Entre a maternidade após os 50 e a carreira só depois dos filhos crescidos

Modernidade dá mais opções à mulher

Salário das mulheres no Brasil é o mais distante dos homens em todo o mundo
Salário das mulheres no Brasil é o mais distante dos homens em todo o mundo Foto: Divulgação

A ciência está a caminho de realizar o sonho de mulheres que desejam chegar ao topo de suas carreiras antes de assumir o papel de mães.

A se confirmarem as expectativas de pesquisas em andamento, ter filhos saudáveis depois dos 50 anos será apenas uma questão de tempo – e de dinheiro para pagar pelo tratamento.

Uma técnica experimental desenvolvida inicialmente para beneficiar pacientes com câncer abre a perspectiva de driblar o relógio biológico, por meio do congelamento de tecido do ovário. Ao ser reimplantado, seria capaz de reativar a produção de óvulos em mulheres maduras. E, de brinde, ainda acabaria com os incômodos sintomas da menopausa, ao estimular novamente a produção hormonal.

Os pesquisadores fazem questão de frisar que a jornada da teoria à prática pode atravessar décadas e que não se deve esperar por ela – tudo é bem mais simples para a mãe e para o bebê quando se é mais jovem. Mas a perspectiva existe e já suscita discussões éticas sobre as consequências da radicalização da maternidade tardia. Mesmo que uma gestação fosse biologicamente possível, mães com idade de avós teriam vitalidade suficiente para criar seus filhos?

Apesar das perspectivas animadoras, os médicos desaconselham pacientes saudáveis a desafiar os limites do corpo, pois ainda não há garantias de sucesso. Hoje, aos 42 anos, uma mulher só tem 5% de chance de engravidar por fertilização.

Filhos primeiro, carreira depois

O futuro reserva um novo caminho, na direção contrária das mulheres que postergam a maternidade para depois do sucesso. A nova rota passa pelo êxito profissional, mas, para chegar lá, elas antes curtem a gestação e acompanham de perto os primeiros anos de vida dos filhos.

O fenômeno que se esboça, ainda estranho às brasileiras, foi revelado no mês passado nos EUA, por meio de uma pesquisa do National Center for Health Statistics. A descoberta é que as mães americanas estão cada vez mais jovens e optam por dar à luz antes de engrenar no mercado de trabalho: em 2005, o primeiro bebê nascia quando a mãe tinha em média 25,2 anos; em 2006, a idade caiu para 25.

– O estudo leva a crer que elas estão cada vez mais perto dos seus relógios biológicos – afirma o médico Brady Hamilton, coautor do estudo.

O que já é fato nos Estados Unidos poderá ser aplicado a longo prazo no Brasil. Para não repetir a trajetória das avós – que sequer pensaram na carreira – ou reviver a rotina conturbada das mães, a nova geração deseja qualidade de vida sem perder o foco no sucesso. São mulheres preocupadas em se desenvolver profissionalmente, mas que preferem a emoção de ver o filho caminhar e ingressar na escola a receber um contracheque que lhes exija ao menos oito horas de jornada e pouco reconhecimento. Já o marido nem sempre participa das decisões, pois pouco se fala de homens que prorrogam a paternidade pela carreira.

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