Criadas para fim utilitário, bolsas se tornaram objeto de desejo das mulheres

Ao longo dos séculos as bolsas evoluíram, ganharam materiais nobres

Cada estilo de roupa pede uma bolsa diferente
Cada estilo de roupa pede uma bolsa diferente Foto: Divulgação, Pat Jullie Joli

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Diz a lenda que o primeiro protótipo de bolsa foi criado pelos homens na pré-história. Eles precisavam de um suporte em que pudessem guardar a caça e as ferramentas que levavam para essa empreitada de sobrevivência. Depois, elas foram aprimoradas, transformadas em modelos refinados, com materiais mais nobres. Nunca, porém, perderam a importância.

Além de utilitárias, as bolsas sempre estiveram ligadas ao status e ao poder de quem as usa. Passados os séculos, o acessório virou “o símbolo do luxo acessível”, como define Débora Costa, em seu livro A história das bolsas. Estilistas e grifes famosas há tempos assinam suas criações em formatos de bolsas, que se tornam objetos de desejo de muitas mulheres no mundo todo. Além de indispensáveis, elas podem ser verdadeiras joias.

Um pouco de história

    * Desde o saco confeccionado com pele de animais da Antiguidade ao material mais tecnológico do século 21, as bolsas são símbolos de épocas e modos de viver.

    * Com a Revolução Industrial, a bolsa tomou forma e se converteu em um produto que gera lucros, em ícone de grandes marcas da moda.

    * As primeiras bolsas do século 19 eram conhecidas como réticules, pequenas bolsas de tecido similar a uma rede, e já eram usadas pelas mulheres da Roma Antiga. Consideradas as precursoras das bolsas de mão, guardavam o leque, o lenço e o cartão de visitas. Confeccionadas com seda e veludo, da mesma cor do vestido, as réticules tinham correntes como alça e ficavam presas ao pulso ou à cintura, além de serem ornamentadas com pérolas, bordados, rendas e fios de ouro.

    * Em 1850, com a invenção das ferrovias e do barco a vapor, as viagens aumentaram. As mulheres ganharam um modelo de bolsa, miniatura das malas, confeccionadas com couro.

    * Elas tinham fecho e chave, um compartimento para guardar o bilhete de viagem e já antecipavam as bolsas femininas do século 20.

    * Nessa mesma época, as mulheres também passaram a sair mais. Iam tomar chás, passear na rua e assistir às óperas. As bolsas pequenas e delicadas, com fechos de prata, começaram a fazer parte do traje feminino e eram essenciais às vestimentas da época.

    * As bolsas de mão eram bordadas por moças habilidosas ou por artesãos especializados. Quanto mais ornamentadas, mais demonstravam o poder econômico de quem as usava.

    * As bolsas deram independência às mulheres, que não precisavam mais que os homens carregassem seus pertences.

    * Na primeira década do século 20, o design das bolsas ganhou mais sofisticação, com materiais e modelos diversificados, tornando o processo de confecção mais elaborado.

    * No início do século 20, surgiram diversos modelos de bolsas de mão. Para ocasiões informais, cumpriam a função de frasqueira, com compartimentos para moedas, cartões de visita, canetas e perfumes. O couro era o material mais usado para fabricar as mais elegantes do dia a dia.

    * Os modelos de noite podiam ser confeccionados com malha de prata ou ouro, e também eram usados tecidos como a seda e o jacquard. Nesse período, as bolsas cumpriam uma função mais decorativa que prática.

    * Praticidade no vestir-se passou a ser a palavra de ordem no período da Primeira Guerra. As bolsas se tornaram utilitárias, resistentes e duráveis. Surgiram as sacolas e as bolsas-carteiro ? com alças longas, que podiam ser levadas sobre os ombros enquanto as mulheres pedalavam ou andavam para o trabalho. A moda refletiu as preocupações das nações em guerra: deixaram de ser ostensivamente decoradas.

    * A partir de meados da década de 1930, os espaços internos das bolsas eram mais funcionais, com vários compartimentos.

      Fonte: A história das bolsas, de Débora Costa.

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