De cada 10 brasileiros seis conhecem uma mulher que já sofreu violência doméstica

Pesquisa revela amadurecimento na percepção das agressões masculinas

Cerca de 27% das entrevistadas diz já ter sofrido agressão grave
Cerca de 27% das entrevistadas diz já ter sofrido agressão grave Foto: Stock Photos

De cada 10 brasileiros, seis conhecem uma mulher que já sofreu violência doméstica. Este tipo de agressão não é só física, mas verbal, moral e sexual, como forçar a esposa a fazer sexo sem a vontade dela. Os dados estão em uma pesquisa dos Instituto Avon em parceria com os institutos Ipsos e Patricia Galvão, coletados a partir de entrevistas com 1,8 mil pessoas de todas as regiões brasileiras.

A pesquisa não tem como objetivo quantificar o número de mulheres que sofrem coação de seus companheiros, embora, entre as entrevistadas, 27% disseram já ter sofrido agressão grave. A proposta foi demonstrar a percepção deste tipo de violência na sociedade brasileira e, neste quesito, há uma evolução ao ultrapassar a concepção restrita de ligar a violência à agressão física. Também há um amadurecimento em relação às causas da violência. 46% dos entrevistados entendem que é uma questão cultural, no sentido de o homem se sentir dono da mulher.

Andrea Jung, presidente mundial da Avon que esteve presente no lançamento da pesquisa, chamou a atenção para a importância de incluir os homens na discussão:

? Ele não é o vilão e pode ser solução. Meninos que viram o sofrimento de suas mães, hoje, podem ajudar a educar outros homens e a difundir uma nova cultura longe do machismo ? comentou.

Mudança na percepção

A CEO da Avon disse ainda que, em comparação a pesquisas semelhantes realizadas pela Avon em outros países, os brasileiros mostram-se mais maduros na percepção da questão, e que o país, hoje, é liderança no entendimento do caso. Andrea, porém, lembrou que em lugares como Austrália e Estados Unidos há centros de atendimento considerados referência, onde a mulher que sofreu violência doméstica encontra diversidade de assistência, que vai da ajuda psicológica a creche para os filhos.

Presente no lançamento, Iriny Lopes, ministra da Secretaria para Assuntos das Mulheres, ressaltou a importância da pesquisa como fonte para delinear o nível de conhecimento dos brasileiros e falou que é necessário “desnaturalizar” a violência doméstica.

? Até pouco tempo, era natural a mulher sofrer violência doméstica. Os dados mostram o crescimento da compreensão. Era de suma importância encorajar as mulheres a denunciar, por isso, as campanhas tinham este foco. Hoje, com essa nova realidade, podemos começar a pensar em campanhas que foquem numa mudança cultural masculina ?  afirmou a ministra, que elencou programas do governo na área, como a ampliação das delegacias da mulher e projetos de capacitação das pessoas que trabalham nestes locais.

Conscientização das mulheres

Iriny disse que a lei Maria da Penha (também foco da pesquisa) contribuiu para um salto na conscientização das mulheres, por ser uma legislação específica para o tema. Maria da Penha, a mulher que deu nome à lei, esteve presente no lançamento. Ressaltou que não se pode esperar uma mudança imediata no comportamento masculino e feminino sobre violência doméstica e sentenciou:

? Quando uma mulher procura uma delegacia, é porque já está sofrendo violência há muito tempo.

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