#Donnaviaja: um roteiro que mostra as histórias de trabalho e família por trás do vinho brasileiro

Para quem acha que vinho é coisa glamorosa que requer pompas e rituais, um roteiro na Serra Gaúcha é o passeio ideal para desmentir essa lenda. Trazido ao Brasil pelos imigrantes (primeiro os portugueses, na época da colonização, e depois os italianos), o hábito de fabricar e beber vinho é universal e ancestral. As famílias mais simples, de gente que veio ao país para trabalhar com a terra, foram responsáveis por dar início à atividade vitivinícola em terras brazucas.

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Com o objetivo de descobrir as origens simples e verdadeiras do vinho brasileiro é que embarcamos no nosso segundo dia de viagem pela Serra. Durante o roteiro, descobrimos mais um segredo do vinho brasileiro: ele não é coisa de gente esnobe. É a vida de pessoas que ainda hoje cultivam a terra e lidam com os elementos oferecidos pela natureza.

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Bem cedinho, desembarcamos na Cooperativa Vinícola Aurora, que fica no Centro de Bento Gonçalves. Difícil alguém que tenha crescido no Rio Grande do Sul e nunca tenha visitado com a família ou ao menos ouvido falar dela. Uma das primeiras empresas a fabricar vinho, a Aurora é, na verdade, uma cooperativa, que recebe uvas de 1100 famílias produtoras de todo o entorno da Serra. São 65 milhões de quilos de uva recebidos em cada safra, que se transformarão em 50 milhões de litros de vinho e suco.

– O cooperativismo é a essência do nosso negócio. Trabalhamos junto com as famílias associadas para a produção, elevando a qualidade dos produtos gaúchos e mantendo as pessoas no campo com dignidade – comenta a gerente de Marketing, Lourdes Silva.

Na Aurora, vinhos ainda são armazenados em barricas antigas de madeira

Na Aurora, vinhos ainda são armazenados em barricas antigas de madeira

Primeira a abrir as portas para o enoturismo, a Aurora está sempre cheia de gente querendo descobrir os segredos do nosso vinho. Durante a visita, é possível conhecer alguns dos 232 rótulos fabricados ali. No labirinto de túneis, entre pipas cinquentenárias e a moderna tecnologia de vinificação, o turista vai aprendendo mais sobre a delicada arte de transformar um produto do campo no líquido precioso.

A vinícola possui uma moderna sala de degustação onde são realizados os encontros e cursos

A vinícola possui uma moderna sala de degustação onde são realizados os encontros e cursos

Depois de perambular pelas instalações e ouvir explicações sobre todas as etapas do processo, todo mundo é encaminhado para a degustação dos produtos, que é livre e gratuita em todos os passeios. Para os que desejam uma experiência mais intensa com os vinhos, basta agendar uma degustação orientada ou fazer um dos cursos oferecidos regularmente pela equipe de enólogos e sommeliers.

Nossa chegada à Estação Experimental da Aurora em Pinto Bandeira teve este cenário

Nossa chegada à Estação Experimental da Aurora em Pinto Bandeira teve este cenário

Nos despedimos da cantina histórica, fundada em 1931, mas ainda não deixamos a Aurora. Agora é hora de conhecer o único vinhedo próprio da vinícola, que fica no município vizinho de Pinto Bandeira, na rota de Vinhos de Montanha, aonde se chega facilmente de carro. Na estação experimental são plantadas apenas algumas cepas, como chardonnay e pinot noir, utilizadas para a fabricação de vinhos e, principalmente, espumantes. Com um espaço para eventos e degustações e uma paisagem deslumbrante a mais de 700 metros de altitude, o local é ideal para aprender mais sobre os vinhos e para passar uma tarde agradável junto à natureza. Lá, harmonizamos os rótulos da Aurora com churrasco – o que não poderia ser mais simples e autêntico. E saboroso, claro.

Em meio à natureza, um casarão abriga eventos, almoços e degustações especializadas

Em meio à natureza, um casarão abriga eventos, almoços e degustações especializadas

 

Um dos tintos que degustamos durante o almoço foi o Aurora Millesime 2011, que harmonizou perfeitamente com o churrasco

Um dos tintos que degustamos durante o almoço foi o Aurora Millesime 2011, que harmonizou perfeitamente com o churrasco

Partimos de Pinto Bandeira em direção ao mais emblemático e conhecido local de produção de vinhos no Estado: o Vale dos Vinhedos. Nosso destino é a Vinícola Miolo, uma das maiores do país a fabricar exclusivamente vinhos finos, que possui plantas em praticamente todos as regiões vinícolas do país. Em meio ao histórico vinhedo localizado no Lote 43, o primeiro adquirido por Giuseppe Miolo, o patriarca da família, ouvimos um pouco da história do vinho por aquelas bandas.

– Hoje trabalhamos com a viticultura de precisão, que é a análise minuciosa dos solos para o plantio correto das uvas. Mas esse salto de tecnologia e conhecimento que ganhou o vinho brasileiro é recente. Por isso nossos produtos melhoraram tanto. Ainda estamos descobrindo as possibilidades do solo e o que as uvas podem nos dar aqui – explica o superintendente e enólogo, Adriano Miolo.

Turistas ouvem a explicação sobre o plantio dos vinhedos em meio ao Lote 43, na Miolo

Turistas ouvem a explicação sobre o plantio dos vinhedos em meio ao Lote 43, na Miolo

No passeio pelos parreirais, o visitante depara-se com os muitos estágios de desenvolvimento das videiras, que dependendo da estação do ano podem estar em dormência, sem uma folhinha sequer, em brotação, como o que vimos, ou em plena produção, durante o verão. Outro espetáculo oferecido pela natureza é a floração das roseiras, plantadas estrategicamente próximas aos vinhedos. Elas são um chamariz para as pragas que poderiam atacar os vinhedos. Caso alguma doença ou parasita ataque a roseira, os agrônomos têm tempo de tomar as providências para que o problema fique longe das vinhas.

O espetáculo das roseiras floridas nos parreirais

O espetáculo das roseiras floridas nos parreirais

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De instalações modernas, a Miolo tem uma estrutura completa para o enoturismo, desde os passeios orientados para grupos até degustações especializadas, com os enólogos da casa. Durante esta reportagem, Donna participou de uma rodada de degustação de produtos fabricados em todos os locais do país onde a Miolo possui plantas: desde o Vale dos Vinhedos, passando pela Campanha, Campos de Cima da Serra até o Vale do São Francisco, no Nordeste.

Na cantina da Miolo, os vinhos envelhecem em barricas de carvalho

Na cantina da Miolo, os vinhos envelhecem em barricas de carvalho

Para visitar e conhecer mais sobre esta linda história, basta agendar a visita e aproveitar.

Um dos tintos que degustamos na visita à Miolo foi o Sesmarias, elaborado na Campanha. Um grande vinho

Um dos tintos que degustamos na visita à Miolo foi o Sesmarias, elaborado na Campanha. Um grande vinho

Amanhã seguimos viagem por mais destinos na Serra Gaúcha, em busca do segredo e da essência do vinho brasileiro.

 

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