Em SP, Lily Allen empolga e faz a garotada dançar

Lily Allen usou maquigem com cores do Brasil
Lily Allen usou maquigem com cores do Brasil Foto: Ego, Reprodução

E não é que a cantora Lily Allen, essa espécie de irmã caçula da Melanie Griffith, conseguiu se reinventar? Há dois anos, esteve cantando no Brasil no festival Planeta Terra. Estava bêbada, baranga, balãozinho, dançava mal, se vestia mal, a voz era inaudível, fumava feito chaminé e se sustentava apenas com dois ou três hits infanto-juvenis no palco.

De volta ao Brasil, ontem, dia 16, em São Paulo, a inglesinha era outra mulher. Desembarangou, ficou sóbria, magrinha, elegante, sexy e incorporou variedade, elegância, postura e diversão ao seu repertório. E trouxe uma banda afiada a tiracolo.

Cabelo atado no cocuruto com um bastãozinho, shortinho azul levemente almofadado nas nádegas (tipo roupa de goleiro), malha com blusinha de alça por baixo e salto alto, Lily já começou lembrando da última apresentação no País e prometendo que a noite seria bem melhor do que a anterior.

Prometeu e cumpriu. Tomando refrigerante de canudinho num copo do tipo McDonald’s, dançando pelo palco enquanto disparava distorções num console parecido com o do velho Atari e fumando um cigarro falso de pilha com uma luz acesa na ponta (“Cigarro eletrônico”, explicou, mostrando que conhecia a nova lei antifumo de São Paulo), Lily detonou.

O show começou pouco depois das 22 horas. Não estava lotado, tinha cerca de 4 mil pessoas – o preço dos ingressos talvez esteja assustando fãs de todos os quadrantes (tinha ticket de até R$ 280). A legião de meninas com idade média de 14 anos se esgoelava para acompanhar sua saltitante líder, que tinha pintado numa das faces uma faixa verde-amarela.

No meio do show, ela já tirava o salto alto e colocava um par de tênis trazido por um segurança. Comemorou o fato de estar fazendo show em uma casa fechada, com teto e pista, em vez de ao ar livre num festival, como de hábito. Dançou com graça, cantou sentada na beira do palco (como se conversasse diretamente com os fãs), deu risadinhas marotas como uma fada da Disney ao microfone.

– Podem me fazer um favor? – pediu à plateia, com os dentes arreganhados, antes de cantar Smile. Alguém lançou para ela uma espécie de saída de banho estampada com bandeiras do Brasil, e ela se cobriu com aquilo e circulou pelo palco.

Filha do controvertido ator Keith Allen (que confessou publicamente que usava a filha bebê para vender drogas quando esta tinha 8 meses), ela chamou ao palco o tecladista Eddie Jenkins e dedicou ao velho a canção He Wasn’t There, que tem uma levada jazzística, e que tocou acompanhada apenas do guitarrista e do tecladista no palco. A vozinha de criança vira trunfo no diálogo face to face com os fãs.

O set final de Lily Allen foi matador. Ela terminou o primeiro bloco com The Fear, um electropop turbinado no qual mostrou a barriga ao público e que finalizou fugindo para as coxias com seu console de distorção. Ao voltar, emendou com Womanizer, maior sucesso de Britney Spears, vitaminada por um componente punk (a outra cover da noite foi Oh My God, do Kaiser Chiefs).

Ao final, Lily regeu um exército de seguidoras de dedo médio em riste durante a execução da música Fuck You, que dedicou ao ex-presidente americano George W. Bush. O teclado Yamaha de Eddie Jenkins funciona como um elemento de sincronização da festa pop de Lily Allen, passando de xilofone a dub, de drum’n’bass a solo romântico. E o concerto entra para a lista dos shows mais divertidos do ano.

A última música foi uma versão remix de It’s Not Fair, com um ataque camicase da banda, ultradançável, ultradivertida, ultrapop. Lily Allen deu uma prova de que, no mundo pop, só está morto quem joga a toalha antes da hora.

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