Entenda o motivo do choro do bebê

Lágrimas persistentes exigem leitura da linguagem corporal

Pranto seguido de lágrimas é uma fotma de o nenê comunicar que precisa de algo
Pranto seguido de lágrimas é uma fotma de o nenê comunicar que precisa de algo Foto: Maria Zarnayova, EFE

Quando um bebê chora, não costuma ser por capricho. O pranto seguido de lágrimas é a forma de o pequeno comunicar que tem necessidade de algo.

A interpretação correta desse pedido depende dos pais, que são os responsáveis por acalmá-lo o mais rápido possível. É provável que ele esteja com fome, ou tenha molhado as fraldas. Mas quando o choro persiste, é preciso começar a descartar algumas razões para evitar o estresse.

Com poucos dias de vida, a criança chora ao sentir frio, calor, dor ou incômodo por alguma circunstância externa. Além disso, não se pode esquecer que o bebê está em processo de adaptação a um novo ambiente, fora do útero, onde se sentia feliz e relaxado. Esse processo de mudanças e adequações traz mais tensão em alguns bebês do que em outros e, embora a genética tenha uma relevância especial, existem outros fatores determinantes do estresse que um recém-nascido pode apresentar nas primeiras semanas de vida, relacionados com o ambiente a seu redor.

O barulho pode ser um elemento fundamental de perturbação nessa época de adaptação tão delicada, e protegê-los de incômodos e ruídos pode favorecer um desenvolvimento neurológico correto, de acordo com várias pesquisas.

Uma dica é exercitar a chamada “linguagem corporal”. Em uma primeira sequência, é preciso passear com ele e dar palmadinhas em suas costas. Tanto a mãe quanto o pai devem conversar com o bebê, enquanto o embalam com alguma canção suave. Também é muito importante aproximar a orelha do bebê em direção à região do coração da mãe, pois ele está acostumado a escutá-lo desde que estava no útero.

Sinaleira no berçário

Para prevenir problemas relacionados ao estresse dos recém-nascidos, a medicina vem avançando. Na unidade neonatal do Hospital Materno Infantil de Granada, no sul da Espanha, os bebês contam com uma espécie de “ouvido eletrônico”, que filtra o barulho e ajuda a reduzir o estresse que eles poderiam sofrer durante a estadia no centro médico. O equipamento, denominado tecnicamente de Soundchip, adverte e informa o nível de decibéis registrados nos berçários, indicando – como se fosse um semáforo, a partir de luzes de cor verde, amarela ou vermelha – os diferentes níveis de barulho no ambiente. Caso o som ambiente, que o adulto poucas vezes percebe, supere o considerado adequado para os bebês, é enviada uma mensagem.

No entanto, pesquisadores alertam que os pequenos que se acostumaram desde o nascimento com os típicos ruídos domésticos conseguem dormir melhor com um leve ruído ambiente, que pode ser da TV, de um ventilador ou de uma secadora de roupas. Canções de ninar também são apontadas como soluções para o fim do choro. A unidade neonatal do Hospital Universitário das Canárias, na Espanha, utiliza um tratamento baseado nas músicas para dormir, que têm como fundo o som dos batimentos cardíacos e que, segundo a experiência comprovada, ajudam a diminuir o estresse dos recém-nascidos prematuros.

A técnica, de acordo com a pedagoga e presidente da organização Prematuros Sem Fronteiras, Elena Melián, é aplicada em vários hospitais americanos, como o Children’s Hospital Center de Akron, no estado de Ohio, nos Estados Unidos, onde se constatou que bebês nascidos entre as 25 e 30 semanas de gestação melhoraram o estado emocional e receberam alta 12 dias antes que os bebês que não tinham sido submetidos ao tratamento.

O procedimento dura geralmente entre 15 e 20 minutos e costuma ser aplicado duas vezes por dia, colocando uma pequena caixa de som dentro das incubadoras e fora delas. O resultado favoreceu o sono dos recém-nascidos, que se mostraram menos irritados e manifestaram menos raivas passageiras.

