Corpo e mente precisam de descanso

Para uma vida com menos estresse, inclua atividades prazerosas na rotina cheia de compromissos

Atividades antiestresse são essenciais para não cair nas armadilhas da rotina
Atividades antiestresse são essenciais para não cair nas armadilhas da rotina Foto: Divulgação

A fuga do estresse começa cedo. Sergio Luiz Klein, 54 anos, levanta por volta das 6h30, três vezes por semana, e vai direto à academia. Lá, encontra o ambiente ideal para carregar as baterias necessárias para enfrentar um dia de executivo. Faz musculação, caminhada e corrida. Além disso, é um dos poucos horários em que consegue conversar com um grupo de amigos. As atribuições do trabalho ficam de lado.

– É como uma terapia. Se não vou, fico com uma sensação de falta de energia. Se vou, fico muito mais animado – conta o engenheiro civil. A ideia de malhar surgiu há dez anos, quando percebeu que o trabalho lhe tomava não só o tempo, mas também a saúde. O incômodo principal era uma dor constante nas costas e nos ombros. Sensação que o acompanhava todos os dias, no escritório ou em casa, atrapalhando a rotina. Ao final dos dias de agenda cheia, as dores também se alastravam para a cabeça. Somado a isso, Klein ainda via o peso aumentar e o cansaço chegar mais cedo, ou seja, o organismo todo sentia os efeitos nocivos do estresse. A tempo, mudou de vida.

Uma pesquisa com mil executivos de Porto Alegre e São Paulo aponta que 86% deles sentem dores musculares e dor de cabeça e 81% sofrem com ansiedade. Em 18% dos casos, o acúmulo da pressão se transforma em explosão de raiva. Os cinco principais motivos apontados foram: excesso de tarefas, medo de demissão, muita responsabilidade e pouca autonomia, conflitos e desequilíbrio entre esforço e gratificação.

Para a coordenadora da pesquisa, a jornalista e Ph.D. em psicologia Ana Maria Rossi, presidente da International Stress Management Association no Brasil (Isma-BR), o resultado mostra que todo o esclarecimento feito sobre os efeitos nocivos do estresse não está sensibilizando a população.

– As pessoas estão muito comprometidas e com muitas prioridades. É muito difícil que mantenham uma vida saudável, mas uma hora o corpo não aguenta – explica.

Em linhas gerais, o estresse costuma ser prejudicial, mas alguns tipos não são tão nocivos. Um exemplo é o estresse causado pela vida profissional – quando alguém gosta muito do que faz, mas a dedicação intensa dá prazer. Mas um outro tipo é muito voraz, como explica o biomédico Aldo Lucion.

Um, dois, três… dez!

Não são apenas os grandes problemas que provocam estresse. Detalhes pequenos, ao longo do dia, vão derrubando o nível de paciência e calma de qualquer profissional. Que o diga a arquiteta Myrian Cirne Lima, que todos os dias enfrenta uma série de imprevistos em seus projetos. É o cano que estourou, o colocador de piso que ficou doente ou o atraso na entrega de algum material. Para lidar com isso, receitas básicas: ginástica diária e sempre contar até dez.

– Não dá para resolver todas as coisas no calor do momento. Quando os problemas se acumulam, a gente se sente em uma situação desesperadora. Nessa hora, não tem outro jeito – conta. Além de se prevenir contra os contratempos que atravessam seu caminho, Myrian cria ambientes antiestresse nas casas dos clientes. Confortáveis, permitem aliviar a tensão e fogem das características do ambiente profissional.

Uma dica para esse resultado é acertar na iluminação. Como a luz branca chama a pessoa ao trabalho, a opção é adotar luzes mornas, amareladas, que deixam o morador descansado. Móveis ou quadros de família contribuem para um espaço acolhedor, que afasta da pressão do trabalho.

– Também é recomendado fazer uso de plantas nos ambientes residenciais e nos comerciais. Outra dica pode ser instalar internet sem fio na casa. Assim, pode-se trabalhar em locais bem descontraídos, como o jardim ou mesmo a cozinha – sugere.

O recomendável é que essas atitudes sejam acompanhadas de outras medidas.

– Hoje, há muitas prioridades na vida das pessoas, que acabam se vendo em situações estressantes frequentemente. O importante é, mesmo com a correria, manter hábitos saudáveis – explica a Ph.D. em psicologia Ana Maria Rossi. Nessa lista, incluem-se bons hábitos na rotina como atividades físicas e relaxantes regulares, alimentação balanceada, noites de sono restauradoras, relacionamentos estáveis e bons laços familiares, e momentos de lazer, com viagens, passeios e encontros com amigos.

:: Os resultados da pesquisa

Freio depois do susto

Agenda cheia também pode significar momentos de alívio, desde que fora do horário de trabalho. É com essa mentalidade que o executivo e presidente de uma financeira Ricardo Malcon, 59 anos, resolveu levar a vida. Depois de tomar um baita susto, há sete anos – uma tontura e uma dor forte no peito –, resolveu mudar drasticamente o cotidiano.

– Meu médico deixou claro: ou eu puxava o freio, ou morria antes do tempo com aquele ritmo frenético – lembra Malcon.

A receita seguida para viver melhor é o sonho de muita gente. Uma vez por mês, Malcon pega um jipe na garagem e sai fazendo trilhas com os amigos. Tempo ideal para expulsar todo o cansaço do corpo e se aliviar nas conversas prazerosas. Fora as viagens, ele também se reúne duas vezes por semana com o grupo de trilheiros. Outra prática que aprecia muito é o esqui aquático no verão. Se não dá para esquiar por algum motivo, vai jogar golfe. Quatro vezes por semana, dedica-se ao power stretching, para liberar tensões articulares e musculares.

Além das atividades antiestresse, Malcon mantém nove horas diárias de trabalho na financeira, conduz uma empresa de consultoria e ocupa cargos de diretoria em outras entidades.

– O estresse está sempre presente, mas temos de encontrar meios de ficar mais tranquilos. Temos de nos dedicar a essa meta e não entrar nas armadilhas sufocantes da rotina – diz.

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