

“As coisas demoraram um tempo para acontecer, e eu fiquei fora da minha área, meio deprimida, sem escrever por uns meses, torcendo para que o programa desse certo porque não aguentava mais trabalhar com o que não me dava prazer. E aí o Multishow resolveu produzir o programa. Fizemos cinco episódios, o público adorou, outros 16 episódios foram encomendados para a primeira temporada e hoje já tenho contrato fechado para o quinto ano da série. Ah, estou namorando um gaúcho há um ano e ele escreveu comigo metade da quarta temporada.”

E agora?

“O Adorável Psicose foi o divisor de águas da minha vida. Foi o projeto que me deu visibilidade, independência financeira, foi o que me deu reconhecimento do público e dos meu colegas. E foi uma coisa que partiu de mim mesma. Eu tinha esse projeto, chamei uns amigos para ajudar e rodei com recursos próprios. Nem posso dizer que foi muito difícil, porque eu simplesmente fui atrás e fiz o que tive vontade. O mais difícil é criar a coragem para fazer.

Acho que esse é o problema das pessoas. Todo mundo pensa em fazer um monte de coisas, mas nunca faz nada. É que nem com a academia. Na verdade, academia não é um bom exemplo, porque eu sempre desisto dela em menos de dois meses (risos). É que nem uma dieta. Dieta é um bom exemplo, especialmente porque eu estou fazendo uma (risos).

Você fica falando que precisa emagrecer, que precisa emagrecer, mas nunca começa a dieta, até o dia em que põe na cabeça de uma vez por todas que vai começar a seguir à risca a dieta e, de fato, começa. O fato é que a vida profissional é a mesma coisa que a dieta, você precisa de determinação para começar a produzir. Ainda mais hoje em dia, que tem a internet para divulgar o trabalho.”

Natalia por Telma Stolar

A Natalia é uma daquelas pessoas que, desde pequenininha, já tinha talento e vocação para ser estrela. A determinação sempre foi uma característica dela. Com sete anos, montou uma pecinha teatral e recrutou os amiguinhos do prédio para atuarem. Não satisfeita, bateu na porta dos apartamentos pedindo ajuda para as mães deles para fazer o cenário. Outro fato aconteceu em Natal, quando era adolescente, com uns 16 anos. Ela escreveu e dirigiu uma peça e conseguiu, na base da persuasão, que uma loja de acessórios femininos, da qual ela não era cliente e muito menos eu, emprestasse uma peruca. E a peça foi um sucesso!”

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DANI CALABRESA POR DONNA

Já era quase dia de entregar esta reportagem e os e-mails enviados para Dani Calabresa não haviam sido respondidos. O jeito foi passear pelo site oficial dela, www.sitedanicalabresa.com , para contar um pouco da história de Daniella Maria Giusti Adnet, 32 anos. O nome artístico Calabresa vem dos tempos em que era monitora infantil, das brincadeiras que as crianças faziam com o seu forte sotaque paulistano-italianado, com o “r” bem marcado.

Dani estreou no teatro aos cinco anos, no papel do anão Dunga em uma montagem da Branca de Neve. A carreira decolou com o espetáculo Comédia ao Vivo. Fez o Pânico na TV, na Rede TV, e o Sem Controle, no SBT, ambos em 2007. Foi para a MTV em 2008 e lá passou por diversos programas. Assinou contrato com a Band no final de 2012, em princípio para participar do CQC, mas com a promessa de um programa próprio.

Dani é casada desde 2010 com o também humorista Marcelo Adnet. Sobre ela mesma, disse em entrevista: “Sou muito alegre e brincalhona. Até mesmo quando estou irritada ou cansada eu consigo fazer piadas e rir de situações mais chatinhas. Tenho amigos que me acham engraçada quando estou nervosa ou de mau humor, porque aí mesmo é que eu não paro de falar besteira”. Infelizmente, Donna não conseguiu ver de isso de perto. Mas, se você diz, a gente acredita, Calabresa.

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