Depois de padronizar o modelo de beleza mundial, Hollywood corre atrás da beleza natural

Excesso de plásticas e procedimentos pode deixar as mulheres sem expressões faciais

Em Avatar, a produção não admitiu atores que já fizeram plástica no rosto devido à alta definição de imagens
Em Avatar, a produção não admitiu atores que já fizeram plástica no rosto devido à alta definição de imagens Foto: Divulgação

A Sociedade Americana de Cirurgia Plástica Estética revelou que o número de operações estéticas nos Estados Unidos caiu 18% no último ano. Foram realizadas 1,9 milhão de cirurgias em 2009, contra 2,1 milhões em 2005

Um número pequeno, mas significativo de diretores e executivos de casting de Hollywood, está começando a adotar uma nova atitude em relação aos implantes de mama, ao uso da toxina botulínica, aos grandes lábios preenchidos com colágeno e à todas as intervenções estéticas consideradas exageradas. A informação foi destaque no The New York Times.

Segundo fontes do jornal, executivos de TV da Fox Broadcasting dizem que começaram a recrutar atores com uma aparência mais natural na Austrália e na Grã-Bretanha, porque “os amplamente dotados e de aparência jovem” que aparecem para os testes e audições em Los Angeles sofrem de um mesmo mal: a padronização de rostos e corpos.

Os agentes dos atores, especialmente das celebridades mais velhas, já estão desencorajando seus assessorados a fazer plásticas, pois eles estão perdendo postos de trabalho devido À aparência padronizada: pele demasiada tensa, inchada ou repleta de preenchimentos.

Parece que a poderosa indústria do cinema quer ver mais realidade na tela: um rosto e um corpo mais naturais. Outro exemplo desta nova tendência foi a última escolha de casting para mais um filme da série Piratas do Caribe. A Walt Disney Company determinou que apenas mulheres com seios naturais fizessem o teste de elenco.

Procedimentos estéticos não cirúrgicos e cosméticos com efeito lifting também estão sofrendo boicote. Em Avatar, grande sucesso em 3D do cinema americano, a produção não admitiu atores que tivessem aplicado a toxina botulínica no rosto, pois a alta definição de imagens poderia deformar a boca ou o rosto todo de um personagem.

Os homens não estão imunes às novas exigências para escolha de casting, mas são as mulheres que estão sendo analisadas mais de perto. Poucos em Hollywood estão dispostos a admitir a redução do queixo ou a elevação da sobrancelha. O assunto está virando um tabu entre as celebridades.

Para os brasileiros, este tipo de conversa pode parecer estranha, principalmente porque é originada num país onde a juventude e a perfeição são valores absolutos e  mesmo com a aparente canonização de atrizes mais velhas como Meryl Streep, Helen Mirren e Betty White.

A “guerra”, defendem os representantes da indústria cinematográfica, não é contra a cirurgia plástica, a aplicação da toxina botulínica ou contra os “supercosméticos rejuvenescedores”. O motivo de todo o barulho nos estúdios é a má execução destes procedimentos. É o excesso evidente em rostos e corpos.

Quando menos é mais

Desde meados do século XX, a cirurgia plástica tem se mostrado uma poderosa aliada de quem pretende disfarçar as marcas do tempo. Mas, na busca por uma imaginária juventude eterna, muitas pessoas  – mulheres, em esmagadora maioria – alteram o rosto de forma tão radical, ou com tanta frequência, que acabam se tornando uma caricatura de si mesmo.

– A era das intervenções radicais chegou ao fim. Hoje, as cirurgias plásticas evoluíram, são mais sutis e os resultados mais naturais. Envelhecer mal, com muitas rugas, não combina com o padrão da atualidade. Por isso, acho compreensível a ansiedade das mulheres na faixa dos 50 anos. A maior parte delas não está correndo desesperadamente atrás da juventude. Só quer envelhecer bem. O pedido mais comum é tirar o excesso do rosto que chama atenção negativamente – conta o cirurgião plástico Ruben Penteado, diretor do Centro de Medicina Integrada.

Segundo o cirurgião, nos liftings de antigamente, faziam-se longas incisões, de orelha a orelha, nas quais se puxava toda a pele para cima, resultando em testas enormes e sobrancelhas fora do lugar.

– Nas técnicas mais modernas de lifting, os cortes são menores. Além disso, em vez de puxar a pele, puxam-se o músculo facial e as estruturas gordurosas. Em seguida, a pele se adapta ao novo contorno do músculo – explica o médico, que é membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

A principal diferença das novas plásticas faciais com relação às antigas é o conceito. As incisões de hoje conservam no rosto parte das rugas e da flacidez, para que a diferença não resulte gritante.

– E como não existem pessoas sem rugas, com mais de 50 anos, suavizá-las é a melhor opção – defende Ruben Penteado.

Outra mudança importante em relação às plásticas faciais refere-se aos tipos de intervenções realizadas.

– Nem sempre é necessário intervir no rosto todo. Se apenas as sobrancelhas estão caídas, a indicação pode ser um lifting frontal. Se o rosto todo apresenta problemas, o ideal é o lifting facial, que pode ser acompanhado de um lifting no terço inferior para corrigir os contornos da mandíbula e do pescoço – conta Penteado.

Outra contribuição importante para o rejuvenescimento do rosto foi o aprimoramento da plástica nas pálpebras. É possível tirar as bolsas de gordura sem deixar cicatrizes, fazendo a incisão por dentro das pálpebras.

– Com essa técnica não há risco de o paciente perder o contorno original. O resultado final são olhos jovens, descansados e um aspecto muito natural – diz o médico.

Fonte: MW Consultoria

Leia mais
Comente

Hot no Donna