Distimia: mau humor pode ser doença

Sintomas são mais leves que os da depressão

Zangado, o mal-humorado entre os sete anões da Branca de Neve
Zangado, o mal-humorado entre os sete anões da Branca de Neve Foto: Reprodução

Trânsito engarrafado, confusão no trabalho e fila de banco são apenas alguns dos motivos que levam milhares de pessoas a passar o dia de mau humor. Até aí, tudo bem. O problema é quando esse estado de espírito se estende por muito tempo, mesmo quando não há motivos aparentes. Nesse caso, a pessoa pode não ser simplesmente um mal-humorado, ou carrancudo, como costumam rotular, mas alguém que sofre de uma doença chamada de distimia.

A distimia é muito parecida com a depressão comum, com duas diferenças básicas. A principal é que os sintomas não se manifestam de maneira evidente (é como se fossem mais suaves), o que provoca a confusão entre a doença e o mau humor. Outro ponto é que a distimia dura muito mais tempo. Na depressão maior, os sintomas dificilmente perduram por mais de dois anos sem diagnóstico. Já na distimia, esse é o período mínimo para definir o quadro.

– Quem sente prejuízos frequentes provocados por mau humor e não sabe se está com a doença pode tentar prestar atenção na sua história de vida. Muita gente era alegre, extrovertida e aos poucos foi mudando a personalidade. Pode ser um sinal da distimia – explica Ana Filippon, da Associação de Psiquiatria do Rio Grande do Sul.

Ao procurar um médico, o paciente dá o primeiro passo para por fim a um problema que o perseguiria por muito tempo. Algumas pessoas começam a sofrer com a distimia na adolescência. Inicialmente, pensam que é da idade, mas o tempo passa e nada muda. Anos depois, ficam com a fama de mal-humorados e não conseguem aproveitar bem a vida.

O tratamento é feito com antidepressivos. De alguns anos para cá, ganhou espaço a psicoterapia como estratégia importante para a recuperação total, como explica a psicóloga Luciana Terra.

– Uma das linhas psicoterápicas é a terapia de orientação psicoanalítica, que se baseia na psicanálise, na noção da existência de conflitos inconscientes que contribuem para os sintomas. A ideia é tentar identificar eventos marcantes na vida da pessoa e sentimentos negativos associados, que colaboram para a distimia – relata.

Um exemplo clássico é o do pai autoritário ou da mãe omissa, casos que podem levar a um sentimento persistente de baixa autoestima e a uma sensação de impotência frente a eventos da vida. Na prática, o paciente imagina ser incapaz de ser amado pelas pessoas ou de conseguir uma promoção no trabalho.

Durante as sessões, ele percebe o problema, fala sobre ele, chora e cria um novo significado para sua história. Pouco a pouco, vai se recuperando da tristeza e reconquista a alegria perdida.

Para escapar da tristeza

– Por ser uma doença diagnosticada só depois de dois anos, a distimia também demora mais para ser curada em relação à depressão comum. É importante que o paciente seja perseverante até começar a sentir os primeiros resultados.

– Outra falha comum é que, como o tratamento é longo, muita gente deixa de tomar os remédios e para de ir às sessões de psicoterapia ao primeiro sinal de melhora, achando que está curada. Isso não pode acontecer. O tratamento deve ser seguido até o final para prevenir recaídas, frequentes nos casos de abandono.

– Estudos apontam que exercícios físicos são muito importantes para a recuperação. A atividade libera endorfina, uma substância que provoca boas sensações. Somado ao resto do tratamento, o esporte é um grande aliado.

– Nem todo mal-humorado tem distimia. Devem ficar preocupados aqueles que notam que o temperamento atrapalha o dia a dia, em relações familiares, no trabalho ou até mesmo no trânsito. Quando há prejuízo, é indicado buscar a ajuda de um profissional.

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