Consultora de moda Chiara Gadaleta dá dicas de compras em brechós

Veja entrevista com a dona do projeto "Ser Sustentável Com Estilo"

Chiara Gadaleta
Chiara Gadaleta Foto: Divulgação

Conhecida pela beleza e pelo estilo marcante, a consultora de moda Chiara Gadaleta defende no mundo fashion o consumo consciente e a moda sustentável. Ela é dona do projeto Ser sustentável com estilo, cuja missão é “usar a moda e a beleza como agentes de transformação”, permitindo o upclycling, ou seja, “o processo de transformar resíduos ou produtos inúteis em novos materiais ou produtos de maior valor, uso ou qualidade”. E nessa quase reciclagem fashion, os brechós podem ser um fonte preciosa de matéria-prima, como ela diz nesta entrevista.

Você já falou mais de uma vez do conceito de “luxo do lixo”. O que isso significa na prática?
Significa transformar tudo que acabaria sendo descartado em novas peças e sempre lindas! Usar estoques de tecidos antigos que não estão sendo utilizados em coleções novas, usar a customização, o reaproveitamento , a reciclagem e o upcycling.

Você sempre diz que compra roupas em brechós? Pra você, o que significa consumir nesse tipo de loja?
Usar peças vintage de qualidade é uma forma de prolongar a vida útil dessas peças e, principalmente, ajudar seu estilo pessoal. Peças de brechó são exclusivas e cheias de personalidade, e, muitas vezes, têm mais qualidade e estilo do que as peças fast fashion. Mas cuidado: o barato pode sair caro. Nada de comprar por impulso. Mesmo uma roupa mais barata pode acabar sendo descartada. Consumir de forma consciente é a melhor saída.

Fala-se muito da moda descartável e de consumismo desenfreado. O brechó seria uma alternativa para fazer com que uma roupa sobreviva às estações, às coleções e seja usada por mais de uma pessoa?
Sim, as peças de brechó que sobrevivem ao tempo podem ser usadas para sempre e não são encaixadas facilmente em tendências. Muitas vezes, uma peça feita nos anos 1980 é de melhor acabamento do que uma de hoje. Naquela época, a qualidade valia mais. E as margens de lucros eram menores. Voltando à questão do estilo, hoje as consumidoras de moda já entenderam que peças de brechós se sobressaem mais no look e, como todas querem ser diferentes, esse consumo tem se tornado cada vez mais popular.

Qual é a diferença entre o mercado de brechós no Brasil e no exterior?
No exterior existem mais opções e a cultura do brechó existe há muito mais tempo.

Percebe-se um aumento do número de lojas que vendem peças usadas por aqui. Você acha que os brasileiros estão deixando o preconceito de lado e consumindo mais roupas usadas, fazendo trocas entre amigos, vendendo na internet o que não usam mais?
Sem dúvida. Esse é o sinal dos novos tempos. Tempos de maior consciência da parte de toda a cadeia da moda.

Quem você acha que é o público que consome em brechós no Brasil?
Jovens que têm informação de moda e que estão preocupados em valorizar o slow fashion, e não incentivar o fast fashion.

O que você acha que torna um brechó interessante?
Ter peças de qualidade e representativas de cada época.

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