Crianças que frequentam a pré-escola podem ter melhores empregos no futuro

Pesquisa feita ao longo de 25 anos comparou o sucesso de 1,4 mil americanos

Uma boa formação pré-escolar pode garantir melhores oportunidades na vida adulta
Uma boa formação pré-escolar pode garantir melhores oportunidades na vida adulta Foto: Diego Vara

A Educação Infantil sempre foi um desafio para governos e famílias. Enquanto o poder público historicamente destinou menos recursos para essa forma de ensino, tida como secundária e opcional, as famílias, muitas vezes, encaram as escolinhas como um simples passatempo para os filhos.

No entanto, uma pesquisa destacada pela revista Science no mês passado mostra que a educação dos pequenos está longe de ser brincadeira. Depois de acompanhar, por 25 anos, cerca de 1,4 mil americanos nascidos em bairros de baixa renda, pesquisadores da Universidade de Missouri, nos Estados Unidos, descobriram que ter contato desde cedo com um ambiente escolar de qualidade pode ter imensos impactos positivos na saúde, na qualidade de vida e no mercado de trabalho, entre outros aspectos.

Os alunos acompanhados pelos cientistas foram divididos em dois grupos: os que frequentaram a pré-escola aos quatro ou cinco anos, e os que ingressaram diretamente no Ensino Fundamental, aos seis.

– Na ocasião, entre 1985 e 1986, escolhemos participantes com uma boa aptidão escolar. Aqueles que frequentaram o jardim de infância tiveram um efeito em grande escala em um conjunto amplo de aspectos socioculturais e de saúde até a vida adulta. Isso aconteceu não apenas porque as crianças tiveram acesso à pré-escola, mas porque frequentaram programas de alta qualidade, com atividades muito além das tradicionalmente ligadas ao jardim de infância, como brincar – conta Arthur Reynolds, líder do estudo.

Para acompanhar durante duas décadas e meia as milhares de crianças – que no fim do estudo já eram adultos com seus próprios filhos -, os pesquisadores tiveram a ajuda de uma ampla rede de instituições públicas. Embora todos os participantes residissem em bairros de baixa renda quando começaram a ser acompanhados, nem todos eram considerados pobres, segundo a definição do governo dos EUA.

– Isso nos permitiu perceber que os mais desfavorecidos economicamente colhem mais benefícios da Educação Infantil do que os menos desfavorecidos. Se a educação pré-escolar produziu efeitos positivos num dos maiores sistemas educacionais do mundo, isso pode ser reproduzido em praticamente qualquer lugar. Com recursos e envolvimento dos pais, esse é um excelente exemplo a se seguir – afirma o pesquisador, para quem o estudo pode estimular investimentos na educação dos mais pequenos em lugares onde isso ainda não é uma realidade – completa.

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