Depressão paterna: mudanças físicas e emocionais após o nascimento do bebê são comuns

Sentir euforia, ansiedade e ciúmes com a chegada do rebento é mais normal do que se imagina

Felizmente, a maioria dos homens consegue passar pelo período de adaptação à nova realidade sem traumas
Felizmente, a maioria dos homens consegue passar pelo período de adaptação à nova realidade sem traumas Foto: Stock Photos

O momento inspira renovação, envolvimento e carinho. A paternidade pode ser considerada uma possibilidade de driblar a finitude da vida e provar o gosto do amor incondicional. Mas nem tudo são flores, e os sentimentos relativos à mudança da condição de filho para pai são conflitantes.

Sentir euforia, ansiedade e ciúmes com a chegada do rebento é mais normal do que se imagina na vida dos homens. Outros sintomas, como enjoo, azia e quilos a mais, também são reações de pais no período que antecede a chegada do filho.

Embora pouco falada e admitida no meio masculino, a depressão pós-parto (DPP) tem deixado alguns homens atordoados. Estudo conduzido pela Escola de Medicina da Universidade da Virgínia (EUA) e publicado pelo The Journal of American Medical Association revela que a doença afeta pelo menos 14% dos pais norte-americanos. Para James Paulson, autor da pesquisa que contou com 28 mil participantes, o problema é mais comum entre o terceiro e sexto mês depois da chegada do bebê, período em que os sintomas são sentidos por 25% dos homens.

Alguns especialistas em saúde masculina, no entanto, garantem que, embora identificado como depressão pós-parto, o mal entre eles pode chegar antes do nascimento da criança. Fatores mentais, psicossociais e até físicos estão envolvidos. O psicoterapeuta americano Will Courtenay, que trabalha há 20 anos com saúde mental masculina, explica que eles sofrem muito com a perda afetiva da companheira. Segundo o especialista, à medida que a gestação avança, eles passam a considerar: “ganhei um filho, mas perdi a mulher”.

O ator Vinícius Ferreira, 34 anos, lembra bem a confusão emocional e a tristeza que sentiu quando o primeiro filho nasceu. Na época, ele acabara de completar 20 anos e confessa que não estava preparado para o momento.

– Foi um susto. Eu tinha uma banda de rock e muitas expectativas em relação à carreira artística. Não pensava em ser pai e nem era casado – diz Vinícius, que acredita que o problema afetou tanto o convívio com a parceira quanto o relacionamento com o filho.

Felizmente, a maioria dos homens consegue passar pelo período de adaptação à nova realidade sem traumas. A psicanalista Vera Iaconelli pondera que, por ser um momento de transformações, é natural que ocorram mudanças.

– Há uma necessidade de identificação com a parceira. Por isso, alguns engordam, sentem enjoos e azia. Eles querem tanto participar que acabam sentindo o mesmo que as mulheres – explica.

Segundo a especialista, já existem estudos que provam também que, quanto maior o envolvimento do homem na gestação, mais hormônios ele produz.

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