#Donnaviaja: De visitação noturna à harmonização com espumante, desvendamos os segredos do vinho brasileiro

Seja você um aficionado por vinho ou somente um apreciador comum, como nós, já ouviu frases como estas:

– Vinho brasileiro não é bom, não adianta.

– Vinho brasileiro é tri bom.

– Espumante brasileiro é ótimo.

– Não tem jeito, espumante brasileiro nunca chega aos pés do champanhe.

Cansados de não saber em quem acreditar e certos de que há muito mais no vinho brasileiro do que mostram as aparências e as crendices, resolvemos arregaçar as mangas e tirar a limpo essa velha dúvida. Como fazemos isso? Do único jeito que sabemos, com uma boa e velha reportagem. E é isso que estamos fazendo agorinha em algum ponto da Serra Gaúcha, a maior região vinícola do país e de onde sai mais de 90% de todo o vinho fabricado no país.

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Há quem pense que brasileiro não é grande bebedor de vinho. E há verdade nisso. Nosso consumo per capita é modesto, apenas 2,2 litros por ano – os franceses, campeões mundiais, bebem impressionantes 47 litros por ano. Mas estamos crescendo. À medida que ganhamos mais intimidade com o universo do vinho, mais queremos conhece-lo, o que estimula o consumo. E não estamos falando de enochatismo, não. Para entrar neste tal universo do vinho basta abrir uma garrafa, servir na taça e desfrutar. Simples assim.

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Bem, para desvendar o mistério e revelar o segredo do vinho brasileiro, começamos nossa aventura por Garibaldi, a terra do espumante, o lugar onde a bebida nasceu em terras brazucas. No final do século 19, imigrantes italianos chegaram na Serra e começaram a produzir vinhos, como faziam em sua terra natal. Um certo Manoel Peterlongo, homem de bom gosto que havia chegado da Itália para fazer a vida no Brasil, decidiu produzir espumantes nos moldes que se fazia na Europa. Era o início de um sonho que foi realizado pelo filho dele, Armando Peterlongo, que transformou a vinícola em uma potência.

As antigas caves subterrâneas da vinícola hoje são atração turística com suas velhas e empoeiradas garrafas

As antigas caves subterrâneas da vinícola hoje são atração turística com suas velhas e empoeiradas garrafas

Toda essa história pode ser conferida na tradicional visita à vinícola, que, agora, de tradicional não tem mais nada. Tudo por que pode ser feita à noite. Enquanto todo mundo faz check-in nos pontos de encontro da Serra durante o horário comercial, os visitantes da Peterlongo podem optar pela noite para conhecer a estrutura do castelo onde a família ergueu seu império. Basta agendar com antecedência e combinar o conteúdo do tour, que pode ter degustação e até jantar.

A visitação noturna começa na frente do castelo erguido no início do século em Garibaldi

A visitação noturna começa na frente do castelo erguido no início do século em Garibaldi

Gente como a rainha Elizabeth, da Inglaterra, foi recebida no Brasil com o champanhe Peterlongo como a bebida oficial da recepção. Daí você vai dizer: champanhe não! Champanhe é só o que é feito na região de Champanhe, na França! Sim, você está certo (em parte). Champanhe é uma denominação de origem que designa o vinho espumante feito na região francesa de mesmo nome. A vinícola gaúcha, porém, obteve autorização da Organização Mundial do Comércio para utilizar este nome em alguns de seus produtos, pois já os chamava assim antes da legislação que restringia o nome ser aprovada internacionalmente.

Nos pupitres localizados nos subterrâneos da vinícola repousam as garrafas do espumante feito pelo método champenoise

Nos pupitres localizados nos subterrâneos da vinícola repousam as garrafas do espumante feito pelo método champenoise

Então, podemos continuar tomando nosso champanhe sossegados. O nome, porém, pouco importa. Seja champanhe ou somente espumante, o fato é que as bebidas produzidas por aqui são realmente surpreendentes. Fariam boa impressão no velho monge Don Pérignon, que no século 15 descobriu, por acaso, que alguns de seus vinhos criavam borbulhas de gás carbônico com a fermentação. Na época, ao provar um desses vinhos, ele teria dito que aquilo era como beber estrelas. Imagine se ele provasse o nosso espumante…

Estrela também foi Ana Beatriz Peterlongo, neta de Armando, rainha da primeira Fenachamp. A foto é uma reprodução da imagem exposta no museu montado no interior da vinícola

Estrela também foi Ana Beatriz Peterlongo, neta de Armando, rainha da primeira Fenachamp. A foto é uma reprodução da imagem exposta no museu montado no interior da vinícola

A Peterlongo, depois de décadas produzindo bebidas de alta qualidade e reconhecimento internacional, sofreu com a perda de seu fundador e com problemas administrativos. As dívidas acumularam-se e a qualidade dos produtos passou a ser questionada. Até que novos investidores recuperaram o controle e a saúde financeira da empresa centenária. Hoje, a vinícola trabalha para recuperar o prestígio de sua marca apresentando produtos vinificados com esmero e tecnologia. Exemplos foram os que a reportagem de Donna degustou na noite de ontem, durante um jantar harmonizado oferecido na vinícola.

É difícil a vida da reportagem...

É difícil a vida da reportagem…

Você imagina que tudo isso aí harmonizou com espumante? Sim! Aliás, #ficaadica: espumantes são os coringas da harmonização. Eficazes para limpar o paladar entre um prato e outro, eles também podem ser a bebida principal, como foi o caso da nossa experiência.

O Champanhe Elegance Brut foi uma das estrelas da harmonização, servido com codorna desossada em cama de polenta com provolone. Nham!!

O Champanhe Elegance Brut foi uma das estrelas da harmonização, servido com codorna desossada em cama de polenta com provolone. Nham!!

E está aí o primeiro segredo que descobrimos sobre o vinho brasileiro: a versatilidade. Tem vinho para todos os gostos, pratos e bolsos. Quem diria que uma sequência de quatro espumantes poderia dar conta de um menu tão extenso?

Esta foi recém a primeira descoberta. Temos mais quatro dias pela frente para desbravar os recantos da Serra em busca de vinhos, sabores e, principalmente, de histórias.

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