Saiba identificar os diferentes tipos de choro

Eles fazem beicinho, ficam vermelhos de raiva, se finam de tanto chorar e deixam os pais, principalmente os de primeira viagem, enlouquecidos. Durante o primeiro ano de vida, antes de poder se comunicar com palavras, a única forma de o bebê pedir ajuda é soltando o choro agudo, uma espécie de sinal de alarme ao qual os pais respondem prontamente.

No princípio, o choro é um sinal impreciso: diz que o bebê está triste, mas não acusa o motivo da sua infelicidade. Com o passar do tempo, os pais podem relacionar os diferentes tipos de choro com os diferentes tipos de dor.

O choro prematuro

A primeira vez que um bebê chora é logo após o nascimento, para expressar o choque da mudança repentina de ambiente. A maioria dos pais responde com um sorriso de alegria ao saber que seus pulmões estão funcionando corretamente. Ele chora com mais frequência durante os primeiros três meses, mas depois essa manifestação vai diminuindo. Por volta das seis semanas, seus canais lacrimais se desenvolvem o suficiente para produzir as primeiras lágrimas.

Por que eles choram

Há sete razões que provocam o choro dos bebês: dor, desconforto, fome, solidão, excesso de estímulos, falta de estímulos ou frustração. Choro persistente pode indicar cólicas. Se os pais são sensíveis, logo saberão diferenciar um tipo de choro do outro. A dor normalmente se expressa com uma manifestação aguda e intensa. O bebê não tem uma ideia clara do que está errado e não consegue distinguir entre uma dor leve e uma forte, por isso precisa atrair a atenção dos pais rapidamente. É comum ver as crianças parerem de chorar quando são embaladas ou têm contato com o corpo dos pais.

Como detectar a necessidade

Os recém-nascidos também choram por desconforto, quando se sujam, quando sentem muito calor ou frio, ou se sua delicada pele entra em contato com uma superfície áspera. Choros de fome podem ser detectados facilmente pelo ritmo e hora em que acontecem. Quando o bebê tem muita fome, ele chora mais alto e com mais urgência, com pausas curtas para respirar. O choro mais facilmente identificado é aquele que parece triste, repetitivo, que surge quando o bebê começa a sentir que foi abandonado. Não é preciso fazer nada além de segurá-lo ou mostrar o rosto sorridente bem de perto. O bebê também pode chorar se é estimulado demais ou muito pouco. Se estiver muito cansado, seu choro será entremeado de lamentos e gemidos, esfregará os olhos.

Antes de dormir

Durante os primeiros meses, o bebê fica mais apegado à mãe e começa a chorar, dar sinal de alarme, se o separam dela. Ele só quer o aconchego materno, mas os preparativos para dormir podem não permitir isso. Apesar de os pais saberem que a mãe voltará para dar atenção ao bebê, ele não sabe. Se os choros são frequentemente ignorados, em algum lugar no fundo do seu cérebro ele poderá desenvolver falta de confiança. O medo de sua mãe nunca voltar começa a angustiá-lo, e um sentimento de insegurança pode ficar em sua memória, dificultando uma autoconfiança futura. Mesmo que chore, o bebê precisa aprender a dormir sozinho, o que não significa que a mãe deva ser totalmente ausente. Manter o berço no quarto dos pais durante os primeiros meses dá ao bebê a sensação de estar perto da mãe, salvo e seguro. Quando ele se acostumar à ideia e mudar-se para o próprio quarto, por volta dos seis meses, tudo parecerá muito menos traumático.

Lágrimas por frustração

Choros de frustração aparecem mais tarde, quando a criança está tentando conseguir alguma coisa mas não consegue. Este tipo de choro aumenta à medida que o bebê começa a flexionar seus músculos explorar seu entorno, mas antes de haver adquirido a capacidade de realizar movimentos de forma eficaz. Em casos extremos, a criança pode prender a respiração e ficar com o rosto avermelhado ou azulado. Pode até mesmo perder a consciência. Esses ataques podem acontecer durante um acesso de raiva.

Fonte: livro Meu Bebê, de Desmond Morris

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