Escolas investem em brincadeiras que ajudam a melhorar raciocínio das crianças

Veja alguns métodos que são trabalhados nas escolas e que podem ser aproveitados em casa

No Colégio Farroupilha, alunos do Ensino Fundamental são estimulados a pensar antes de agir, por meio de brincadeiras
No Colégio Farroupilha, alunos do Ensino Fundamental são estimulados a pensar antes de agir, por meio de brincadeiras Foto: Genaro Joner

Foi-se o tempo em que aula boa nas turmas dos anos iniciais era aquela em que o professor, com giz em punho, parava entre as crianças e o quadro negro e discorria sobre diversos assuntos durante horas. Novas ideias que estimulam a vontade de os alunos aprenderem de uma forma diferente, e sintam prazer com isso, vêm ganhando adeptos em escolas.

Apostando na utilização de jogos de raciocínio para desenvolver as capacidades sociais, cognitivas, emocionais e éticas é que colégios como Farroupilha e Anchieta, ambos de Porto Alegre, adotaram a metodologia Menteinovadora. Oferecida para turmas de 1º e 2º anos na unidade Três Figueiras e de 1º a 4º ano na unidade Correia Lima, no Colégio Farroupilha, e da Educação Infantil ao 4º ano do Ensino Fundamental no Colégio Anchieta, a atividade conta com um período semanal de 60 minutos.

Usando o método Detetive, crianças aprendem a perguntar mais, investigar e desenvolver a curiosidade. No jogo Procurando o Dodô, com cartas ilustradas sobre a mesa (ou no chão), e as crianças de olhos fechados, um dos participantes esconde uma carta.

Na sequência, já de olhos abertos, os pequenos vão fazendo, um de cada vez, perguntas para eliminar as cartas que não interessam. Exemplo de uma pergunta que pode ser feita: a carta tem algum detalhe em amarelo? Se a resposta for não, descarta-se as que têm algo nessa cor. Por fim, quem descobrir a carta que foi escondida é o vencedor. No tradicional jogo de damas, são exigidos das crianças raciocínio e concentração, características importantes para o aprendizado de matemática, entre outras matérias. Mas as atividades não se restringem ao trabalho em sala de aula. Cada aluno tem um material para, em casa, interagir e brincar com a família.

A professora Lia Gradin, do 1º ano do Ensino Fundamental do Colégio Farroupilha, destaca o método do Semáforo como um bom exemplo de atividade que transcende a aula e extrapola os limites da escola. Segundo ela, as ações parar, pensar e agir ? equivalentes às cores vermelho, amarelo e verde das sinaleiras ? são aplicadas pelos alunos em outras atividades do dia a dia.

? Eles estão amadurecendo muito. É um grupo que gosta de desafios ? ressalta a professora.

A opinião é compartilhada por sua colega, a coordenadora do Ensino Fundamental, anos iniciais, Márcia Beck Terres:

? Temos percebido uma aceitação muito boa tanto pelos alunos quanto pelos professores, pais e responsáveis que têm a oportunidade de interagir com os filhos.

Brincadeiras para resolver problemas do cotidiano

A metodologia foi trazida pela direção dos dois colégios após apresentação em São Paulo. Equipes de professores e coordenadores foram treinadas, e as atividades são coordenadas pelo próprio professor da turma. Em uma sala que conta com os jogos, os alunos desenvolvem as atividades em um grande grupo, com peças de maior tamanho. Depois dessa iniciação, passam a jogar em pequenos grupos, sob a supervisão do professor.

? Ele (o método Menteinovadora) trouxe aquilo que realmente se propunha. Envolve a questão lúdica, e os alunos aprendem a refletir sobre como estão pensando ? conta a orientadora pedagógica do 1º ao 3º ano do Ensino Fundamental do Colégio Anchieta, Dóris Trentini.

As atividades, agrupadas por métodos, têm como objetivo não apenas desenvolver capacidades dos alunos para serem aproveitadas nas disciplinas tradicionais, mas mostrar às crianças como resolver questões do cotidiano. Alguns temas trabalhados por meio dos jogos são a resolução de problemas: planejamento e tomada de decisões (cognitivos), como lidar com emoções e autoconfiança (emocionais), trabalhar em equipe, comunicar-se e resolver conflitos (sociais) e respeitar e agir para o bem comum (éticos).

Para brincar em casa

Veja alguns métodos que são trabalhados nas escolas e que podem ser aproveitados em casa. Na hora de escolher, em uma loja, um jogo para o seu filho, eles podem ajudar:

:: Método do Detetive: identificar informações importantes por meio de perguntas, estilo utilizado pelo mediador no processo de descoberta dos obstáculos e na busca de pistas que tornem possível a resolução de problemas.

:: Método das Aves Migratórias: explicita que cooperação e harmonia de um sistema de lementos que trabalham juntos são fundamentais. É necessário definir um objetivo grupal, buscar uma estrutura, verificar a satisfação dos indivíduos do grupo e buscar o equilíbrio entre os objetivos pessoais e grupais.

:: Método do Semáforo: contribui na distinção das características relevantes e irrelevantes do contexto da ação, auxilia o desenvolvimento da habilidade de controlar a impulsividade e possibilita a reflexão de como podemos nos posicionar diante das situações do cotidiano. Este método é constituído por três etapas: parar, pensar e agir.

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