Equipamentos ultramodernos substituem cirurgias plásticas, mas tecnologia não faz milagres

Boa parte agrega um item importantíssimo quando o assunto é beleza: uma série de máquinas que emitem ondas e luzes

Feixes de luz são capazes de melhorar a aparência da pele, eliminar manchas e rejuvenescer
Feixes de luz são capazes de melhorar a aparência da pele, eliminar manchas e rejuvenescer Foto: Jagostinho

Ultrashape, radiofrequência, cavitação, tulium, endermologia, ultrassom, velashape, laser, erbium, CO². A sequência de nomes compõe o cardápio de clínicas de estéticas e consultórios de dermatologistas. Boa parte agrega um item importantíssimo quando o assunto é beleza: uma série de máquinas que emitem ondas e luzes. Sim, a tecnologia é o principal aliado na busca pela aparência sonhada. 

? Hoje, temos a estética em 3D, a terceira dimensão, que trata tanto o aspecto da pele ou o contorno da silhueta quanto a saúde do organismo ? observa o médico Sérgio Calina, especialista em medicina estética.

Parte desse trabalho, no entanto, não é feito por equipamentos sofisticados. É, sim, impulsionado pela disposição e pela força de vontade da paciente que deseja exibir um físico não apenas bonito, mas saudável.

Pela tese de Calina, os médicos aplicam toxina botulínica e preenchedores para modelar o contorno facial, mas o paciente deve cuidar da alimentação e da hidratação do organismo para obter o resultado desejado.

? É uma via de mão dupla: um trata, o outro se cuida ? explica Calina.

O discurso adotado por ele faz parte da prática médica. Tanto que no 10° Congresso Internacional de Estética Hair Brasil, realizado no fim de março, em São Paulo, os fatores saúde e bem-estar foram apontados como aliados de bons resultados nos tratamentos estéticos. Como o outono é considerado a época propícia para esse tipo de intervenção, ouvimos os profissionais sobre os procedimentos.

Embora menos invasivos do que as cirurgias plásticas, os métodos também apresentam riscos e contraindicações. Além disso, pesam no bolso. Os médicos e as clínicas não gostam de falar em preços, alegando que “cada caso é diferente do outro e exige ajuda diferenciada”. Depois de muita insistência, no entanto, chega-se a alguns valores: um tratamento para gordura localizada, com pelo menos 10 sessões, fica entre R$ 1,5 mil e R$ 3 mil; a terapia a laser para rejuvenescimento sai por volta de R$ 3 mil, e a paciente deverá passar cerca de um mês longe do sol. Se optar, ainda, pela suavização das rugas, com o uso da popular toxina botulínica, terá que desembolsar aproximadamente R$ 1 mil para receber agulhadas nos cantos dos olhos, nas sobrancelhas e na testa.

Tulium, a nova estrela

A estética saiu das clínicas e entrou pela porta da frente dos consultórios com o surgimento e o sucesso do uso do laser na dermatologia. Os feixes de luz são capazes de melhorar a aparência da pele, eliminar manchas e rejuvenescer. O mais novo e promissor no campo estético é o laser chamado tulium.

O dermatologista Ricardo Fenelon, presidente da Sociedade Brasileira de Laser em Medicina e Cirurgia,  regional Centro-oeste, explica que, quando o laser é disparado, reage com a água da pele e não com a melanina, como grande parte dos laseres. 

? O tulium não afeta as camadas mais profundas da pele e provoca apenas uma descamação parcial. É como um peeling superficial – explica.

Por causa dessa propriedade, ele pode ser usado até em peles morenas e por quase qualquer pessoa e em qualquer parte do corpo. São excluídas desse grupo as gestantes, já que não há estudos comprovando a segurança do laser em sua interação com o feto. Depois do tratamento, é recomendado o uso de hidratantes, filtro solar, anti-inflamatórios e substâncias clareadoras.

Segundo o cirurgião plástico Davi Rodrigues, especialista em tratamentos a laser, o tulium oferece menor risco de manchar a pele, quando comparado a outros tipos de laser. Isso ocorre porque é não ablativo, ou seja, não coagula as células da pele, como se estivesse cozinhando-as. Ele é defensor dos tratamentos estéticos com laser, pois afirma que essa tecnologia substitui vários procedimentos e, em alguns casos, elimina a necessidade de cirurgias plásticas, graças ao aumento da produção de colágeno, um dos efeitos colaterais dos tratamentos a laser. Apesar de toda a eficiência e eficácia, os equipamentos a laser causam efeitos colaterais. 

? Se não forem usados por pessoas bem treinadas, podem provocar queimaduras e manchas irreversíveis ? adverte a dermatologista Silvana Andrade, especialista em laser.

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