Conheça o brasileiro por trás da malharia das grifes mais renomadas do mundo

Lucas Nascimento escolheu Gravataí para desenvolver sua própria coleção

Foto: nao se aplica

Reportagem publicada em Donna ZH em 03/01/2010.

Knitwear. O nome é elegante. Tal qual o status que o tricô tem tomado nos últimos tempos.

Com muitos estilistas dedicados ao trabalho exclusivo no tramado de linhas, o setor mistura o conceito da arte manual, máquinas de alta tecnologia e criatividade a perder de vista. No meio deste processo está o brasileiro Lucas Nascimento, que nasceu em Bonito, no Mato Grosso do Sul, e mora em Londres há oito anos. Discípulo de Sid Bryan, formado pela conceituada universidade Saint Martin, Lucas assinou a malharia, cada vez mais presente, de coleções internacionais como Basso & Brooke, Giles Deacon, Theatre de La Mode e Luella e das brasileiras 2nd Floor, Ellus, Amapô, Juliana Jabour e Neon. Agora, depois de tanto dividir experiências, o tricoteiro decidiu pôr sua própria marca no mer cado – desfila no próximo dia 9 no Fashion Rio. E escolheu a Malharia Barros, de Gravataí, para fazer seus conceitos tomarem forma.

– O projeto foi elaborado com a minha equipe em Londres. Mas a execução, as máquinas, a equipe, são todos daqui. Queria trabalhar com fios brasileiros e estou feliz de ter encontrado a estrutura certa – conta o designer, em um bate-papo na fábrica, em plena fase de finalização das peças.

Instalado no Rio Grande do Sul desde novembro, Lucas conta com a fiel parceria de Monica Rosenfeld, craque em desenvolvimento de produto em tricô. Mãozinha importante para a mobilidade que o estilista precisa em um mercado que pouco conhece. Desde 2007, ele vem se aproximando dos trópicos, mas ainda não havia colocado a mão na massa por aqui. Foi convidado a participar do projeto Pense Moda, de Camila Yahn (que tem planos quase confirmados de uma edição gaúcha em 2010) e, encantador que é, conquistou estilistas e stylists que passaram por seu caminho. Meses depois, já estava com suas máquinas trabalhando para grandes grifes brasileiras. Mas tudo feito à distância, a partir de seu estúdio de Londres.

Nesse período, o knitting expert apresentou para o mercado nacional sugestões que ficaram nos olhos e na memória de muitos fashionistas. Primeiro, foram os maxipulls e maximantas, feitos em pontos gigantes, para o inverno 2008 da 2nd Floor. A ideia ele já tinha aplicado para Giles Decon um ano antes. São peças tricotadas à mão, com agulhas enormes, de 25mm de espessura (na máquina, o máximo que se alcança em uma agulha são 3mm). O dom de tecer à mão, inclusive, é o que Lucas considera seu diferencial, que aprendeu com a mãe, aos 11 anos.

Depois vieram outras ideias, como os coletes feitos de anéis de fios de malha, para Juliana Jabour, as transparências metalizadas da Ellus e os vestidos colantes de lurex coloridos, da Neon. Propostas que, de acordo com o pouco que o designer adiantou, devem estar na coleção inaugural, batizada com seu nome.

– Foi muito importante colaborar com outros designers, aprender, trabalhar temas diferentes em uma única temporada. Mas tá sendo muito especial desenvolver a minha própria coleção. Criar sem briefing de ninguém. Tanto que o meu tema é bem amplo, trata de várias coisas, sempre misturando glamour e sensualidade. Mas chamo o trabalho de Textura com Estrutura – conta, lembrando que, na Malharia Barros, ganha a ajuda da diretora de estilo Ângela Aronne e de Daniela Kreling, sua assistente.

Ansioso e confiante, o designer quer mostrar como sua habilidade, sua técnica e seu conceito são quando se encontram. A passarela do Fashion Rio vai dar conta de deixar pública essa vontade.

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