Elas cantam em qualquer freguesia: Norah Jones, Macy Gray e Roberta Flack em novos discos

Três discos que testemunham os talentos de divas capazes de encantar sempre - seja qual for a freguesia em que estejam cantando.

Norah Jones (foto), Macy Gray e Roberta Flack lançam discos de tributos a grandes nomes
Norah Jones (foto), Macy Gray e Roberta Flack lançam discos de tributos a grandes nomes Foto: Frank Ockenfels

As diferenças podem ser muitas, mas essas três cantoras americanas também têm coisas em comum: donas de vozes com timbres marcantes, Macy Gray, Norah Jones e Roberta Flack em geral escrevem as músicas que cantam – mas também gostam de interpretar composições de outros autores. Os mais recentes discos dessas vocalistas são tributos a gêneros e artistas cujas influências de alguma maneira sempre estiveram presentes em suas carreiras. Macy deixa de lado a autocitação – mas só um pouco – para regravar sucessos do rock, do pop, do soul e do rap; Norah voltou a reunir-se com os músicos da banda The Little Willies e revisitou outro punhado de temas country; Roberta arriscou-se a dar uma roupagem de black music aos clássicos dos Beatles.

Aos 44 anos, com 15 milhões de discos vendidos e um Grammy em cima da lareira, Macy Gray colocou sua singular voz rascante a serviço das canções alheias em Covered, apropriando-se de um repertório bastante diverso daquele de seus cinco álbuns anteriores. No entanto, basta soarem os primeiros versos de qualquer faixa para ficar evidente que a canção passou a ter um novo dono.

Já Norah Jones explora mais uma vez sua veia country em For the Good Times, segundo CD ao lado do grupo The Little Willies. Um dos maiores fenômenos da indústria fonográfica dos anos 2000, com 20 milhões de cópias vendidas e cinco Grammy no currículo, a cantora e pianista de 33 anos prova outra vez que sua voz aveludada também foi feita para trinar a boa música caipira americana.

Finalmente, depois de quase 10 anos sem lançar um trabalho de estúdio, a dona de um dos vocais mais afinados da década de 1970 debruça-se sobre o tesouro dos Fab Four e garimpa um punhado de pérolas em Let It Be Roberta – Roberta Flack Sings The Beatles.

A versatilidade de Macy Gray

Macy Gray – cujo registro remete à cultuada Billie Holiday – transforma 10 temas de rock, pop e rap em envolvente música soul no ótimo disco Covered (LAB 344, R$ 30, em média). A seleção reúne sucessos radiofônicos como Here Comes the Rain Again (Eurythmics), Creep (Radiohead), Teenagers (My Chemical Romance) e Maps (Yeah Yeah Yeahs). O ecletismo de Macy vai do pop fofo de Colbie Caillet – a versão de Bubbly, dividindo os vocais com o ator e diretor inglês Idris Elba, é um dos melhores momentos do álbum – ao peso do Metallica (Nothing Else Matters), passando pelo indie rock da banda Arcade Fire (Wake Up).

A cantora não deixou de lado o característico tom debochado: o CD inclui vinhetas com Macy conversando com outros artistas, como a linda Nicole Scherzinger, que mostra à amiga como “quebrar a voz” imitando Britney Spears, Shakira e Alanis Morissette – “Os fãs canadenses vão adorar”, aconselha a ex-vocalista do grupo The Pussycat Dolls.
 
Os bons tempos de Norah Jones

Quando estourou, há 10 anos, com o ótimo Come Away with Me, Norah Jones foi apresentada como a salvação do jazz. Mas era só escutar bem a cantora e pianista para ouvir também ecos claros da música country. Norah escancarou essa paixão em 2006 com o primeiro disco do quinteto The Little Willies – formação que volta em For the Good Times (EMI Music, R$ 30). As 12 faixas são uma espécie de songbook da música caipira americana, com baladas e temas dançantes de ídolos do gênero, como Loretta Lynn, Willie Nelson, Johnny Cash, Kris Kristofferson e Dolly Parton. Dividindo vocais com o violonista Richard Julian, Norah e sua banda acrescentam um toque jazzy e sofisticado a canções que poderiam soar cafonas e antiquadas, como I Worship You e Diesel Smoke, Dangerous Curves. Mas a inquieta Norah Jones desafia os rótulos e acaba de lançar também Little Broken Hearts (EMI Music, 12 faixas, R$ 30), climático disco pop concebido e produzido com Brian Burton – mais conhecido como Danger Mouse.
 
A alma dos Beatles por Roberta Flack

No encarte de Let It Be Roberta – Roberta Flack Sings The Beatles (LAB 344, R$ 28), a cantora americana aparece numa foto ao lado de John Lennon e Yoko Ono. A grande intérprete, sucesso no mundo inteiro nos anos 1970 com hits como The First Time Ever I Saw your Face, Killing Me Softly with his Song e The Closer I Get to You, embarcou num projeto arriscado: regravar 12 músicas dos Beatles. Pois Roberta venceu o desafio com estilo, acrescentando uma marca pessoal a um repertório tão revisitado.

A voz quente, afinada e ainda jovem da artista, apesar dos 75 anos, ganha destaque ao violão em Hey Jude, enquanto seu suingue embala We Can Work It Out, transformada em um r&b tradicional. Já Let It Be virou uma balada soul e Oh Darling, um blues A sonoridade pop black domina The Long & Winding Road e o r&b contemporâneo e dançante I Should Have Known Better – uma das faixas produzidas por Sherrod Barnes, que já trabalhou com Beyoncé. O álbum termina em tom suave e jazzístico com uma versão ao piano de Here, There, and Everywhere, gravada ao vivo no Carnegie Hall, em 1972.

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