Depois da faculdade, a luta pela carreira profissional

Juliana está formada há pouco mais de uma semana e sente falta de não ter acumulado experiência em algumas áreas
Juliana está formada há pouco mais de uma semana e sente falta de não ter acumulado experiência em algumas áreas Foto: Emílio Pedroso

Após anos em salas de aula, chega a hora de botar em prática o conhecimento acumulado em tanto tempo de estudo. Como a teoria ajuda, mas não substitui a prática, entrar no mercado de trabalho após conquistar o diploma de nível superior pode ser uma tarefa complicada.

Apesar de a maioria das faculdades exigirem estágio curricular, as vivências do recém-formado nem sempre são suficientes para substituir experiência de quem está há mais tempo em atividade. Mas assim como existem desvantagens, há pontos positivos para começar essa nova jornada.

– Quando saem da faculdade, os jovens costumam agregar garra, motivação e inovação a antigos processos. A desvantagem é que têm pouco desenvolvimento nas chamadas habilidades comportamentais, como relacionamento interpessoal e tomada de decisões – avalia Antônio Webber, autor de Afinal, onde estão os líderes?, sobre liderança e carreira.

Disposta a enfrentar qualquer desafio, Juliana Herberts, 27 anos, formou-se em arquitetura no dia 15 de agosto e agora enfrenta o desafio de começar uma carreira. Um dos obstáculos é a falta de prática na profissão. Durante o tempo em que esteve na faculdade, trabalhou em apenas um local, por dois anos. O aprendizado foi importante, mas não o suficiente.

– Hoje, sei lidar bem com a parte burocrática, mas me faltam algumas coisa. Me arrependo de não ter trabalhando mais a técnica do meu ofício, e isso me deixa insegura – conta Juliana, que pretende atuar com decoração de interiores e fazer uma pós-graduação, mas que também busca outras oportunidade na área.

Irene Azevedo, consultora da DBM Consultoria, recomenda que os inexperientes aproveitem este momento para botar a mão na massa, sem medo de errar. E, quando cometerem algum engano, que tirem proveito deles para aprender como funcionam os processos da sua área de atuação. Aos estreantes, porém, o mercado não oferece apenas uma porta de ingresso à vida profissional. Podem levar ao sucesso, por exemplo, as seleções para trainees, a vida acadêmica e até mesmo o setor público.  para ajudar nesta busca, Empregos & Oportunidades listou – com ajuda de especialistas – alguns desses caminhos e reuniu dicas para chegar lá

Muitos caminhos a percorrer

O mercado de trabalho contemporâneo, apesar de estar cada vez mais competitivo, traz uma vantagem sobre o cenário do passado: a ampliação das alternativas. Rolando Pelliccia, diretor do Hay Group, lembra que há alguns anos o mundo corporativo era o principal caminho para o crescimento profissional. Hoje, é apenas uma das opções. O grande desafio, portanto, é fazer uma escolha consciente.

– A juventude, apesar das dificuldades que se impõem pela falta de vivência, traz o benefício de o tempo estar a seu favor. Ainda acho que mais importante é experimentar. Se uma escolha der errado, sempre é possível recomeçar e quanto mais cedo, melhor – aconselha Irene Azevedo, consultora da DBM Consultoria.

Setor privado

A maioria dos jovens que ingressa em uma organização fica sabendo dessas vagas por meio de indicações. Uma das principais dicas, portanto, é manter o network (rede de contatos) constantemente alimentado. Além disso, as vagas costumam ser divulgadas – ou seja, é preciso ficar atento aos jornais, aos murais das universidades e até mesmo na internet.

Outro detalhe importante é a necessidade de valorizar a formação inicial e não parar de estudar. Procure saber, na sua área, quais universidades e entidades são mais valorizadas pelas corporações.

Para Camila Scherer, 24 anos, que vai se formar em Engenharia de Produção no próximo dia 29, a vaga foi garantida na DHB Componentes Automotivos. Foi graças ao estágio, iniciado em 2008, que ela ganhou a experiência fundamental para complementar a sua formação:

– Desde que entrei procurei me envolver e aprender o máximo que pudesse sobre a profissão. A efetivação é o reconhecimento da minha dedicação.

Avise as pessoas que você está à procura de uma vaga, cadastre seu currículo em sites de empresas, fique atento aos anúncios em jornal, faça cursos na área e amplie seus contatos.

