Dois solteiros convictos falam sobre as dores e as delícias de se manterem sozinhos

Escolha ou falta de opção: eis a questão!

A solteirice é escolha de vida para Amanda Miranda, pelo menos no momento...
A solteirice é escolha de vida para Amanda Miranda, pelo menos no momento... Foto: Rodrigo Philipps

Uma celebração à solteirice? Uma retaliação ao Dia dos Namorados? Para os mais supersticiosos, a data pode parecer até meio cabalística, mas o fato é que 13 de agosto é o Dia do Solteiro. É incrível como a escolha por viver sozinho, mesmo em tempos de relacionamentos considerados modernos ? casais vivendo em casas separadas, gente que abre mão do casamento e opta pela união estável e uniões homossexuais ? continua sendo cercada de pequenos tabus e vergonhas.

A ideia desta reportagem era fazer uma entrevista idêntica com um solteiro convicto de cada sexo. Por um golpe de sorte (ou não), nosso solteiro, Daniel Boppré, surgiu em alguns minutos. O desafio, então, era achar uma mulher, alguém que pudesse fazer um contraponto feminino e mostrar como cada um dos gêneros encara a solteirice. Começou o problema.

Algumas candidatas consideraram que, ao responder às perguntas  estariam se expondo demais e, por isso, declinaram do convite.

Foi quando Amanda Miranda apareceu. A descolada professora de 28 anos topou participar e nos ajudar a entender como é ser sozinho…ou sozinha.

:: “Custa entender que eu quero ficar sozinha?”

Você se considera uma solteira convicta? Por quê?

Sim! Porque não tenho vergonha de responder a perguntas do tipo: “e os namorados?”, “e casamento, pra quando?”, “não tem paquerinhas?”. Minha resposta é sempre a mesma: não tenho e não estou procurando.

Ser solteira é uma escolha de vida ou pura falta de opção?

No momento é uma escolha de vida. Quando você emenda namoros desde a adolescência, como foi o meu caso, às vezes não tem tempo para descobrir como a vida é boa quando se pode usufruir da liberdade irrestrita. Mas a solteirice também pode ser falta de opção, quando você não curte estar sozinha ou sente falta de um companheiro, mesmo que ele não tenha nada a ver com você.

Qual foi o último relacionamento que você teve? Quanto tempo durou? Por que terminou?

Foi um namoro que durou cerca de um ano e meio, acabou no início de 2010, por uma série de desgastes e incompatibilidades.

Você não sente falta daquele cobertor de orelha de vez em quando?

Não senti isso ainda. Acho que é porque tenho muitos amigos que não me deixam sozinha. Às vezes a pessoa certa pra gente não precisa ser um namorado. Pode ser alguém com quem você tenha afinidade e te complete de outras formas.

Qual a melhor e a pior coisa de ser solteira?

A melhor coisa é a liberdade. Fazer o que quer, a hora que quer. Planejar sua vida sem ter que precisar que alguém concorde ou discorde das suas escolhas. A pior coisa é o julgamento das pessoas. Custa entender que eu quero ficar sozinha?

Algo em sua vida contribuiu para a decisão de ficar solteira?

Olhar para o histórico dos meus relacionamentos e descobrir por quê não deram certo. Em todos, eu me privei da liberdade e acabei limitando, também, a liberdade dos meus parceiros. Hoje isso é o que mais prezo na minha vida.

O que um homem precisa ter para fazer você mudar de ideia?

Respeitar meu espaço. Gostar dos meus amigos. Ser maduro para entender que não existe amor perfeito e que é preciso saber lidar com os defeitos do outro.

Você tem vontade de ter filhos?

Não tenho. Mas costumo dizer que essa decisão não é irrevogável. Acho que a mulher solteira tem todo o direito de ser mãe.

:: Solteirice com orgulho

Você se considera um solteiro convicto? Por quê?

Nunca me rotulei como tal. São as pessoas mais próximas que te rotulam. Às vezes brinco com isso, mas penso que um dia terei uma mulher, família. Eu vejo como uma fase que estendi um pouco além dos limites socialmente aceitos. Mas sem nenhum problema, “fiquei pra titio” com o maior orgulho.

Ser solteiro é uma escolha de vida ou pura falta de opção?

Eu estou solteiro por um estilo de vida que ainda me é conveniente, mas que sei que não se perpetuará. Ainda acho melhor estar solteiro do que viver um relacionamento de mentira, onde há traição.

Qual foi o último relacionamento que você teve? Quanto tempo durou? Por que terminou?

Durou pouco, três para quatro meses e terminou porque os interesses mútuos extinguiram-se. Mas sempre fica algo bom. Vejo mais inconsequências em casamentos que duram um ou dois anos do que nisso.

Você não sente falta daquele cobertor de orelha de vez em quando?

Algumas pessoas tendem a achar que estar solteiro significa estar mal. Nada mais equivocado! Outras pessoas não vivem sem ter alguém, mesmo que seja uma relação “furada”, problemática. A solidão é da alma, ela pode bater mesmo cercado de pessoas, até mesmo casado. Já a solitude é saber viver consigo mesmo.

Qual a melhor e a pior coisa de ser solteiro?

Segundo alguns amigos, o melhor de ser solteiro é não ter ex-mulher. O pior é ir ao supermercado e não ter alimentos em porções individuais.

Algo em sua vida contribuiu para a decisão de ficar solteiro?

Nenhum grande trauma em si, mas as idas e vindas em relacionamentos rápidos e a dificuldade que tenho em me manter em um relacionamento por um período mais longo. Mas eu estou tentando, um dia eu acerto.

O que uma mulher precisa ter para fazer você mudar de ideia?

Paciência! A beleza pode me conquistar no primeiro dia, mas a confiança é mais demorado. Admiro também a mulher que faz a sua história, que trabalha ou se mobiliza em prol de seu crescimento como pessoa.

Você tem vontade de ter filhos?

Não tenho vontade extremada de ter filhos. A vontade de ter filhos deve vir como resultado de uma relação estável e verdadeira, como prova de amor e de continuidade na vida.

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