Diploma mais flexível: MEC normatiza o mestrado profissional

Foto: Paulo Franken

A escolha certa por uma pós-graduação pode ser decisiva na carreira, e não faltam estilos, tipos e modelos disponíveis no mercado: das acadêmicas às de ensino a distância, todas com promessa de destaque para quem as tiver como referência.

Com o intuito de normatizar o leque de opções das pós existentes no mercado e abrir as possibilidades strictu sensu, o Ministério da Educação divulgou uma portaria que regulamenta a atividade de mestrado profissional, isto é, uma pós-graduação com carga horária mais flexível e com características diferentes das tradicionais acadêmicas. A modalidade existe no Brasil desde a década de 1990, mas só agora passa a ter regras sistematizadas.

Segundo a portaria, quem optar por essa alternativa poderá apresentar trabalhos de conclusão final com formatos distintos, como dissertação e produtos como um software, por exemplo. Além disso, os professores não precisam, necessariamente, ser doutores, podendo ser profissionais e técnicos com experiência em pesquisa aplicada e mercado.

– Oscar Niemeyer e Lucio Costa não são doutores, mas, quando você olha Brasília, vê que eles deveriam ser professores e passar o conhecimento que têm – defende Lívio Amaral, diretor de avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

Hoje, são mais de 2,8 mil mestrados, sendo que menos de 300 são profissionais.

– A normatização é mais que política, é necessidade. Precisamos formar quadros para trabalhar em todos os setores, além da academia – diz Amaral.

Com a portaria, o governo pretende não só aumentar a quantidade de mestrados profissionais, como elevar a ínfima participação de pós-graduados stricto sensu no mercado. De acordo com levantamento feito pelo Ministério de Ciência e Tecnologia, apenas 2% dos mais 200 mil mestres e doutores existentes no Brasil estão trabalhando em empresas.

– O mestrado profissional fica no meio termo entre o MBA e as pós acadêmicas – define Edson Crescitelli, diretor acadêmico da pós-graduação da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).

Dessa maneira, o público desse tipo de mestrado é composto por profissionais com o perfil não acadêmico, mas que ambicionam mais que um MBA ou especialização.

– O mestrado executivo acaba sendo mais profundo que o lato sensu – diz Marlos Lima, economista e consultor pela Fundação Getulio Vargas.

::: No Brasil, existem dois tipos de pós-graduação:

1. Latu sensu: conhecida como especialização ou MBA, designa todo e qualquer curso feito depois da graduação. Normalmente, os cursos de especialização têm objetivo técnico profissional específico, isto é, a meta é o domínio científico e técnico de uma certa e limitada área do saber ou da profissão, para formar o profissional especializado. A menor duração e o caráter prático fazem dessa modalidade a mais requisitada em empresas.

2. Stricto sensu: são as formações acadêmicas subdivididas em dois ciclos: o mestrado e o doutorado. A diferença entre os dois se dá quanto ao grau de profundidade dedicado à pesquisa. Embora representem um escalonamento na pós, esses cursos podem ser considerados relativamente autônomos. Isto é, o mestrado não constitui obrigatoriamente requisito para inscrição em um curso de doutorado.

::: A pós-graduação stricto sensu confere grau acadêmico, e a especialização concede certificado. A Capes lida, exclusivamente, com pós-graduação stricto sensu. Todas as informações sobre pós-graduação lato sensu são de competência da Secretaria de Educação Superior do MEC.

Preste atenção
Na hora de escolher a pós-graduação, diferentes variáveis devem ser levadas em consideração

::: Perfil pessoal
Se o interessado é mais ligado à acadêmica, o correto é se enveredar pelos caminhos do mestrado e do doutorado. Caso contrário, é bom começar com as especializações. O profissional deve ter em mente que o ambiente acadêmico é diferente do mercado, onde o que prevalece são pesquisas, estudos, conceitos.

::: Área
Profissionais de campos como saúde, biologia, história, física e química, por exemplo, têm na academia um respaldo crucial no currículo. Já em áreas como administração, direito, marketing e gestão, o aconselhável é começar por um MBA. Começando com uma especialização, a pessoa vai saber se tem aptidão acadêmica e se quer continuar estudando.

::: Perfil de mercado ou acadêmico
Quem está no mercado, pode, a princípio, buscar uma especialização, porque as empresas não têm diferenciações quanto ao tipo de pós realizada. Assim, terá mais tempo para se dedicar à empresa. É natural funcionários de uma empresa terem, no mínimo, dois MBAs, sendo que pelo menos um feito à distância. Nas pequenas e médias empresas, o número de pós-graduados tem crescido bastante graças às facilidades das pós e à acirrada concorrência.

Fontes: Edson Crescitelli, diretor acadêmico da pós-graduação da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), e Marlos Lima, economista e consultor pela Fundação Getulio Vargas (FGV)

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