De bem com a mente para viver melhor

Relações afetivas também são essenciais, pois o grupo contribui muito para a saúde mental dos indivíduos
Relações afetivas também são essenciais, pois o grupo contribui muito para a saúde mental dos indivíduos Foto: Eduardo Beleske

O refrão de uma canção de sucesso na década de 70 se adapta muito bem aos dias de hoje: “Tudo é uma questão de manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo”. O mantra do compositor Walter Franco representa uma necessidade quando o assunto é o estresse, as pressões psicológicas e as preocupações e inseguranças as quais estamos submetidos todos os dias.

Essa realidade está refletida em um índice recentemente divulgado, idealizado pela Unimed Porto Alegre. Entrevistados em 2009, os moradores da capital gaúcha colocaram o bem-estar psicológico no topo da lista de quesitos para a conquista de uma qualidade de vida plena. Isso inclui ter uma atitude positiva em relação a si mesmo, ter autoconfiança e não se sentir constantemente estressado.

Em uma escala de 0 a 100, a média de bem-estar psicológico avaliada pelos entrevistados foi de 72,6.

Conheça a pesquisa completa do Índice de Bem-Estar:

Para a psicóloga Elizabeth Mendes Ribeiro, o resultado comprova uma tendência de preocupação mundial. Especialista em qualidade de vida, ela afirma que o que mais afasta as pessoas do trabalho são as doenças mentais, seguidas das doenças cardiovasculares.

? O sofrimento psíquico é a depressão, que é a porta de entrada de muitas doenças. Quando você está deprimido, você está mais frágil e sujeito a doenças ? alerta a psicóloga.

Sílvia Wudarcki, psicóloga e membro da associação internacional de prevenção e tratamento de estresse International Stress Management Association ? Isma BR , atribui a importância do tema à influência que exerce sobre todos âmbitos da vida.

? De fato. isso é o que mais perturba e causa incômodo. E não tem como identificar isso em laboratório, não é algo visível. Quando os sintomas aparecem, as pessoas não costumam procurar ajuda.

Porém, a felicidade para o bem-estar é subjetiva, e depende muito de como a pessoa vê o mundo. Por muito tempo, a qualidade de vida era apenas relacionada a ter saúde, à ausência da doença. Atualmente, quando se mede qualidade de vida, muitas coisas devem ser levadas em conta, inclusive a espiritualidade, explica Elizabeth.

Falta de vínculo afetivo pode agravar problemas psicológicos

Segundo a especialista, existem diferentes fatores desencadeadores de problemas psicológicos, que por consequência afetam a qualidade de vida. A baixa autoestima é uma delas, e pode ser resultado de um baixo conhecimento de si mesmo.

? É muito importante a gente se conhecer. Tudo começa com autoconhecimento ? afirma Elizabeth.

As relações afetivas também são essenciais, pois o grupo contribui muito para a saúde mental dos indivíduos. Sentindo-se mais incluída, a pessoa tem mais confiança e segurança em si mesma. De acordo com Sílvia, há estudos que comprovam também que os solteiros e pessoas sem vínculos afetivos têm maior predisposição para sofrer problemas psicológicos.

O trabalho é outro fator importante. O sofrimento no trabalho pode ter diferentes causas, mas sempre afeta negativamente o bem-estar psicológico. Segundo Elizabeth, algumas pessoas desenvolvem mecanismos de defesa, mas outras não conseguem. Não se sentir produtiva, problemas nas relações pessoais e falta de transparência no ambiente de trabalho também influem negativamente.

? O que faz algumas pessoas lidarem bem com algumas coisas e outros não é a resiliência. É conseguir que um fato não lhe cause danos. Isso vem da constituição da pessoa, da infância, algo que trouxe com ela. Mas é possível desenvolver habilidades para lidar com isso, para gerenciar o estresse, a pressão.

Falta de reconhecimento profissional é um dos principais fatores de desmotivação no trabalho

A questão da espiritualidade também é essencial na opinião da psicóloga.

? Acreditar que as coisas podem dar certo, ver um sentido na vida, é importante. É muito importante o resgate do sentido, dos valores de vida. A solidariedade e o respeito foram um pouco esquecidos ? lembra ela.

Criar hábitos e atitudes saudáveis, ter relacionamentos de qualidade e um trabalho que proporcione um mínimo de satisfação são dicas que a psicóloga aponta como essenciais.

? Acho que as pessoas muitas vezes fazem ioga, ginástica, e acham que isso é ter qualidade de vida… A qualidade de vida é uma nova perspectiva de vida. É uma percepção que envolve três valores profundos: dignidade, solidariedade e respeito, por si mesmo e pelo próximo.

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