Dia da Mulher: especialista analisa as principais conquistas femininas das últimas décadas

Confira entrevista com Silvia Pimentel, presidente de comitê contra discriminação das mulheres

No Brasil, as mulheres têm remuneração em média 30% menor do que a dos homens
No Brasil, as mulheres têm remuneração em média 30% menor do que a dos homens Foto: Reprodução

Comemorado neste dia 8 de março, o Dia Internacional da Mulher traz à tona discussões sobre as conquistas e mudanças mais significativas pelas quais passaram as mulheres nas últimas décadas, desde a instituição da data.

Discutir as tendências esboçadas para a próxima geração e avaliar o passado é uma das questões apresentadas a especialistas (leia outras reportagens sobre o tema em Donna ZH). Abaixo, confira entrevista com a advogada Silvia Pimentel, do Comitê Latino-Americano e do Caribe para a Defesa dos Direitos da Mulher (CLADEM) Comissão de Cidadania e Reprodução (CCR), que assumiu este ano a presidência do Comitê sobre a Eliminação da Discriminação contra as Mulheres. Professora de Direito na PUC-SP, Silvia Pimentel integra o movimento de mulheres desde o final da década de 70.
 
Pergunta ? Na sua opinião, quais são os principais marcos e as maiores conquistas femininas, relacionadas à igualdade de gênero, nas últimas décadas?
Silvia Pimentel ?
Grandes foram as conquistas, muito especialmente na área legal: a Constituição de 1988, o Código Civil de 2002, várias modificações no Código Penal, por exemplo. Entretanto importa uma plena implementação destes direitos legalmente conquistados. A Lei Maria da Penha, de agosto de 2006, representa um marco histórico na luta contra a violencia contra a mulher. É uma das leis mais conhecidas do país o que representa uma vitória. Mas, é preciso que seja aplicada de forma mais consistente em todo o país. Tem havido algumas interpretações, como a de que a mulher necessita representar para que o processo, propriamente dito seja instaurado que prejudica o espírito da lei que é o da mais ampla garantia de prevenção, proteção e punição ao perpetrador de violencia

Pergunta ? Como a senhora avalia a questão do trabalho (rendimentos, presença feminina nos postos de comando, a ampliação da licença-maternidade e suas implicações) hoje e quais são as perspectivas para a geração que está agora no mercado de trabalho?
Silvia ?
Lamentavelmente o aumento dos índices de escolaridade das mulheres não levou a um equivalente quanto à sua participação no mercado de trabalho. Menos, ainda, quanto à sua presença nos postos de comando e decisão. Cabe aos nossos governantes, políticos e também à sociedade civil desenvolverem amplos esforços no sentido da conscientização da sociedade brasileira quanto aos estereótipos ainda impregnados nas mentes de homens e mulheres de todas as classes sociais,quanto a uma pseudo inferioridade feminina. Isto representa um mito nocivo e perverso que está sendo desmentido mas ao qual ainda muitos creem.

Pergunta ? Como a senhora avalia a representatividade política das mulheres hoje no Brasil? Quais são as perspectivas a curto e longo prazo? Uma maior representatividade feminina na política nos próximos anos dependeria em partedo desempenho de Dilma e equipe?
Silvia ?
A participação política das mulheres no brasil é uma das menores do mundo. è muito interessante termos uma mulher presidente e, mais ainda o fato de ser uma mulher inteligente, preparada, decidida e comprometida com toda a população brasileira e muito especialmente com a sua metade feminina. Não há dúvida que a imagem pública de uma mulher como Dilma poderá estimular a muitas mulheres a entrarem na política. Lembra-se quando ao ser eleita afirmou publicamente que todo pai e toda mão deveriam ohar nos olhos de sua filha e dizer: você pode!

Pergunta ? Tendo em vista tudo que já se conquistou e as conquistas que devem caber à geração de agora, quais, na sua opinião, serão as reivindicações das mulheres da próxima geração? Ainda serão as mesmas das mulheres de hoje, ou devem mudar a partir de um novo cenário?
Silvia ?
Não tenho dúvidas de que vencer estereótipos e preconceitos milenares necessitarão ainda várias gerações. É importante que isto fique bem claro para que não avaliem pobre ou equivocado o esforço notável do movimento de mulheres no mundo todo e no Brasil, durante as últimas 3, 4 décadas. Muito se fez, muito está se fazendo mas muito há que ser todavia feito. E, por várias gerações. Toda mudança ? e muito especialmente a da ideologia patriarcal ? requer muita garra, esforço e paciência.

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