Endometriose é uma ameaça à fertilidade feminina

Doença pode provocar dor forte na barriga e dificuldade para engravidar

Endometriose agride o corpo da mulher
Endometriose agride o corpo da mulher Foto: Divulgação

A endometriose ocorre quando a mulher sofre com menstruação retrógrada, ou seja, quando parte do líquido que deveria ser expelido pelo organismo é jogado para dentro do corpo, mas fora da cavidade uterina. O líquido, formado por sangue e pelo tecido interno do útero, chama-se endométrio. Sem ser eliminado, gruda-se nas paredes de outros órgãos e começa um processo de degradação, causando dor forte na barriga e dificuldade para engravidar.

Para resolver o segundo problema, os médicos adotavam uma única estratégia. Prescreviam anticoncepcionais para cessar a menstruação, contendo a doença. Algum tempo depois, suspendiam a pílula e a mulher tentava, novamente, engravidar. Hoje, os médicos estão mais atentos aos detalhes.

Segundo o ginecologista João Sabino, do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o tratamento varia de acordo com o quadro. Nos casos em que a paciente tem alguma alteração na trompa uterina, a opção é seguir direto para um procedimento de fertilização in vitro, já que as chances de gravidez são inferiores a 4%.

– Caso não tenha nenhum problema nas trompas, ela terá mais chances de engravidar. No entanto, é necessário estimular a ovulação com medicamentos – explica Sabino.

Mas ainda há outro desafio pela frente. De acordo com uma pesquisa do HCPA, pacientes com endometriose têm uma quantidade menor de óvulos guardados no organismo, o que dificultaria ainda mais a gravidez.

Para segurar o avanço da doença e aumentar as chances reprodutivas, os médicos se tornaram mais rigorosos na hora do diagnóstico. Hoje, são feitas ecografias, ressonâncias e, principalmente, laparoscopia mediante qualquer sinal. A preocupação se estende também a adolescentes. Dores na região pélvica, muitas vezes confundidas com cólicas, devem ser investigadas. Quanto mais cedo a enfermidade for diagnosticada, menos dificuldades a mulher sentirá no futuro quando tentar engravidar. O problema é que, como as dores são comuns dos 16 aos 20 anos, os indícios acabam sendo negligenciados pelas jovens e também pelos especialistas.

– Por outro lado, os médicos estão mais conservadores na hora da cirurgia. O objetivo é cauterizar apenas as partes atingidas, sem comprometer as regiões que não foram afetadas pela endometriose – explica Eduardo Passos, coordenador do Serviço de Ginecologia do Hospital Mão de Deus e autor do blog Saúde e Reprodução.

Causas:
A menstruação ocorre de forma retrógrada, ou seja, o endométrio não é eliminado e permanece dentro do corpo. Em algumas mulheres, o endométrio tem capacidade de crescer e se manter vivo, agredindo os tecidos internos. Os médicos acreditam que o sistema imunológico não percebe a presença do endométrio como algo a ser combatido. Em outros casos, a reação do sistema imunológico pode ser tão forte que acaba agredindo o corpo.

Sintomas:
>> Subfertilidade (dificuldade para engravidar)
>> Dor pélvica (na bacia) crônica
>> Dor durante o ato sexual ou depois
>> Dor pélvica antes da menstruação e também durante o período menstrual
>> Dor ao urinar e evacuar
>> Dor na região lombar
>> Desconforto na região do abdômen

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