Vida acadêmica

Muitos jovens ingressam na universidade e sentem-se tão à vontade que optam por permanecer nela. Carreiras voltadas ao mundo acadêmico exigem complementar a formação. Pode ser com um mestrado, por exemplo, e com pesquisas. Fique atento a bolsas de estudo oferecidas por órgãos como Capes (www.capes.gov.br) e pelas universidades, e desenvolva o trabalho de conclusão já pensado em ampliá-lo futuramente.

Terceiro setor

Com a propagação de organizações não governamentais (ONGs) e o estímulo aos trabalhos voluntários, as atividades do terceiro setor passaram a ser levadas a sério. E as próprias Ongs estão precisando de profissionais formados, como de administradores.

– Para ingressar em uma carreira social é necessário ter um perfil idealista e grande vocação social – ressalta Rolando Pelliccia, diretor do Hay Group.

Trainee

Uma maneira de ingressar no mundo corporativo é por programas de trainees – seleções de grandes empresas para recrutar talentos executivos entre universitários ou recém-formados. Nesses processos, a exigência é alta e domínio de idiomas geralmente é pré-requisito (veja na página ao lado as seleções abertas).

– É importante estar bem informado sobre os assuntos da atualidade. Já vi um selecionador perguntar aos candidatos o que leram no jornal do dia naquela manhã. Quem não soube responder foi eliminado na hora – conta Rolando Pelliccia, diretor do Hay Group, consultoria de gestão de negócios.

Seleções públicas

Entrar nos quadros públicos é uma disputa cada vez mais acirrada, mas também nunca houve tanta vaga aberta, especialmente na esfera federal. A desvantagem é que, além de ter de centenas de candidatos, a nomeação pode demorar. Mas pelo menos não é preciso um padrinho ou uma indicação, e há estabilidade.

– Antes de optar por trabalhar em um determinado órgão público, o jovem deve se informar sobre a atividade que desempenhará. A remuneração costuma ser atrativa, mas não é tudo. Quem se basear somente nesse fator tem muita chance de se frustrar – alerta Ângela Santos, consultora em transição de carreira da Catho, empresa de recrutamento e seleção.

Trabalhar por conta própria

Uma das maneiras de atuar por conta própria são os trabalhos free lancers. Em início de carreira, a alternativa se torna viável se o jovem for responsável, cumprir os prazos e tiver consciência de que o retorno financeiro só será possível com dedicação, inclusive para captar oportunidades.

Você terá de vender seu próprio trabalho, oferecendo-o, por exemplo, para um projeto específico, como para empresas de pequeno e médio porte sem condições de contratar um profissional fixo. Outra forma é abrir uma empresa. Para esses casos, os especialistas aconselham planejamento, busca de informação, sobretudo aquelas que permeiam a atividade e conhecimentos mínimos de gestão – o que pode ser feito com ajuda de entidades como o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (www.sebrae-rs.com.br). Será necessário, também, capital inicial.

– Sugiro que ele busque cursos de empreendedorismo econverse com pessoas que já tenham o seu negócio – diz Irene Azevedo, consultora da DBM.

Dicas para entrar no mercado

:: Fatores que ajudam: alta motivação, vontade de vencer e encarar os desafios proporcionados pelo novo cenário, bom domínio das tecnologias de informação e ter feito uma boa rede de contatos ao longo do curso 

:: Fatores que dificultam: baixa maturidade vivencial (os conhecimentos ficaram voltados quase que exclusivamente ao campo técnico/conceitual), pouco desenvolvimento nas chamadas habilidades comportamentais (como relacionamento interpessoal, aptidão para trabalho em equipe e boa comunicação)

:: Valorize a rede de relacionamentos. Faça contato com professores, ex-colegas e amigos que estão empregados e reforce que está em busca de uma chance.

:: Não desanime. As estatísticas revelam que entre os 18 e os 24 anos um jovem leva, em média, de oito a 14 meses para conseguir um emprego.

:: Estude o mercado na sua área, busque dicas e livros sobre empregabilidade.

:: Selecione empresas onde gostaria de atuar e invista nelas. Tente visitá-las, fale com o setor de recursos humanos ou faça contato direto com determinada área.

:: Mande um e-mail agradecendo a oportunidade e reforce o interesse em fazer parte da equipe.

:: Leia jornais e revistas para estar constantemente atualizado.

Fonte: Simoni Missel, psicóloga e consultora de carreira

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