Em novo livro, Luis Fernando Verissimo conta a aventura de detetives atrapalhados

Jennifer Lopez e o atual marido, Marc Anthony
Jennifer Lopez e o atual marido, Marc Anthony Foto: Reprodução, O Globo

Um é formado em Letras e trabalha como editor – mas bebe para esquecer. Outro é um revisor que acha que as mulheres inteligentes são a ruína do homem. Há ainda um professor charlatão e um sujeito que virou best-seller com o livro Astrologia e Amor. Juntos eles afogam as suas – muitas – mágoas no Bar do Espanhol. E viram detetives quando o primeiro recebe os originais de um livro que descreve um iminente suicídio numa cidadezinha do interior gaúcho.

A trama de Os Espiões, sexto romance de Luis Fernando Verissimo e o primeiro que ele publica pelo selo Alfaguara da editora Objetiva, não é, segundo ele próprio, uma crítica a intelectuais ou ao mercado editorial. Verissimo também não acha adequado dizer que Frondosa, a tal cidadezinha, da forma como a descreve, representa o que seria a cultura do Interior. Quis fazer um exercício, explica, em que indivíduos porto-alegrenses, “letrados, frustrados e medíocres”, dão de cara com uma realidade que os derrota.

Se em outras de suas histórias policiais, a exemplo das aventuras de Ed Mort, a inspiração do autor foram os livros norte-americanos de detetives como os de Raymond Chandler, agora Verissimo homenageia o politizado John Le Carré. O registro que remete ao autor britânico, no entanto, logo se desloca para o velho humor escrachado – embora as descrições como a da vida em Frondosa, com suas microcelebridades excêntricas e a mania pelo futebol de salão, remetam às comédias de costumes.

– Na verdade não acho que seja uma homenagem ao Le Carré – afirma Verissimo. – Minha ideia era justificar a ação do narrador deixando claro que ele é fã desse autor e do gênero espionagem. Não fosse isso ele não teria uma razão lógica para fazer o que faz, além de suas frustrações. Também não acho que Os Espiões seja um livro de humor. Para ser sincero, não sei bem o que ele é.

Ariadne, a personagem que ameaça se matar – porque seu marido a reprime e já teria assassinado seu amante –, é disléxica. O editor, que em Os Espiões é também o narrador, e que, por assim dizer, tem problemas com vírgulas, apaixona-se pelo jeito com que ela conta essa história graças a essa coincidência e também porque ela o faz se sentir como uma espécie de deus – Ariadne é um nome que remete à mitologia clássica: abandonada por Teseu, ela é salva do suicídio por Dionísio, o deus grego do prazer, da celebração.

As referências eruditas, das quais Os Espiões está cheio, são uma diversão a mais para o leitor mais atento e em nada comprometem o entendimento da história, narrada com linguagem bem simples. Como sempre, é com habilidade que Verissimo conecta mundos aparentemente tão distantes – mas em realidade, devido a posturas como a de seus detetives trapalhões, mais próximos do que se imagina.

Os Espiões já está nas livrarias.

Leia mais
Vídeos recomendados
Comente

Hot no Donna