É mito: xampus não perdem o efeito depois que o cabelo se “habitua” ao produto

Mulheres estão expostas a 515 substâncias químicas diferentes todos os dias

Especialistas indicam que não é preciso trocar os produtos com frequência
Especialistas indicam que não é preciso trocar os produtos com frequência Foto: Divulgação

Eis aqui uma proposta: olhe atentamente para sua prateleira de produtos de banho no box do banheiro e conte quantos xampus, condicionadores, máscaras de tratamento, esfoliantes, óleos, sabonetes e outros companheiros de beauté você coleciona por lá. Mude agora para a pia. Cremes para pentear, hidratantes corporais, protetor solar, cremes faciais, desodorantes e, se você for das mais vaidosas, encontrará por lá também cremes para os pés, mãos, unhas

A matemática começa a ficar complicada. No fim das contas, se você colocar na ponta do lápis de quantos produtos é feita sua vaidade pode ser até que se assuste com o resultado. No início do ano, pesquisadores ingleses calcularam que as mulheres se expõem, em média, a 515 substâncias químicas diferentes todos os dias ? todas presentes em cosméticos e maquiagens.

A verdade é que não é só no bolso que pesa a vaidade. Se expor a tantos compostos diferentes estranhos à pele e ao organismo ao longo da vida pode também ter um custo à saúde e, por que não, à própria aparência.

? Cosméticos têm a capacidade de se acumularem na pele. Quanto mais usamos, mais absorvemos seus compostos. A dica é prestar atenção ao rótulo e evitar substâncias contraindicadas ? alerta o cosmetologista e pesquisador Maurício Pupo.

Todo mundo já passou por isso. Compra um xampu novo e pensa que finalmente encontrou a fórmula certa para manter os fios bonitos e saudáveis, já que o antigo deixava o cabelo pesado e sem vida. A explicação mais óbvia é que o cabelo, então, deve ter se acostumado com o xampu anterior, certo? Segundo Luciano Barsanti, médico e presidente da Sociedade Brasileira de Tricologia, essa é uma das queixas mais frequentes dos pacientes em seu consultório, embora não faça muito sentido.

?- Isso é um dos maiores mitos quando o assunto é cabelo – resume. ? O que acontece é que a pessoa deveria estar usando um produto inadequado e encontrou um que se adaptou melhor às necessidades dos cabelos dela.

A história de que é necessário trocar periodicamente de xampu, portanto, não procede ? a não ser que exista uma indicação clínica, como uma dermatite ou uma queda acentuada dos fios, por exemplo.

? O bom é não trocar. A troca de xampu sempre implica contato com novos agentes químicos que podem, isso sim, irritar o couro cabeludo, em vez de tratá-lo ? alerta. E já que o jeito é se apegar a uma boa dupla de xampu e condicionador, a escolha do produto certo é essencial tanto para a saúde quanto para a beleza dos fios, como complementa o hair stylist Alexandre Vianna.

? É muito comum, no salão, mulheres reclamarem que o xampu está fazendo mal para o cabelo quando, na verdade, era tudo uma questão de adequação do produto. Muita gente não sabe que tipo de cabelo tem ? reforça.

Mesmo assim, existe uma explicação para quando a sua escolha, que antes parecia um elixir milagroso, deixa de funcionar. Mas ela nada tem a ver com cabelos “acostumados” ao produto.

? Pode ser que, ao longo da vida, o cabelo mude de aspecto, principalmente em períodos de alterações hormonais, como na puberdade ou no climatério. Aí, sim, é hora de reavaliar e mudar o xampu para o mais adequado naquele momento ? esclarece Barsanti.

O uso indiscriminado de produtos tem consequências imprevisíveis. Fios sem vida, por exemplo, podem ser culpa sua.

? Muitas mulheres não retiram todo o condicionador no enxágue. O resíduo faz com que, ao longo do tempo, os cabelos fiquem com pontas duplas ? esclarece o cabeleireiro Marcos Proença, de São Paulo.

Nesse caso, só um xampu de limpeza profunda ? conhecido também como antirresíduos ? para reverter o quadro. O tricologista Luciano Barsanti explica que os condicionadores não devem, de forma alguma, serem aplicados na raiz dos fios.

? Uma das funções do condicionador é de vedar os poros dos fios. Quando é usado no couro cabeludo, ele obstrui o óstio capilar (orifício por onde nasce o fio) e pode levar a uma inflamação que, se não tratada, pode até ocasionar a perda definitiva do fio.

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