Endometriose é um dos problemas de saúde mais comuns entre as mulheres

O estilo de vida da mulher moderna, o estresse e a ansiedade podem estar ligados ao desenvolvimento da doença

Cerca de 176 milhões de mulheres sofrem de endometriose no mundo
Cerca de 176 milhões de mulheres sofrem de endometriose no mundo Foto: Stock Photos

A endometriose é uma doença caracterizada pela presença de endométrio fora do útero. Essa camada, que reveste internamente a cavidade uterina e é renovada mensalmente por meio da descamação ? quando acontece a menstruação ? , pode alcançar a cavidade pélvica e abdominal, por motivos diversos, gerando a doença, que, nos piores casos, atinge também os ovários, as tubas e outros órgãos como o intestino e a bexiga.

Não se sabem ao certo as mulheres que têm maior chance de desenvolver a doença, mas é fato que parte delas sofrem do mal por susceptibilidade genética, ou seja, quem tem algum parente de primeiro grau com o diagnóstico de endometriose tem grandes chances de vir ter a doença. A nuliparidade ?, ou seja, mulheres que ainda não tiveram filhos, principalmente as acima de 30 anos ? também é uma causa recorrente, assim como o estresse, a ansiedade e a mal formação uterina.

Segundo estimativas do World Endometriose Research Foundation, cerca de 176 milhões de mulheres sofrem de endometriose no mundo. Os custos de saúde relacionados à doença, abrangendo perdas da capacidade laboral, chegam a ser superiores a 4.000 dólares por paciente por ano. Nos Estados Unidos, esse gasto está estimado em 20/25 bilhões de dólares para os próximos anos.

“A doença afeta mais mulheres em idade reprodutiva e representa uma das principais causas de infertilidade feminina, correspondendo a cerca de 30% dos casos de infertilidade nas mulheres. Mais de 7,8 milhões de mulheres nos Estados Unidos sofrem com os sintomas relacionados com a endometriose, que incluem dor pélvica crônica, dismenorréia e infertilidade. No Brasil, 6 milhões de mulheres são portadoras do distúrbio, que já é considerado um problema de saúde pública”, explica o ginecologista, Prof. Dr. Joji Ueno, diretor do Instituto de Ensino e Pesquisa em Medicina Reprodutiva de São Paulo.

Liberadores do hormônio GnRH, progestágenos, anti-inflamatórios não-esteróides e  contraceptivos são as principais opções terapêuticas disponíveis para o tratamento da doença. “Mas o futuro pode ser mais promissor para as portadoras de endometriose, pois estão sendo realizados  investimentos em diversas pesquisas no tratamento da doença, tanto no campo cirúrgico, quanto no da assistência farmacêutica. Por isto é tão importante que o ginecologista busque estar atualizado sobre a moléstia”, destaca o especialista.

Além do investimentos no desenvolvimento de alternativas terapêuticas, os mitos sobre a doença estão sendo dissipados. “Métodos alternativos estão sendo mais aceitos entre os médicos para fazer diagnósticos menos invasivos – como o emprego de uma ressonância magnética de última geração ? e a adoção de marcadores genéticos e biomoleculares para faciliar o diagnóstico”, diz Joji Ueno.

No Brasil, as universidades federais de São Paulo (Unifesp) e do Maranhão (Ufma), pesquisam o emprego do fitoterápico “unha-de-gato” no tratamento das lesões causadas pela endometriose. Uma outra linha de pesquisa, desenvolvida na Unifesp, aponta que há mutações genéticas envolvidas na endometriose. Uma delas, chamada de P27, foi descoberta pela equipe do pesquisador Eduardo Schor, coordenador do ambulatório de endometriose e dor pélvica da Unifesp. O médico é autor de diversos artigos disponíveis no site Dor Pélvica, onde as mulheres podem buscar orientação e alternativas de tratamento para a doença.

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